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BC dos EUA vê como apropriado acelerar alta de juro, diz ata

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BC dos EUA vê como apropriado acelerar alta de juro, diz ata

O Fed disse julgar "apropriado" que sua política monetária, com a alta do juro, se mova rapidamente em meio a uma inflação recorde nos EUA

BC dos EUA vê como apropriado acelerar alta de juro, diz ata
gabriel-pontes

Atualizado há 3 meses

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Brasília, 6 de abril – O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, divulgou hoje a ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto, sinalizando que a política monetária americana deve se mover mais rapidamente para o nível neutro e indicando redução mensal de até US$95 bilhões em seu balanço, em meio à inflação recorde nos EUA.

Segundo o documento, os membros do FOMC reconhecem que uma postura mais apertada de política monetária poderia ser justificável em meio à maior inflação em 40 anos nos Estados Unidos, a depender de desenvolvimentos econômicos e financeiros no país.

Ainda de acordo com a ata, muitos membros do FOMC queriam uma alta de 50 pontos-base das Fed Funds na última reunião do comitê, em março, para marcar o início da normalização dos juros, mas optaram por subir 25 pontos-base. Apenas o diretor do Fed de St. Louis, James Bullard, votou a favor da elevação de 50 pontos-base no mês passado.

A ata mostrou, ainda, que o ritmo de alta dos juros pode ser acelerado, “particularmente se pressões inflacionárias continuarem elevadas ou se intensificarem”.

Balanço

O Fed informou que deverá reduzir seu balanço patrimonial, atualmente em torno de US$9,0 trilhões, mais rápido do que no período entre 2017 e 2019, quando a carteira de títulos do banco girava em torno de US$4,5 trilhões.

A ata mostrou que os membros do FOMC concordaram com a redução gradual do balanço nos próximos meses, com limite mensal de US$95 bilhões, dos quais US$60 bilhões em Treasuries e US$35 bilhões em títulos hipotecários. Em 2017, a redução chegou a US$50 bilhões por mês, a fim de reverter a política acomodatícia que seguiu a crise financeira de 2008.

Apesar de nenhuma decisão relacionada ao plano de redução do balanço do Fed ter sido tomada, de acordo a ata, as autoridades fizeram “progressos substanciais” no tema, com a possibilidade de iniciá-lo “tão cedo quanto maio”. O FOMC volta a se reunir em 3 e 4 de maio.

Ainda segundo o documento, os participantes também concordaram, em geral, que os limites projetados de redução de Treasuries e de hipotecas devem levar cerca de três meses para serem alcançados. Isso significa que caso a redução do balanço comece em maio, apenas em agosto o Fed poderia atingir os limites sugeridos.

“O Fed reforçou que teremos um período de importante enxugamento de liquidez nos mercados” afirmou a contribuidora do TC, Fernanda Pereira.

Inflação

Ainda segundo a ata, os membros do FOMC destacaram a necessidade de seguirem atentos aos riscos de pressão de alta sobre a inflação nos EUA e as expectativas de preços de longo prazo.

O Índice de Preços ao Consumidor, CPI, acumulou alta de 7,9% em 12 meses até fevereiro, bem acima da meta média perseguida pelo Fed, de 2,0%.

O FOMC também notou que os riscos relativos à guerra na Ucrânia são maiores para a inflação do que para a atividade econômica dos EUA. Eles revelam preocupações, ainda, com o cenário de aperto geral das condições financeiras globais e da alta prolongada nos preços de energia.

Apesar do tom duro da ata, investidores anteciparam seus movimentos ontem, após declarações de dirigentes do Fed, segundo operadores da mesa de renda variável da XP Investimentos. As bolsas reduziram perdas após a publicação do documento, com o S&P500 fechando em queda de 0,97%.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Gabriela Guedes, Stéfanie Rigamonti e Letícia Matsuura
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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