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Troca na Petrobras fortalece Guedes na salvação da popularidade de Bolsonaro

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Troca na Petrobras fortalece Guedes na salvação da popularidade de Bolsonaro

Analistas consultados pela Mover veem a escolha de Caio Mário Paes de Andrade para comandar a Petrobras como mais uma vitória de Guedes

Troca na Petrobras fortalece Guedes na salvação da popularidade de Bolsonaro
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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 24 de maio – A terceira troca de presidente da Petrobras em pouco mais de um ano transforma o ministro Paulo Guedes em peça-chave para combater os efeitos negativos dos preços dos combustíveis sobre a popularidade do presidente Jair Bolsonaro às vésperas das eleições.

Analistas consultados pela Mover veem a escolha de Caio Mário Paes de Andrade, atual secretário de desburocratização do Ministério da Economia, como mais uma vitória de Guedes após a troca de Bento Albuquerque por Adolfo Sachsida, seu aliado, no comando do Ministério de Minas e Energia.

José Mauro Coelho, que havia assumido a estatal há pouco mais de um mês, era indicado pelo próprio Albuquerque e não resistiu à “fritura” de seu nome tanto interna quanto externamente, especialmente após o aumento de 8,9% no preço do diesel anunciado em 9 de maio.

O jornal O Estado de S. Paulo relata, citando uma fonte do Palácio do Planalto, que é “questão de sequência” até a Petrobras implementar as mudanças que Bolsonaro deseja na política de reajuste de preços dos combustíveis para impedir sua perda de popularidade perto das eleições.

Dentre as medidas estudadas pelo governo, segundo a Folha de S.Paulo, estão a estipulação de um intervalo mínimo de 100 dias entre um reajuste e outro e a criação de faixas de preço de referência do petróleo Brent, que impediriam aumentos em caso de volatilidade nas cotações da commodity.

Seja qual for a medida, o certo é que Guedes, agora com um aliado de primeira hora na presidência da Petrobras, está com a faca e o queijo na mão para promover as mudanças desejadas por Bolsonaro.

Nas palavras do economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, “o Ministério da Economia está mais no controle do que nunca” da situação da Petrobras.

A troca também pode agilizar os estudos sobre a privatização da Petrobras e da PPSA, estatal focada na exploração e produção no pré-sal, que foram incluídos por Guedes e Sachsida no Programa de Parcerias de Investimentos.

“Vale ressaltar que a ala econômica do governo, empenhada no processo de privatização da companhia, vem defendendo que Caio será peça fundamental para viabilizar a venda da empresa”, comenta Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Riscos

A ex-diretora da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Magda Chambriard, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que a demissão do presidente da Petrobras reflete “riscos muito grandes” aos acionistas da estatal, ao expor “total desorganização e falta de previsibilidade no comando”.

Ela entende que a troca reforça o receio de que Bolsonaro queira usar a Petrobras com “objetivo eleitoreiro”, uma vez que 68% dos brasileiros consideram o presidente responsável pelo preço dos combustíveis, segundo pesquisa Datafolha publicada no fim de março.

A nova interferência da União na diretoria da empresa leva os recibos de ações da Petrobras negociados em Nova York a caírem 2,78% no pré-mercado americano perto das 8h40, em dia no qual os papéis negociam ex-dividendos.

Foi a terceira troca de presidente da Petrobras promovida por Bolsonaro em pouco mais de um ano. Roberto Castello Branco foi demitido em abril de 2021, sendo substituído pelo general Joaquim Silva e Luna. O militar foi demitido no fim de março e trocado por Coelho, que assumiu em 14 de abril após tentativa fracassada do ministério de Minas e Energia de emplacar o nome de Adriano Pires no cargo.

Segundo o jornal Valor Econômico, o conselho da Petrobras se reunirá nesta quarta-feira para convocar uma Assembleia Geral Extraordinária. A Petrobras informou que, se a demissão do atual presidente, José Mauro Coelho, for aprovada na AGE, todos os membros do conselho de administração serão destituídos, e uma nova eleição será convocada.

Texto: Gustavo Boldrini
Edição: Renato Carvalho
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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