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FOMC acelera retirada de estímulos e projeta alta dos juros em 2022

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FOMC acelera retirada de estímulos e projeta alta dos juros em 2022

Além da aceleração da redução de estímulos nos EUA, o FOMC prevê alta nos juros para combater a inflação, não mais vista como transitória

FOMC acelera retirada de estímulos e projeta alta dos juros em 2022
tcuser

Atualizado há 7 meses

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São Paulo, 15 de dezembro – O Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, o FOMC, anunciou nesta quarta-feira que vai acelerar a redução das recompras de títulos do mercado a partir de janeiro, abrindo espaço para uma alta dos juros americanos mais cedo que o projetado. A autarquia americana divulgou projeções indicando que as taxas devem subir mais para combater uma inflação que se mostra mais resistente que o esperado.

No comunicado em que manteve as taxas de juros, chamadas FedFunds, entre 0,00% e 0,25%, na mínima histórica e dentro do consenso do mercado, o FOMC informou que vai dobrar o valor do corte mensal de estímulos ao mercado, dos atuais US$15 bilhões para US$30 bilhões a partir do mês que vem, acelerando assim o fim das recompras para março, três meses antes do prazo definido em novembro, quando o “tapering” foi anunciado.

As decisões são uma resposta dura do comitê comandado por Jerome Powell, presidente do Fed, após o CPI, sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor, registrar em novembro uma inflação de 6,8%, superando a expectativa do mercado e atingindo o maior patamar desde junho de 1982.

A partir do mês que vem, a aceleração no ritmo de redução das recompras, adotada pelo Fed para combater os efeitos econômicos da pandemia da covid-19, será de US$20 bilhões em compras de títulos do Tesouro e US$10 bilhões em títulos lastreados em hipotecas. Para dezembro, o Fed reduziu o ritmo de recompras de Treasuries em US$10 bilhões,a US$60 bilhões mensais, e títulos lastreados em hipotecas em US$5 bilhões, a US$30 bilhões mensais.

Com isso, o Fed ficará livre para começar a subir a taxa de juros no segundo trimestre do ano que vem, e não mais no segundo semestre, como esperava o mercado há um mês.

A mudança já vinha sendo indicada por discursos dos dirigentes do Fed em eventos, em que mostravam preocupação com a resistência das pressões inflacionárias e seus impactos nas expectativas e nas negociações salariais, podendo firmar a inflação acima da meta média perseguida pelo BC no longo prazo, de 2,0%

Apesar disso, o FOMC reforçou, em seu comunicado, a desvinculação entre a conclusão do “tapering”, no ano que vem, e o início da elevação de juros na economia americana. Pontuou que com a inflação acima de 2,0% por algum tempo, espera ser “apropriado” manter os juros no atual patamar até que o mercado de trabalho tenha condições consistentes com o pleno emprego.

Inflação não é mais ‘transitória’

Em ponto de destaque no comunicado, o FOMC deixou de caracterizar a inflação como “transitória”, em linha com declarações anteriores do chair Jerome Powell, categorizando-a como “elevada” e refletindo, em grande parte, os desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia e à reabertura econômica.

Junto com a decisão de juros e a mudança no “tapering”, o Fed divulgou as projeções de seus dirigentes para as principais variáveis econômicas americanas nos próximos anos. A mediana das estimativas apontou para três altas dos juros no ano que vem. Em setembro, a estimativa era de um aumento apenas.

O gráfico chamado “dot-plot” mostra que o número de executivos do Fed que acreditam que os juros devem subir no ano que vem passou de nove para 18 dos 18 consultados. Os que esperam dois aumentos em 2022 cresceu de três para cinco. Os que esperam um aumento apenas passaram de seis para apenas um membro. Já o cenário de ao menos três altas dos juros, que não teve nenhum defensor em setembro, passou a ser visto por doze integrantes.

A aceleração do “tapering” e a previsão de mais altas nos juros reflete a piora das perspectivas dos dirigentes do Fed para a inflação. A projeção dos executivos do Fed para o núcleo do índice de preços do gasto do consumo pessoal, o PCE, referência para os objetivos de inflação do banco central americano, subiu para este ano de 3,7% em setembro para 4,40% em dezembro. Para 2022, a estimativa subiu de 2,3% para 2,7% e, para 2023, de 2,2% para 2,3%.

A urgência no combate à inflação deixará um pouco de lado o outro objetivo do Fed, a retomada do pleno emprego, diante de uma melhora mais modesta nas projeções de desemprego para este ano, que passaram de 4,8% para 4,3% e de 3,8% para 3,5% em 2022. A economia também ficará em segundo plano, como mostra a piora das projeções para o PIB americano, que passaram de +5,9% para +5,5% este ano, +3,8% para +4,0% em 2022 e de +2,5% para +2,2% em 2023.

Após a decisão do Fed, o índice Dólar DXY, que mensura o desempenho da moeda americana contra uma cesta de divisa, avançava 0,20% perto das 16h15. Já os principais índices americanos aceleraram alta após o comunicado da decisão. O mercado acompanha, desde 16h30, pelo horário de Brasília, a coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, sobre a decisão.

Texto: Gabriel Ponte e Angelo Pavini
Edição: Gustavo Bonato
Imagem: Vinícius Martins

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