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Futuros mega leilões de transmissão devem atrair Eletrobras e chineses, dizem fontes

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Futuros mega leilões de transmissão devem atrair Eletrobras e chineses, dizem fontes

Os linhões, que podem ser licitados em 2023 e 2024, utilizarão a tecnologia de ultra alta tensão em corrente contínua que a Eletrobras opera

Futuros mega leilões de transmissão devem atrair Eletrobras e chineses, dizem fontes
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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 6 de julho – O governo federal está preparando leilões para tirar do papel dois mega projetos de transmissão de energia que demandarão investimentos de até R$30 bilhões e devem atrair o apetite principalmente de grupos chineses e da Eletrobras, disseram ao Scoop by Mover duas fontes com conhecimento direto do plano.

Os linhões, que podem ser licitados em 2023 e 2024, utilizarão a avançada tecnologia de ultra alta tensão em corrente contínua, por enquanto adotada em poucos países no mundo, incluindo o Brasil, que tem empreendimentos como esses operados pela recém-privatizada Eletrobras e pela chinesa State Grid, disseram as fontes, que pediram anonimato para falar livremente do assunto.

O grupo francês EDF, que por enquanto atua só em geração no Brasil, também acompanha os estudos do governo sobre esses projetos e tem planos de disputar as licitações, pois opera linhões de ultra alta tensão na Ásia, de acordo com uma terceira fonte.

Os planos do governo sinalizam como o setor de transmissão deve continuar liderando investimentos no setor de energia nos próximos anos, principalmente pela necessidade de reforços no sistema para levar a geração eólica e solar produzida no Nordeste até os centros de carga, no Sudeste e Centro-Oeste.

Procurado, o Ministério de Minas e Energia não respondeu a pedidos de comentário, assim como a State Grid. A Eletrobras não quis comentar. A EDF Norte Fluminense afirmou estar atenta ao mercado e sempre avaliar oportunidades de crescimento para reforçar sua presença.

A construção de linhas de transmissão de corrente contínua em ultra alta tensão, acima de 800 kilovolts, tem objetivo de reduzir perdas de eletricidade em longos trajetos. A tecnologia é amplamente utilizada principalmente na China, mas o Brasil possui dois linhões como esses, que escoam a produção da hidrelétrica de Belo Monte até o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Um desses projetos, o primeiro do tipo a operar no país, foi construído por subsidiárias da Eletrobras em parceria com a State Grid, enquanto um segundo ficou a cargo apenas da companhia chinesa.

Está “se guardando”

Para uma das fontes que falou ao Scoop, a total ausência da State Grid de um grande leilão de projetos de transmissão realizado pelo governo na última semana pode sinalizar que ela está “se guardando” para os grandes linhões, até pelo porte dos investimentos previstos.

O primeiro linhão, que deve ser licitado pelo governo em meados de 2023, deverá exigir cerca de R$10 bilhões, enquanto o segundo, com leilão estimado para 2024, demandaria entre R$15 bilhões e R$20 bilhões, disseram as fontes.

Um dos projetos provavelmente envolveria linhas de 800kv entre Maranhão e Goiás; o outro poderia usar tensão de 800kv ou 1.000kv, para levar energia do Rio Grande do Norte ou Ceará até São Paulo ou Paraná.

Além da Eletrobras, outras grandes empresas brasileiras de transmissão teriam capacidade técnica para executar os projetos, mas o mais provável é que os leilões desses linhões sejam disputados por consórcios formados por várias companhias, como forma de mitigação de riscos e compartilhamento dos aportes necessários, ainda segundo as fontes.

“É difícil você pensar que uma empresa vai sozinha investir mais de R$10 bilhões. Esperamos que consórcios disputem os projetos, e não empresas sozinhas”, disse uma dessas pessoas.

Uma vez concluídos, os linhões deverão permitir o transporte de energia renovável e mais barata para as regiões com maior demanda, o que elevará a segurança do sistema elétrico e terá potencial de reduzir custos para consumidores, segundo as fontes.

*Esta reportagem foi publicada primeiro ontem, exclusivamente ao assinantes do TC. Quer receber em primeira mão conteúdos exclusivos? Assine um dos planos do TC.

Texto: Luciano Costa
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Allan Ravagnani
Imagem: Vinicius Martins / Mover
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