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Crédito privado ganha espaço na carteira de investidores institucionais

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Crédito privado ganha espaço na carteira de investidores institucionais

Os instrumentos na categoria crédito privado podem ser corporativos ou financeiros, como debêntures, notas promissórias, CDBs ou LCIs e LCAs

Crédito privado ganha espaço na carteira de investidores institucionais
bruna-chieco

Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 29 de junho – Focadas na renda fixa graças à disparada dos juros, as fundações estão olhando para o crédito privado como forma de complementar suas estratégias atuais — que em sua maioria estão muito concentradas em títulos públicos.

Com a taxa básica de juros no maior patamar desde 2016, emissões de dívidas atreladas à Selic acrescidas de um prêmio estão atraindo os fundos de pensão. Como muitos deles já estão saturados de títulos públicos, eles buscam equacionar suas carteiras com maior exposição ao segmento corporativo e financeiro.

Os instrumentos que estão na categoria conhecida como crédito privado podem ser corporativos ou financeiros, e estão em fundos que geralmente investem mais de metade da carteira em papéis como debêntures, notas promissórias ou, do lado financeiro, em Certificados de Depósito Bancário ou Letras Financeiras.

As fundações vinham ampliando seus investimentos em renda variável e exterior no ano passado, mas a elevação dos juros no Brasil e a sinalização de um movimento similar nos Estados Unidos abortou o processo. Desde então elas migraram para a renda fixa, aproveitando os prêmios pagos pelos títulos públicos.

Mas não foram só os títulos conhecidos como NTN-Bs que atraíram os fundos de pensão.

Enquanto o mercado acionário patinava, os recursos que iriam para ativos de maior risco foram para o crédito privado — que passou a atender a necessidade de diversificação das fundações. O patrimônio dos fundos que possuem mandato para investir em crédito privado saiu de R$1,35 trilhão um ano atrás para R$1,65 trilhão em maio, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.

Para a Funpresp-Exe, que cuida de R$5 bilhões em aposentadorias dos servidores públicos federais do Poder Executivo, o crédito privado é o segmento mais promissor para investimentos. Contudo, essa visão depende da manutenção dos atuais níveis do spread de crédito, disse o diretor de investimento do fundo, Gilberto Stanzione.

“As alocações recentes em crédito privado fazem sentido em nossas carteiras, uma vez que seus prazos são curtos e seus prêmios têm se mostrado atrativos em comparação a seus respectivos riscos”, disse Stanzione.

Posição dobrada

No final do ano passado, a Funpresp-Exe selecionou as gestoras dos bancos Daycoval e Santander Brasil, ambas especializadas em crédito privado, para gerir fundos exclusivos. Isso permitiu que a fundação dobrasse sua exposição ao segmento entre abril e maio.

A gestora de recursos com mandatos terceirizados pelos fundos de pensão BNP Paribas Asset Management também notou um aumento da demanda por fundos de crédito privado.

Com R$85 bilhões em ativos sob gestão, a BNP foi selecionada em cinco processos seletivos para gerir fundos de crédito privado neste ano — e está participando de pelo menos mais quatro.

Com isso, 15% de seus recursos sob gestão estão em estratégias de crédito privado, disse o diretor comercial de marketing e digital, Aquiles Mosca, frisando que há dois anos esse percentual era de 9%.

“O crédito privado vem complementando os investimentos das fundações em Notas do Tesouro Nacional da série B”, ou NTN-Bs, “que possuem rendimento atrelado à inflação”, disse ele.

Para Mosca, o apetite por essas estratégias deve aumentar ainda mais no segundo semestre, também impulsionado pela necessidade de financiamento das empresas, que não estão recorrendo à abertura de capital na bolsa para captar recursos.

“O número de listagens e ofertas de ações caiu muito, então as empresas têm naturalmente recorrido ao mercado de crédito privado para financiar suas operações”, afirmou Mosca.

Texto: Bruna Chieco
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

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