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Reunião do Fed deve ser prelúdio para alta dos juros nos EUA, dizem economistas

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Reunião do Fed deve ser prelúdio para alta dos juros nos EUA, dizem economistas

O mercado não espera nenhuma nova taxa de juros nos EUA com a reunião de hoje, mas a expectativa é recolher pistas sobre os próximos passos

Reunião do Fed deve ser prelúdio para alta dos juros nos EUA, dizem economistas
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Atualizado há 5 meses

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São Paulo, 26 de janeiro – A reunião de hoje do Comitê de Política Aberta do Federal Reserve, Fomc, deve ser o fim do segundo mais longo ciclo de juros estáveis nos EUA, já que em março o banco central americano encerrará o programa de compras de ativos, o chamado “tapering”, e terá caminho livre para a alta das taxas.

O mercado não espera nenhuma nova taxa com a reunião de hoje, mas a expectativa é recolher pistas sobre os próximos passos da autarquia, seja por meio do comunicado oficial ou pela entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell.

Para economistas consultados pela Mover, as dúvidas giram em torno do ritmo da alta de juros nos EUA ao longo do ano e sinalizações para a redução do balanço patrimonial da autarquia monetária, por meio da venda de títulos em carteira, que hoje se encontram próximos de US$9,0 trilhões.

Atualmente, a taxa Fed Funds está no intervalo entre 0,00% e 0,25% ao ano, estável há praticamente dois anos, num movimento de estímulo à economia americana impactada pela pandemia de coronavírus.

“Esta primeira reunião de 2022 deve ser mais de ajuste de discurso, para então preparar o aumento para o próximo encontro”, disse Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimento.

Redução patrimonial

A redução patrimonial é uma dos instrumentos que o Fed tem à disposição para enxugar recursos da economia e que, segundo o economista-chefe da Kilima Asset, Luciano Costa, poderia substituir em parte a necessidade de subir os juros nos EUA para um patamar elevado.

Ao ser questionado recentemente sobre a redução patrimonial, Powell disse que essa discussão não havia começado profundamente e que demoraria “de duas a quatro reuniões” para que fosse tomada alguma decisão. Porém, ele admitiu que a movimentação do Fed desta vez deve ser mais rápida.

Em relatório divulgado no sábado, os economistas do Goldman Sachs projetaram que esse movimento de venda de ativos começará em julho e deve demorar até dois anos e meio, fazendo o balanço do Fed cair para entre US$6,1 trilhões e US$6,6 trilhões.

Queda nos ativos

Além de  falas mais severas de Powell, os preços ativos têm reagido negativamente também à ata da última reunião do Fomc, divulgada em 5 de janeiro, que indicou a percepção dos diretores do banco central americano pelo aumento de juros nos EUA já em março. Desde então, os mercados acionários em Nova York acumularam quedas acentuadas, com o S&P500 ensaiando o pior janeiro da história e o Nasdaq perdendo mais de 11%.

Com as indicações do Fed, 90% dos derivativos da taxa Fed Funds apontam para uma alta de 25 pontos-base em março, enquanto 5% precificam uma alta de 50 pontos, de acordo com dados da Bolsa de Chicago. Mas ainda não há consenso no mercado sobre quantas altas haverá neste ano e em que ritmo.

Franchini, da Monte Bravo, explica que oito altas de 25 pontos é “um cenário muito diferente” de quatro de 50 pontos ou duas de um ponto.

O JPMorgan vê quatro altas de 25 pontos-base, com a meta do Fed Funds entre 1% e 1,25% até o final de 2022. Já a Fitch vê duas elevações de 0,25% em 2022, mas com quatro da mesma magnitude em 2023, terminando o ciclo entre 1,50% e 1,75%.

O Goldman Sachs também projeta quatro altas de 0,25 neste ano sendo essas em março, junho, setembro e dezembro, mas os economistas do banco dizem que o avanço da variante ômicron pode agravar o cenário já ruim dos gargalos de oferta e pressionar o banco central americano a elevar o número de altas ao longo do ciclo.

A decisão dos membros do comitê do Fed será divulgada às 16h desta quarta-feira e o presidente Jerome Powell faz uma entrevista coletiva meia hora depois.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Gustavo Bonato e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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