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Análise: O papel de Doria na viabilização da terceira via

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Análise: O papel de Doria na viabilização da terceira via

Após vencer as prévias, Doria agora terá que escolher entre unificar a terceira via ou abrir disputa contra outros nomes desse campo

Análise: O papel de Doria na viabilização da terceira via
leopoldo-vieira-teixeira

Atualizado há 9 meses

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Brasília, 29 de novembro –  Vitorioso na conclusão das prévias do PSDB nesse sábado, 27, o governador de São Paulo, João Doria, terá que escolher entre disputar uma vaga no segundo turno das eleições presidenciais de 2022 contra outros nomes da chamada terceira via, ou se fortalecerá a união desse campo na tentativa de furar a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os primeiros gestos de Doria apontam que ele tentará uma arrancada, anunciando nas próximas semanas sua equipe de auxiliares e o nome do candidato à vice-Presidência em sua chapa.

Para isso, Doria terá que ultrapassar postulantes como o ex-juiz Sergio Moro e o ex-governador Ciro Gomes, que aparecem, respectivamente, à sua frente nas pesquisas.

Mesmo que considere um tempo para medir seu percentual de votos com os demais concorrentes da terceira via, no entanto, a busca de Doria por se sobrepor a eles tende a aumentar a fragmentação e o conflito, o que pode gerar uma espécie de “abraço dos afogados”.

Preocupado com sua posição, Gomes já começou a ensaiar artilharia contra Moro, que marcou dois dígitos em recente pesquisa eleitoral.

Se Doria seguir o mesmo caminho, pode colaborar tanto para desidratar Moro, quanto para a ida de Bolsonaro ao segundo turno contra Lula.

Caminho de Doria tem obstáculos

Os grandes ativos de Doria – como sua experiência em gestão, a articulação empresarial e a máquina estadual paulista – cairiam como uma luva para dar musculatura a Moro, sobretudo se o tucano topasse concorrer como seu vice. Um desapego que poderia ter um papel importante para viabilizar a terceira via, mas as condições políticas não dão sinais de que serão pacientes.

O PSDB negou divisão após as prévias, porém, o postulante derrotado, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, já rechaçou coordenar a campanha de Doria e afirmou que não disputará cargo público no próximo ano.

Analistas políticos, no entanto, consideram que Leite pode se filiar ao União Brasil para também se propor à vaga de vice do ex-juiz. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é outra opção da sigla à vice de Moro – ainda que o presidente da União, deputado Luciano Bivar, tenha dito à CNN Brasil que a tendência é lançar candidatura própria.

Apesar da sinalização de Doria para o ex-padrinho político Geraldo Alckmin de apoiá-lo para uma vaga ao Senado, este pode se sentir mais tentado a formar uma chapa com Lula para dar o troco no que tomou por traição do governador em 2018.

Por outro lado, vale lembrar que Moro tem à sua disposição para vice o nome do general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência de Bolsonaro, um militar dissidente e, por isso, sem os desgastes que seguiram seus pares que permaneceram no governo.

A opção pode compensar o desgaste de Moro com o eleitorado de Bolsonaro, mas que está descontente com o presidente.

Pelos ativos que reúne, Doria pode fazer a diferença. Contudo, pelos votos que não parece dispor, conforme indicam as pesquisas até aqui, não é recomendável que isso passe preferencialmente por fortalecer sua candidatura, sua posição pessoal ou o próprio PSDB na campanha presidencial.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Gabriela Guedes e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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