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Federal Reserve pode elevar juros antes de alcançar pleno emprego, diz Powell

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Federal Reserve pode elevar juros antes de alcançar pleno emprego, diz Powell

O presidente do Federal Reserve ressaltou que não projeta elevar os juros antes de encerrar o processo de redução das compras de ativos

Federal Reserve pode elevar juros antes de alcançar pleno emprego, diz Powell
gabriel-pontes

Atualizado há 6 meses

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São Paulo, 15 de dezembro – O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, que a taxa básica de juros pode subir “pouco depois de março” e, eventualmente, antes da economia atingir a meta de pleno emprego, em resposta a uma inflação “de longe pior que o antecipado”.

Apesar disso, o chefe do banco central dos Estados Unidos ressaltou não projetar elevação dos juros antes de encerrar o processo de redução das compras de ativos, o “tapering”, que caminha para ser finalizado em março de 2022. O Comitê Federal de Mercado Aberto, FOMC, decidiu, nesta quarta-feira, dobrar o valor do corte mensal de estímulos ao mercado, dos atuais US$15 bilhões para US$30 bilhões a partir do mês que vem.

Em outro ponto da entrevista, Powell disse que as condições econômicas atuais justificam a retirada de estímulos monetários. Afirmou, no entanto, que a taxa de participação no mercado de trabalho tem sido “decepcionante”.

Segundo ele, uma participação forte da força de trabalho no mercado americana pode demorar além do normal para ser retomada. A despeito do posicionamento, afirmou entender que os EUA realizam “rápido progresso” em direção ao pleno emprego.

Postura ‘acomodatícia’ do Federal Reserve

Powell afirmou que o Federal Reserve encontra-se sob uma postura monetária “altamente acomodatícia”. Afirmou também não entender que o banco central encontra-se “atrás da curva”. “Encontraremos-nos em posição de elevar os juros como e quando acharmos apropriados”, completou, dizendo que o Fed está bem posicionado para lidar com uma gama de resultados plausíveis.

O presidente do Fed também afirmou que a extensão de tempo entre o fim do “tapering” e a elevação de juros pelo FOMC será discutida nas próximas reuniões.

Em entrevista coletiva, ele também teceu considerações sobre a variante ômicron da covid-19, reconhecer haver uma série de incertezas quanto à nova cepa. Disse, entretanto, que a economia encontra-se “forte demais” para ter de lidar com o “tapering”, mesmo em um cenário com ômicron.

“Dada a força da demanda na economia, é apropriado seguir com o ‘tapering’. A ômicron não tem muito a ver com isso.”

Inflação americana

Em outro ponto, reconheceu que a inflação reportada nos EUA não tem sido a que o Federal Reserve busca em sua meta média, de 2,0%, no longo prazo, sob nova estrutura lançada em 2020. Ele disse, no entanto, projetar alívios nos gargalos de oferta ao longo de 2022.

“A projeção de que a inflação recuará no próximo ano é baseada tanto no alívio dos gargalos de oferta, quando no aumento das taxas de juros”, reconheceu.

Em Wall Street, os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq aceleraram os ganhos ao longo da tarde e terminaram o dia no campo positivo, refletindo a decisão do FOMC e as falas de Powell. Já o índice Dólar DXY, que mensura o desempenho da moeda contra uma cesta de divisas, chegava no início da noite com perda de 0,24%, desfazendo-se dos ganhos observados mais cedo. Os yields dos Treasuries de dois anos operavam em leve alta ao fim do dia, a 0,661%.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Felipe Corleta e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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