0

Dólar rompe os R$5,45; moeda deve subir mais com eleições, dizem especialistas

mercados

Dólar rompe os R$5,45; moeda deve subir mais com eleições, dizem especialistas

O dólar americano registra forte alta nos últimos dias e rompeu hoje os R$5,45; com a chegada da corrida eleitoral, a moeda pode subir mais

Dólar rompe os R$5,45; moeda deve subir mais com eleições, dizem especialistas
beatriz-cantadori

Atualizado há cerca de 1 mês

Ícone de compartilhamento

São Paulo, 6 de julho – O período eleitoral está se aproximando e isso começa aos poucos a fazer preço no mercado e a interferir no câmbio, com expectativas de que o dólar americano siga em alta até as eleições, segundo especialistas.

O contrato de dólar futuro negociado na B3 fechou em alta de 0,64% nesta quarta-feira, a R$5,463, no maior patamar em seis meses.

Desde terça-feira, a moeda registra forte alta no exterior, com o índice Dólar DXY – que mede a valorização do dólar ante uma cesta de moedas pares – alcançando a máxima dos últimos 20 anos, enquanto investidores temem por uma recessão econômica global e buscam proteção.

Mas mesmo antes desses temores, o real já vinha sofrendo desvalorizações frente ao dólar, muito por conta dos riscos fiscais e eleitorais no Brasil. Com as eleições chegando, “já é possível observar algumas ações do governo para gerar liquidez, colocar recursos em movimentação e tudo isso é um sinal de aperto fiscal”, afirma o head de câmbio e sócio da Ethimos Investimentos, Lucas Brigato.

Segundo o especialista, os riscos fiscais existem tanto com a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atual representante da esquerda nas eleições, quanto do atual presidente, Jair Bolsonaro, que representa a direita; ambos lideram as pesquisas eleitorais para o Palácio do Planalto.

O analista de Small Caps do TC, Max Bohm, concorda que a aproximação das eleições aumentará a pressão sobre o real. Em conversa com apresentadores da TC Rádio na terça-feira, ele disse que enxerga o dólar rompendo os R$5,50 em breve.

José Faria Júnior, sócio da Wagner Investimentos, por outro lado, percebe uma desvalorização atípica do real observada nos últimos meses. “Hoje temos um diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos em 8% ou 9%, e a Selic deve permanecer em patamar elevado pelo menos até o primeiro semestre de 2023, em torno de 13,5% a 13,75%, além de inflação esperada de 7% e expectativa de juro real brasileiro rondando os 6%. Eu nunca vi o dólar subir nesse cenário”.

O analista acredita que o dólar termine o ano mais fraco, em torno de R$5, mas ressaltou que isso depende de alguns fatores, como dados de contenção da inflação americana, o resultado das eleições brasileiras e o nome de quem assumirá o cargo de Ministro da Fazenda.

Brigato não é tão otimista, mas também enxerga o dólar em um patamar menor no fim do ano, entre R$5,10 e R$5,20, quando o mercado já vai ter precificado o vencedor da eleição para a Presidência da República, o que fará com que os preços se estabilizem.

Oscilações do dólar em 2022

Desde o fim do ano passado, o dólar sofre sucessivas quedas, o que pode ser explicado, em parte, pela diminuição do risco fiscal no Brasil, segundo Faria Júnior, após a aprovação da PEC dos Precatórios.

Outros dois motivos citados pelo sócio da Wagner Investimentos para a valorização do real frente ao dólar são o fim da posição elevada de proteção dos bancos, com o Banco Central aumentando a rolagem de swaps, e o período de envio de remessas de lucros e dividendos, que também sempre pressiona a moeda americana.

Além disso, o ciclo de alta dos juros básicos no Brasil em andamento antes do início da mesma tendência nos Estados Unidos atraiu investidores estrangeiros, de acordo com Faria Júnior, aumentando o fluxo de entrada de dólar no país e derrubando a cotação da moeda americana.

Já no primeiro trimestre deste ano, o principal fator que derrubou o preço do dólar, segundo Brigato, foi a guerra na Ucrânia.

O conflito no Leste Europeu desequilibrou a distribuição de recursos ao redor do mundo, e muitos investidores estrangeiros acabaram vindo para o Brasil, já que a alocação de recursos para o mercado emergente estava restrita, considerando que a Rússia era protagonista da guerra e a China se envolveu no conflito, segundo o especialista.

Além disso, a guerra provocou uma alta brusca nos preços de commodities energéticas, metálicas e agrícolas, o que também atraiu os “gringos”, já que o Brasil é grande exportador de matérias-primas.

No segundo trimestre de 2022, por outro lado, o cenário observado é diferente. “Há uma facilidade de oscilação maior no câmbio, em virtude do alto fluxo de entrada e saída no Brasil, já que os investimentos colocados no país não são estruturais, e sim especulativos”, avalia Brigato.

Oscilações no dólar

A alta dos juros pelo Federal Reserve em março, a primeira desde 2018, tornou os títulos do Tesouro americano novamente atrativos. Ao mesmo tempo, dados de inflação nos Estados Unidos, em seus maiores níveis em 40 anos, fizeram com que os estrangeiros corressem para ativos de proteção, e o dólar é um deles.

José Faria explica que o medo de o Fed apertar mais o juro e os temores de uma recessão global contribuem para uma subida forte da moeda americana, além do cenário fiscal brasileiro.

Impacto na economia

A saída do dólar do país em função do risco fiscal encarece o real. Esse cenário favorece as empresas exportadoras, que acabam optando por elevar ainda mais suas vendas para o exterior, diminuindo a oferta interna, com potencial aumento da inflação, segundo Brigato.

Ainda de acordo com o especialista, a percepção dos impactos das oscilações do dólar na economia real vai levar alguns meses e estará presente no segundo semestre. Já as variações nos juros brasileiros que ocorreram nos primeiros seis meses do ano devem ser sentidas daqui nove meses, prevê.

Texto: Beatriz Lauerti
Edição: Stéfanie Rigamonti e Renato Carvalho
Arte: Vinícius Martins/ Mover
Comentários: [email protected]

relatorios
image

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.