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Recessão nos EUA será positiva para o Brasil, diz presidente do BTG Pactual

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Recessão nos EUA será positiva para o Brasil, diz presidente do BTG Pactual

Em entrevista exclusiva ao portal da Mover, Roberto Saloutti disse que uma recessão nos EUA tratia alívio para a onda inflacionária global

Recessão nos EUA será positiva para o Brasil, diz presidente do BTG Pactual
juliana-mendonca

Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 3 de julho – Ao notar um cenário de recessão econômica nos Estados Unidos, o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti, disse em entrevista exclusiva ao portal da Mover que isso deve impactar positivamente o Brasil, já que trará um alívio para a onda inflacionária tanto nos EUA como no resto do mundo e expectativas de juros menores no exterior.

Durante evento do Grupo de Negócios da Politécnica da Universidade de São Paulo, na última quinta-feira, Sallouti disse que o Federal Reserve, banco central americano, demorou para agir contra a maior inflação em 40 anos no país.

“O Fed acordou tardiamente, na minha visão, e começou a fazer movimentos agressivos. Essa mudança na última reunião, a elevação da taxa de juros em 0,75 ponto percentual, foi muito acertada”, afirmou o presidente do BTG.

As previsões de analistas para a taxa básica de juros nos EUA ao final de 2023 estão entre os 3,5% e 4%. Para Sallouti, a chamada Fed Funds deve chegar a 4%, mas ele ressalta que é difícil ser “tão cirúrgico” na projeção.

Segundo Saloutti, esse patamar para os juros básicos dos EUA é um mal necessário. “Infelizmente, o crescimento global vai ter que diminuir e o desemprego nessas economias centrais deve subir, porque é insustentável [como está agora] do ponto de vista do espiral inflacionário”, declarou.

Ele explicou que, se houver duas vagas para cada pessoa procurando trabalho, significa que há emprego em excesso na economia e, nesse cenário, ou vai haver imigração ou uma quebra tecnológica para aumentar a produtividade.

Mercado brasileiro

Em relação ao mercado nacional, o empresário considera que há muito valor nos ativos brasileiros: por um lado, a Bolsa e o real estão baratos, e por outro, as taxas de juros estão altas como parte do processo de combate à inflação. O presidente do BTG Pactual listou dois fatores para haver uma reprecificação local: a diminuição do medo de volatilidade externa e a dissipação da incerteza fiscal.

“Penso que o cumprimento da meta de superávit primário em vários anos levará a dívida para uma trajetória cadente. Mas mesmo que tudo esteja barato, agora não é hora de realizar grandes alocações fora da renda fixa, por conta da alta volatilidade”, opinou.

Saloutti aponta ainda que os fundos imobiliários estão de “graça” e os imóveis “desmontados”, o que torna essa categoria uma opção interessante de investimento. Ele explicou que, do ponto de vista do ativo, o valor não muda constantemente, como ocorre com as ações. O mercado “só vai precificar quando os juros começarem a cair”, disse.

Criptoativos

A posição do BTG Pactual sobre as criptomoedas é de cautela, segundo Saloutti, embora os ativos digitais sejam uma demanda dos clientes do banco. “Sou um apaixonado pela tecnologia, mas tenho muita dúvida sobre o valor dos criptoativos atuais”, confessou. “Acredito que é a tecnologia que se tornará a infraestrutura do mercado financeiro do futuro, mas não sei como”, completou.

O BTG hoje disponibiliza alguns produtos relacionados a criptoativos e, em breve, será lançada uma plataforma para negociação com ativos digitais. Porém, o banco recomenda que os clientes não tenham mais que 4% dos seus recursos em criptos no portfólio, segundo o presidente do banco.

Eleições 2022

Ao portal da Mover, Saloutti disse que o mercado já está precificando as incertezas das eleições presidenciais deste ano, e demonstrou preocupação com a possibilidade de o Brasil não conseguir restabelecer sua âncora fiscal.

“Eu fico decepcionado quando vejo uma eleição como a de 2022. Na minha visão, o Brasil tem problemas muito claros que temos que atacar. Precisamos tornar a educação uma obsessão, criar um programa de renda mínima, com o dinheiro chegando na ponta sem perder no intermediário, e tornar a máquina pública eficiente para as pessoas não serem oneradas pela burocracia”, destacou.

Esses fatores, de acordo com o empresário, resultariam em produtividade e aumento do Produto Interno Bruto potencial. “É um grande desafio e seria ótimo que esse fosse o tema de debate das eleições. Mas, infelizmente, não é o que está acontecendo”, declarou.

“Qualquer governante vai ter que atacar isso, senão a gente vai ser obrigado a conviver com o PIB potencial muito baixo, o que implica em um PIB Per Capita estagnado. Não queremos isso, queremos que o Brasil chegue em outro patamar socialmente”, concluiu.

Texto: Juliana Alves
Edição: Stéfanie Rigamonti e Renato Carvalho
Imagem: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

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