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Fundos: Gestores equilibraram portfólio para conter danos em 2022

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Fundos: Gestores equilibraram portfólio para conter danos em 2022

O iminente aperto monetário nos Estados Unidos e o cenário eleitoral do Brasil são dois focos para os gestores de fundos neste ano

Fundos: Gestores equilibraram portfólio para conter danos em 2022
gabriel-pontes

Atualizado há 5 meses

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Brasília, 14 de janeiro – O ano passado trouxe desafios aos gestores dos principais fundos multimercados, com os ativos brasileiros indo na contramão do exterior, mas este ano também traz dificuldades para a alocação de capitais, em meio ao iminente aperto monetário do Federal Reserve, banco central americano, e o cenário eleitoral no Brasil.

A maior alta anual dos fundos consultados pela Mover foi da gestora SPX, fundada por Rogério Xavier, em 11,71%, a maior desde 2017. Na ponta oposta, o fundo multimercado Verde FIC FIM, de Luis Stuhlberger, registrou queda de 1,13%, a segunda rentabilidade negativa de sua história, sendo que a outra havia sido em 2008, na esteira do subprime.

Em carta, Stuhlberger elencou a exposição em ações brasileiras como “grande detratora” da performance do portfólio. Para a gestora, os ativos locais sofreram muito depois da “implosão do Teto de Gastos” pelo governo no segundo semestre.

Por outro lado, os fundos que registraram variações positivas foram justamente aqueles que mantiveram posições mais “cautelosas” com o Brasil, como foi o caso do Ibiuna Hedge FIC FIM, com retorno de 7,75% no ano passado.

Foco dos fundos

Olhando para 2022, as assets focaram em dois pontos: o aperto monetário por parte do Federal Reserve nos Estados Unidos e o cenário eleitoral do Brasil.

A SPX, por exemplo, acredita que a candidatura petista está em vantagem para vencer o pleito, mas vai “condenar o país a continuar sem grandes avanços ou reformas”. A Ibiuna enxerga que o ano eleitoral traz volatilidade natural aos mercados, mas vê possibilidade de certo alívio nos mercados locais após o ano passado.

Já a Legacy Capital informou em dezembro ter ampliado a exposição em inflação implícita no Brasil devido ao cenário ainda inflacionário e a postura mais “hawkish” do Banco Central. A casa projeta contração de 1,00% para a economia brasileira. No ano passado, o fundo Legacy Capital B Fic reportou retorno positivo de 1,34%.

A Opportunity, que tem como sócio o renomado gestor Dorio Ferman, vai mais longe, dizendo que o cenário eleitoral e a contração do PIB não estão “totalmente precificadas na bolsa”. A asset teve seu principal fundo multimercado avançando 4,87% em 2021.

Estratégias no mercado internacional

No cenário internacional, os gestores mantêm aposta em ações americanas, principalmente nas de valor, além de estarem comprados em taxas de juros norte-americanas, principalmente naquelas com vencimentos entre cinco e sete anos, enquanto alocam posição “bastante reduzida” ao risco brasileiro.

A SPX que há possibilidade “não desprezível” de que o Fed tenha de elevar os juros reais, a taxa nominal de juro descontada a taxa de inflação, para além do terreno positivo. Já a Adam, de Márcio Appel, diz observar um quadro de robustez para a atividade mundial neste ano, ainda que com o processo de normalização monetária a ser implementado pelo Federal Reserve.

Para tal cenário, a asset destaca as sinalizações recentes do Banco do Povo da China, o PBoC, para intensificar o apoio à economia real, apresentando discurso mais suave em torno do setor imobiliário. O fundo multimercado macro da Adam registrou retorno positivo de 0,32% em 2021, o menor desde 2016.

Mas há quem tenha reduzido a aposta na alta de juros pelos EUA, como foi o caso da Kapitalo, uma das gestoras mais renomadas do país, em movimento que chama atenção pelo momento de precificação do aperto monetário norte-americano, indo na contramão do raciocínio de outras gestoras.

Já em sua movimentação de portfólio, a casa informa ter zerado a posição comprada no dólar americano, enquanto mantém posição comprada no real. No ano, o Kappa Fin, carro-chefe da casa, reportou rentabilidade positiva de 6,76%.

ERRATA: Diferente do que apontado no texto anterior, a Legacy Capital não aumentou posição em bolsa brasileira, mas sim em inflação implícita no Brasil. O trecho foi alterado no parágrafo 7

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Guilherme Dogo
Imagem: Mover

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