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Demanda sólida garantiria oferta da Eletrobras no início de junho, dizem fontes

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Demanda sólida garantiria oferta da Eletrobras no início de junho, dizem fontes

A Eletrobras está avançando na revisão dos documentos que precisam ser protocolados junto à CVM e à SEC, nos Estados Unidos, disse uma fonte

Demanda sólida garantiria oferta da Eletrobras no início de junho, dizem fontes
tcuser

Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo/Washington, 19 de junho – Alguns dos principais bancos que coordenam a oferta de ações para privatizar a Eletrobras concordam com o governo que é viável executar a operação até a segunda semana de junho, em parte pelo crescente interesse de grandes investidores nacionais e internacionais, disseram ao Scoop by Mover cinco fontes com conhecimento direto da transação.

Segundo uma das fontes, que pediu anonimato para falar livremente sobre o processo, a Eletrobras está avançando na revisão dos documentos que precisam ser protocolados junto à Comissão de Valores Mobiliários e à SEC, órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos. A realização da oferta pode ocorrer em 15 dias após a publicação do chamado prospecto da operação, que está praticamente pronto, disse uma outra fonte.

Para que a oferta seja precificada em 9 de junho, como é o desejo do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, o prospecto precisaria ser divulgado até 26 de maio, de acordo com três fontes. Nenhuma das fontes deu uma data específica, mas uma delas disse que o cronograma hoje previsto para a desestatização “é curto, porém exequível”, na medida que não surjam imprevistos, como decisões judiciais que suspendam o andamento do processo.

Duas das fontes disseram que há perto de uma dúzia de fundos, pouco mais da metade deles nacionais e o restante internacionais, que expressaram desejo firme de participar do processo. Essas mesmas fontes estimam que a demanda firme desses investidores seria suficiente para cobrir o montante de ações da Eletrobras ofertado.

A pressa em concluir o negócio em junho se explica pela necessidade de reduzir os riscos de não haver compradores suficientes para as ações, uma vez que se espera menos liquidez nos mercados a partir de julho, devido às férias no Hemisfério Norte e à aproximação da eleição presidencial no Brasil. A transação pode ajudar a ressuscitar o mercado doméstico de ofertas de ações, que está praticamente paralisado neste ano diante da maior volatilidade financeira e a crescente incerteza econômica e geopolítica.

Os coordenadores líderes da oferta da Eletrobras são BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America, Goldman Sachs e XP Investimentos, com apoio de Bradesco BBI, Caixa, Citigroup, Credit Suisse, JP Morgan, Morgan Stanley e Safra. Procurada, a Eletrobras não comentou as informações. BTG Pactual, Itaú, Bank of America, Goldman e XP ainda não responderam aos pedidos de comentário.

Decisão do TCU

O Tribunal de Contas da União aprovou a continuidade do processo de privatização da Eletrobras na quarta, 18, por sete votos a um. Havia preocupação no governo e na companhia quanto à possibilidade de o TCU determinar mudanças no modelo de desestatização que pudessem atrasar a transação, mas esse cenário não se concretizou, segundo as fontes.

O TCU divulgou no início da tarde de hoje o texto do acórdão sobre a privatização da Eletrobras, que condensa a decisão da quarta-feira.

“As determinações do TCU foram, no meu ver, muito mais benignas do que esperávamos, já que a empresa e os assessores poderão abordá-las até o final da oferta e não no início”, disse uma das fontes.

Entre elas, o TCU pediu algumas mudanças nas premissas utilizadas para avaliar o valor da empresa, bem como a divulgação de estudos sobre os impactos tarifários do negócio. Outra fonte chamou as determinações de “simples” de serem atendidas.

Com isso, o avanço da privatização da Eletrobras depende dos ajustes nos documentos sobre a oferta, das tarefas atribuídas ao sindicato de bancos que apoiará a operação e da realização de reuniões com potenciais investidores, programadas para durarem duas semanas, disseram três das fontes. Essas reuniões, conhecidas como roadshows em inglês, podem começar no final da semana que vem ou no início de junho, disse uma das fontes.

Oferta de ações da Eletrobras

A privatização será efetivada por meio de uma bilionária oferta de novas ações da companhia que diluirá a participação da União e entidades estatais na companhia para uma posição minoritária.

A operação deve movimentar mais de R$25 bilhões, reduzindo a fatia estatal na companhia a máximo de 45% das ações com direito a voto, de quase 70% atualmente. Para que o governo alcance esse objetivo, o formato da operação será definido com base nas cotações dos papéis da Eletrobras nos 15 dias anteriores.

Se as ações forem negociadas por cerca de R$40, a operação envolveria a emissão de R$24,4 bilhões em novos papéis e a venda em oferta secundária de R$3,1 bilhões em ações da União na companhia, segundo projeções divulgadas em janeiro pela Genial Investimentos, que assessora a desestatização.

Em um cenário de ações da Eletrobras a R$50, a operação movimentaria mais de R$30 bilhões, com uma oferta secundária maior, de R$6,7 bilhões. Se os papéis da Eletrobras atingirem R$55, a venda de ações pelo governo poderia envolver R$8,4 bilhões, levando a transação a totalizar quase R$33 bilhões, ainda segundo as estimativas da Genial.

*Esta reportagem foi publicada primeiro mais cedo, às 15h56,  exclusivamente aos assinantes. Quer conferir notícias e furos em primeira mão? Assine um dos planos do TC.

Texto: Luciano Costa e Leonardo Goy
Colaboração: Machado da Costa
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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