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Powell fala em acelerar retirada de estímulos e mercados azedam

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Powell fala em acelerar retirada de estímulos e mercados azedam

Os comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, vieram na esteira dos apontamentos sobre as expectativas de persistência inflacionária

Powell fala em acelerar retirada de estímulos e mercados azedam
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Atualizado há 8 meses

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Brasília, 30 de novembro – O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, adiantou nesta terça-feira que o Comitê de Mercado Aberto, o FOMC, deve discutir acelerar o ritmo da redução de estímulos à economia em sua próxima reunião, em dezembro.

Os comentários de Powell, em testemunho ao Comitê Bancário do Senado, vieram na esteira dos apontamentos sobre as expectativas de persistência inflacionária no país até meados de 2022, em linha com uma economia aquecida.

“É apropriado, na minha visão, considerar encerrar a redução de nossas compras de ativos, que anunciamos formalmente na reunião de novembro, talvez alguns meses antes, e espero discutir isso na próxima reunião”, explicou. O FOMC reúne-se nos dias 14 e 15 de dezembro.

Mercados no vermelho com declaração de Powell

Seus comentários contribuíram para uma retração dos mercados acionários na sessão, em meio a receios adicionais com a variante ômicron da Covid-19, ao passo que o dólar reduzia queda contra divisas desenvolvidas.

Perto das 14h30, o Dow Jones recuava 1,71%, o S&P500 perdia 1,68% e o Nasdaq tinha a maior queda, de 1,82%. Enquanto isso, o Índice Vix, considerado o índice do medo, subia 21,0%, caminhando para o maior aumento mensal desde fevereiro de 2020, de acordo com a Bloomberg. Os yields dos Treasuries de dez anos recuavam, a 1,456%.

Redução dos estímulos

No início deste mês, o FOMC confirmou o início da redução do ritmo de recompras, em US$10,0 bilhões para os Treasuries, alcançando montante de US$70,0 bilhões, enquanto o ritmo para os títulos lastreados em hipotecas foi reduzido em US$5,0 bilhões, a US$35,0 bilhões.

Conforme indicado anteriormente, em dezembro, o ritmo das recompras de Tesouro americano deve recuar para US$60,0 bilhões, enquanto o de hipotecas, para US$30,0 bilhões. Dessa forma, originalmente, o Fed projetava encerrar o “tapering” em junho de 2022 sob o atual ritmo.

Powell sobre inflação e ômicron

Em outro ponto de destaque do seu testemunho, Powell afirmou que a inflação não deve mais ser considerada como um fenômeno “transitório”.

O novo posicionamento de Jerome Powell soma-se às declarações de outras autoridades do Federal Reserve, que anteriormente já haviam defendido que a autoridade acelerasse o ritmo de “tapering” em algum momento do ano que vem, o que poderia antecipar uma alta dos juros para combater as pressões inflacionárias nos Estados Unidos.

Discorrendo sobre a ômicron, nova cepa da Covid-19, Powell minimizou seus efeitos. Ele também afirmou não acreditar que a variante apresentará efeitos comparáveis aos presenciados pelas economias globais com a emergência da covid-19, em março de 2020.

Ele reconheceu, por outro lado, que no momento a variante é um risco que não está embutido nas projeções. Powell também disse esperar que as autoridades terão maior conhecimento sobre os desdobramentos da cepa em até dez dias.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Guilherme Dogo e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / Mover

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