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Siderúrgicas e mineradoras precificam violenta recessão global, diz BTG Pactual

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Siderúrgicas e mineradoras precificam violenta recessão global, diz BTG Pactual

O valor de siderúrgicas e mineradoras está hoje entre 3 e 4 vezes seu lucro operacional anual, segundo relatório de analistas do BTG Pactual

Siderúrgicas e mineradoras precificam violenta recessão global, diz BTG Pactual
gabriel-brondi

Atualizado há 10 dias

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São Paulo, 22 de junho – As incertezas ao redor de cenário macroeconômico e geopolítico global, assim como a alta abrupta dos juros nas economias mais ricas, têm gerado uma aversão incomum às ações de produtoras de commodities e siderúrgicas brasileiras que, hoje, negociam em múltiplos que antecipam uma violenta recessão no mundo, disseram analistas do BTG Pactual em relatório aos clientes nesta quarta-feira.

De acordo com a equipe liderada por Leonardo Correa, a maioria das ações de siderúgicas e mineradoras que fazem parte da cobertura do BTG Pactual estaria barata desde uma perspectiva que olhasse exclusivamente para o longo prazo. Mesmo que o cenário atual tenha deixado essa perspectiva “obsoleta em muitos casos”, Correa ressaltou “quão incrivelmente barato” está o setor, pois o retorno dos dividendos de muitas companhias está na casa dos dois dígitos, por exemplo.

Ao mesmo tempo, Correa estima que o valor de siderúrgicas e mineradoras está hoje entre 3 e 4 vezes seu lucro operacional anual – medida de avaliação conhecida como EV/EBITDA, e que determina o número de anos necessários para que uma empresa se pague com sua geração de lucro operacional. Quem busca oportunidades nesses setores deveria se posicionar prioritariamente nas ações de Vale, dada a exposição da segunda maior produtora de minério de ferro do mundo à retomada na China depois do recente surto de Covid-19, pontuou.

“Nem faz falta dizer que qualquer livro básico sobre investimentos te recomenda evitar ações cíclicas em meio a uma recessão, mas, dessa vez, ousamos discordar”, disse Correa. No universo de cobertura dele, suas ações preferidas são, além da Vale, a produtora de alumínio CBA; Gerdau, a maior siderúrgica das Américas; e a Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo.

A tese de Correa ilustra como o ciclo global de alta de juros mais intenso em 15 anos, diante da pior inflação em décadas no mundo desenvolvido e dos efeitos da guerra russa na Ucrânia, nublou o cenário para os investidores em praticamente todos os mercados. O Índice de Materiais da B3, conhecido como IMAT, acumula queda de 14,80% no ano, ante o recuo de 4,90% no Ibovespa.

A ação ordinária da Vale (VALE3), a mais relevante na bolsa brasileira, sobe 1,23% no ano, enquanto as preferenciais das siderúrgicas Gerdau (GGBR4) e da Usiminas (USIM5) derretem 10,34% e 37,01%, respectivamente. Suzano (SUZB3) cai 17,19% no período. CBA (CBAV3) recua 17,04%. CSN (CSNA3), o maior grupo siderúrgico diversificado do país, desvaloriza 30,30% no ano, enquanto sua unidade de mineração, CSN Mineração (CMIN3), acumula queda de 30,02% desde o início do ano.

Usando as premissas de preços de longo prazo e aplicando-as nas projeções financeiras das empresas para o ano que vem, Correa encontrou que as ações “estão sendo negociadas em múltiplos inimaginavelmente baixos”, com descontos de 50% a 70% para níveis normalizados, em alguns casos. Isso implica que “os investidores estão se preparando para uma rápida reversão nos preços”, disse Correa.

Projeções

O BTG Pactual projetou, para 2023, preços médios de US$75 a tonelada para o minério de ferro, de US$580 a tonelada para a bobina laminada a quente, de US$3,5 a libra para o cobre, de US$2.500 a tonelada para o alumínio e de US$550 a tonelada para a celulose.

Contudo, apesar de o consumo de aço chinês ter decepcionado até o momento e a perspectiva de uma reabertura completa dos negócios permanecer indefinida, Correa vê alguns sinais modestos de melhora nos indicadores econômicos e de mobilidade.

“O cenário é claramente mais fluido do que esperávamos algumas semanas atrás”, o que não deve ser esquecido pelos investidores, e pode ajudar as ações brasileiras de siderúrgicas e mineradoras, ressaltou.

Texto: Gabriel Brondi
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Allan Ravagnani
Imagem: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

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