0

Rússia fatura mais com petróleo hoje do que no pré-guerra

internacional

Rússia fatura mais com petróleo hoje do que no pré-guerra

Além dos preços elevados, a Rússia tem se beneficiado do aumento de importação do petróleo russo por países como China e Índia

Rússia fatura mais com petróleo hoje do que no pré-guerra
beatriz-cantadori

Atualizado há cerca de 1 mês

Ícone de compartilhamento

São Paulo, 27 de junho – A Rússia ganha mais com a venda de petróleo atualmente do que antes da guerra contra a Ucrânia, devido ao aumento da demanda da China e da Índia pelo produto russo e com o momento de alta nos preços internacionais da commodity.

Segundo a pesquisadora de política externa e identidade russa do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação San Tiago Dantas, Giovana Branco, além da alta dos preços, que torna as vendas do produto mais lucrativas, a demora do Ocidente em impor sanções específicas para o petróleo russo também beneficiaram o país comandado por Vladimir Putin.

Desde o início da invasão à Ucrânia, em fevereiro, a União Europeia e os Estados Unidos têm imposto duras sanções econômicas contra a Rússia, na tentativa de fazer o país recuar e desistir da guerra. Em meio à alta da inflação global, no entanto, houve demora para sancionar o óleo russo, já que a Rússia é o terceiro maior exportador da commodity no mundo.

Em maio, a União Europeia decidiu impor um embargo parcial ao petróleo russo. Além disso, desde o último domingo, líderes do G7, grupo que reúne as sete maiores economias do mundo, estão se reunindo para discutir uma nova rodada de punições, que deve incluir um mecanismo para limitar o preço do petróleo russo globalmente.

Enquanto isso, nações orientais como China e Índia, que não têm interesse em pressionar a Rússia com sanções, aproveitam os descontos oferecidos por petroleiras russas em meio à alta global das commodities energéticas e elevaram suas demandas pelo produto.

Segundo dados divulgados pelo governo chinês na semana passada, as importações de petróleo russo bateram recorde de US$7,47 bilhões em maio e cresceram 80% neste ano. O volume quase dobrou em relação a maio de 2021, o que fez a Rússia desbancar a Arábia Saudita e se tornar a maior fornecedora de petróleo do país asiático.

“Esses países aproveitaram um momento inicial de fragilidade russa, quando os compradores ocidentais passaram a impor sanções. Tanto China quanto Índia são países com altas taxas de crescimento econômico e consequente consumo energético, sempre tendo espaço para a maior compra de combustíveis fósseis”, diz Branco.

Segundo a pesquisadora, as sanções afetam a Rússia e devem fazer a economia do país retrair neste ano, mas não tanto quanto o Ocidente esperava. Ela explicou que os russos já vinham se preparando para momentos de crise há alguns anos, diminuindo a dependência econômica de países ocidentais “pelo menos desde o primeiro conflito com a Ucrânia, entre 2014 e 2015, em torno da península da Crimeia”.

O Ocidente, por outro lado, segue dependente das commodities energéticas vindas da Rússia. “Isso faz com que o governo Putin também consiga afetar os países que impuseram as sanções, provocando crises de abastecimento, por exemplo”.

Por que o petróleo subiu tanto?

Os preços do petróleo começaram a subir com força com a volta do crescimento da economia global, após períodos de baixa produção econômica devido aos isolamentos sanitários por conta da pandemia de Covid-19. Segundo Branco, esse processo demandou um consumo energético acelerado.

“Embora vários países estivessem politicamente mais próximos às ideias do desenvolvimento sustentável e da substituição da matriz energética por fontes renováveis, o mundo continua girando graças ao petróleo, ao carvão e ao gás natural”, afirmou Branco.

A retomada da economia global se somou à invasão da Ucrânia, que pressionou ainda mais os preços do petróleo pela possibilidade de cortes no fornecimento russo e os consequentes riscos de escassez do produto no mercado. No início de março, o barril do petróleo tipo Brent, que serve de referência para os preços de combustíveis no Brasil, atingiu US$139, maior patamar em 13 anos.

“Atualmente, a perspectiva é de que o conflito se mantenha por um período de tempo maior do que o imaginado, mantendo a sensação de instabilidade e falta de previsibilidade no mercado, fatores que influenciam para que os preços do petróleo se mantenham altos”, projetou Branco.

Texto: Beatriz Lauerti
Edição: Stéfanie Rigamonti e Gabriela Guedes
Arte: Vinícius Martins/ Mover
Comentários: [email protected]

relatorios
image

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.