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Corleta: OPEP+ pode alterar plano de produção em caso de ‘torneira aberta' de reservas estratégicas

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Corleta: OPEP+ pode alterar plano de produção em caso de ‘torneira aberta' de reservas estratégicas

Um delegado da OPEP+ teria afirmado que a organização pode reagir a uma eventual derrubada de preços, reduzindo o ritmo de alta de produção

Corleta: OPEP+ pode alterar plano de produção em caso de ‘torneira aberta' de reservas estratégicas
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Atualizado há 9 meses

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São Paulo, 22 de novembro – A Organização dos Países Exportadores de Petróleo poderá combater o aumento de oferta da commodity, alterando seu plano de aumento de produção, caso os países da Organização para Coordenação e Desenvolvimento Econômico decidam reduzir as reservas estratégicas de petróleo bruto em um esforço de combate à inflação, disse um delegado da OPEP+, segundo agências internacionais.

Na última semana, fontes relataram à Reuters que o presidente americano, Joe Biden, planeja uma redução coordenada dos estoques de petróleo junto a outros países da OCDE, como Japão e China. O movimento poderia aumentar a oferta de petróleo no mercado, a fim de derrubar os preços. Desde então, o barril do petróleo Brent já caiu cerca de 5%, recuando de cerca de US$83,00 para a casa dos US$79,00, também na esteira do aumento de casos de coronavírus na Europa

Em geral, casas de análise veem um aperto da relação entre oferta e demanda de petróleo, com alguns bancos americanos já projetando o barril do Brent atingindo US$100,00 já no primeiro semestre de 2022. Isso decorre do consumo crescente em meio à retomada econômica do período pós-pandêmico e da oferta limitada, já que nos últimos dez anos os investimentos em ampliação de operações de exploração e produção de petróleo tem recuado na esteira da tendência global de descarbonização das economias.

Com a inflação em alta em praticamente todo o mundo, especialmente nos preços de combustíveis, as cotações atuais e perspectivas de curto prazo estão incomodando líderes mundiais. Na Europa, por exemplo, o índice de preços ao consumidor está em 4,1%, duas vezes a meta do Banco Central Europeu, ao passo que o núcleo do índice – que desconsidera preços de combustíveis e alimentos – está alinhado com os objetivos da autarquia em 2,00%. Nos EUA, a inflação de 6,22% em 12 meses registrada em outubro é a maior desde 1990.

‘Peitadas’

Já na última semana, o presidente Joe Biden teria solicitado a países parceiros dos EUA e membros da OPEP+ que acelerassem o ritmo de elevação da produção. Hoje, a OPEP+ aumenta mensalmente o volume produzido em 400 mil barris por dia. Segundo a reportagem da Reuters, a organização declinou o pedido de Biden e pretende seguir surfando os preços elevados da commodity.

Em resposta à negativa, EUA, China, Japão, Índia e outros países pretendem reduzir suas reservas estratégicas da commodity, aumentando a oferta. Hoje, um delegado da OPEP+ teria afirmado que a organização pode reagir a uma eventual derrubada dos preços nesse cenário, reduzindo o seu ritmo de alta de produção visando a manter elevados os preços, segundo relatos de agências de notícias.

Alguns investidores e especialistas em geopolítica veem o movimento dos líderes árabes da OPEP+ como uma ‘peitada’ aos EUA, ao desafiarem o pedido inicial ‘de bom grado’ de Joe Biden e ao planejarem uma política de neutralização da alternativa proposta por ele.

Entre os interesses envolvidos, além do óbvio benefício dos preços elevados às economias do Oriente Médio, destaca-se o da Rússia, que tem aproveitado o cenário de commodities energéticas em alta para barganhar os preços de gás natural que fornece à Europa ocidental. Além disso, poderia haver uma referência a um conflito milenar, com países árabes de olho nas parcerias comerciais vantajosas que os EUA têm com Israel.

No Brasil

Para os ativos brasileiros, o efeito de uma queda nos preços de petróleo seria ótimo, apesar de a commodity fazer parte da cesta de exportações do país. Haveria impacto positivo na inflação, em um momento em que o IPCA está previsto para fechar este ano em dois dígitos. Além disso, o arrefecimento de ameaças de intervenção na política de preços da Petrobras mais do que compensaria o efeito da balança comercial neste momento.

Além disso, os preços de combustíveis elevados ainda afetam a popularidade do atual governo, o que pode se traduzir em medidas populistas e vazias de responsabilidade fiscal, na tentativa de ganho de aprovação no ano eleitoral. Recentemente, o presidente Bolsonaro anunciou que ofereceria um auxílio estatal a caminhoneiros autônomos de R$400,00.

Hoje mais cedo, Bolsonaro sancionou lei que oferece desconto no gás de cozinha para a população mais pobre, usando recursos de dividendos obtidos pela participação societária da União na petroleira.

A medida é entendida no mercado como muito mais positiva do que uma eventual intervenção na política de preços da estatal, que hoje vende petróleo de acordo com a cotação internacional.

O maior receio é que essas medidas do governo brasileiro não bastem, com o petróleo internacional se mantendo elevado ou subindo ainda mais. Uma alternativa, de redução de carga tributária estadual, não parece ter curso entre governadores e no Senado Federal, por ora.

Texto: Felipe Corleta
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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