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Análise: Aumenta o risco de governo mudar política de preços da Petrobras

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Análise: Aumenta o risco de governo mudar política de preços da Petrobras

As críticas do presidente Bolsonaro sobre a política de preços da Petrobras baseada na paridade internacional aumentaram o risco de mudança

Análise: Aumenta o risco de governo mudar política de preços da Petrobras
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Atualizado há 10 meses

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Brasília, 29 de outubro – Aumentou o risco de governo e Congresso tomarem iniciativas para mudar a atual política de preços da Petrobras, hoje baseada na paridade entre o real e o dólar, após falas alinhadas do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, na quinta-feira.

O presidente Jair Bolsonaro disse esta semana que está buscando uma forma de mudar a política de preço dos combustíveis, indicando que o tema já tem espaço importante na agenda do governo.

“A Petrobras é obrigada a aumentar o preço porque ela tem que seguir a legislação. E nós estamos tentando aqui buscar maneiras de mudar a lei nesse sentido. Porque não é justo você viver num país que paga tudo em real, é praticamente autossuficiente em petróleo e tem o preço do seu combustível aqui atrelado ao dólar”, afirmou na tradicional live das quintas-feiras.

Já Rodrigo Pacheco disse em coletiva que terá reunião com a Petrobras após o feriado de 2 de novembro, em busca de uma “solução” para o preço dos combustíveis. Citou três possibilidades: um arranjo no campo tributário, a criação de um fundo de estabilização ou que “eventualmente se possa fazer um ajuste em relação a essa dependência dos combustíveis em relação ao dólar”.

A preocupação central de Bolsonaro e dos congressistas, além do impacto social, é com o cenário eleitoral. A inflação dos combustíveis tende a pressionar não só a popularidade do presidente, mas a dos parlamentares também.

Congelamento do ICMS

Nesta sexta-feira, o Conselho Nacional de Política Fazendária, Confaz, que reúne governo e secretários estaduais, aprovou o congelamento do ICMS dos combustíveis por 90 dias. Isso pode reduzir a pressão de momento sobre a Petrobras, dando tempo para que o Planalto e o Congresso construam soluções consideradas mais estruturais, por exemplo por meio dos tributos, como cogitou Pacheco.

Neste sentido, o presidente da Câmara, Arthur Lira, comentou em suas redes sociais que a decisão do Confaz é uma “oportunidade de união e de compromisso público de todos nós”.https://

Economistas falaram com a Mover que o mercado vê com bons olhos uma proposta que caminhasse na direção da reforma do ICMS que tramita no Congresso e da criação do fundo equalizador.

Não se descarta que as duas possam avançar em conjunto, mas o investidor deve ter no radar a possibilidade de uma iniciativa concreta por mudança na política de preços da Petrobras. Analistas consideram remotas as chances de ocorrer uma privatização da companhia.

No governo Dilma Rouseff, o controle dos preços dos combustíveis, com o objetivo de conter a inflação, resultaram em forte endividamento da Petrobras, e uma retomada desta estratégia terá reação negativa do mercado. Mas o risco existe, especialmente se a tendência de ampliar a agenda social e os gastos públicos seguir prevalecendo sobre as políticas de austeridade da visão liberal, em virtude da pandemia e da aproximação das eleições presidenciais.

Desempenho das ações da Petrobras

O balanço da Petrobras superado expectativas e o anúncio dos dividendo adicional poderiam impulsionar as ações hoje. Contudo, as declarações de Jair Bolsonaro sobre mudar a política de preços azedaram os papéis da estatal. O preferencial (PETR4) recuou 5,90%, a R$27,25, enquanto o ordinário (PETR3) caiu 6,49%, a R$27,67. O Ibovespa fechou em queda de 2,09%, aos 103,5 mil pontos.Ação Petrobras- PETR4

Para acompanhar o desempenho das ações da petroleira e de outras empresas listadas na bolsa brasileira, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Renato Carvalho e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / Mover

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