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Elon Musk toma controle do Twitter em cruzada por ‘liberdade de expressão’

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Elon Musk toma controle do Twitter em cruzada por ‘liberdade de expressão’

A proposta de Elon Musk de US$54,20 por ação do Twitter representa um prêmio de 38% sobre a cotação do papel em 1 de abril

Elon Musk toma controle do Twitter em cruzada por ‘liberdade de expressão’
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Atualizado há 2 meses

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São Paulo, 25 de abril – Elon Musk, o homem mais rico do mundo, tomou controle da rede social Twitter hoje em um negócio de quase US$44 bilhões, com a promessa de resolver os problemas de liberdade de expressão e de conflitos de interesse que, segundo ele, afligem a plataforma há anos.

O fechamento da negociação, que demorou pouco mais de 11 dias para ser anunciada formalmente pela empresa, pode dar o pontapé inicial para revolucionar a indústria das redes sociais – marcada nos últimos anos por uma alta dependência nas receitas de publicidade, a dificuldade de moderação de conteúdo e disputas geopolíticas.

Com a sua proposta aceita, Musk deve mudar a forma como a Twitter concebe seu negócio, se relaciona com seus usuários e obtém sua receita. Essas mudanças podem ser transformadoras tanto para a empresa, quanto para outras redes sociais, disseram analistas e gestores.

“O homem mais rico do mundo está pagando um prêmio para comprar uma empresa de rede social. Isso pode significar que essas companhias estão negociando a múltiplos baixos, abaixo do seu valor real”, avalia Guilherme Zanin, analista da Avenue Securities.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o conselho da Twitter disse ter aceitado a proposta de Musk de US$54,20 por ação. A proposta de Elon Musk, que já tinha alertado a conselheiros e investidores da Twitter que era “única e imutável”, representa um prêmio de 38% sobre a cotação do papel em 1 de abril, um dia antes que Musk que divulgasse uma fatia de 9,2% na empresa.

O presidente do conselho da Twitter, Bret Taylor, disse na nota que o colegiado “conduziu um processo cuidadoso e abrangente para avaliar a proposta com foco deliberado em valor, certeza e financiamento”, concluindo que o plano traçado por Musk “é o melhor caminho para os acionistas da Twitter”.

Na mesma nota, Musk disse que a “liberdade de expressão é a base de uma democracia em funcionamento, e a Twitter é a praça da cidade digital onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade”.

A ação subia 5,52%, cotada a US$51,63 na New York Stock Exchange por volta das 15h52, horário de Brasília, quando a negociação foi suspensa para a divulgação de fato relevante. Na sua volta, perto das 16h20, disparou mais de 6%.

Com a proposta aprovada e endereçada pelo conselho, Musk e seus eventuais sócios na empreitada deverão passar a deter 100% da companhia por meio de uma oferta pública de aquisição, OPA, que deslistará os papéis da NYSE. Elon Musk começou a investir na Twitter via compra de ações em janeiro.

Musk informou em documento enviado à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários americana, na semana passada, que tinha US$46,5 bilhões assegurados para a aquisição da Twitter – destes, US$25,5 bilhões seriam oriundos de financiamentos de um consórcio de bancos liderado pelo Morgan Stanley e US$21 bilhões do seu próprio bolso.

Inquietações

O plano de Musk para a empresa criada por Jack Dorsey tem gerado grandes inquietações.

Com mais de 80 milhões de seguidores, Musk é um usuário voraz e crítico feroz do app da Twitter, que gosta de ser chamado de “absolutista da liberdade de expressão” e que defende que a plataforma abrigue toda gama de opiniões.

Inicialmente, a proposta de Elon Musk não agradou de imediato os acionistas da Twitter, incluindo o dono da segunda maior posição na empresa, o gestor saudita Alwaleed bin Talal, da Kingdom Holding. Na ocasião, Bin Talal disse que a oferta do bilionário não chegava “nem perto do valor intrínseco” da companhia.

Agências de notícias relataram que a Twitter chegou a propostas de outros grupos, como a Thoma Bravo, mas não houve concorrência capaz de vencer a proposta do homem mais rico do mundo, avalia José Augusto Albino, sócio da Catarina Capital.

“Tudo indica que a Twitter não conseguiu outro potencial comprador, então acabou ficando sem alternativas”, diz.

Ameaças

Albino afirma ainda que as recentes “ameaças veladas” de Musk considerando uma provável aquisição hostil da empresa também pesaram na decisão do conselho da companhia de aceitar a proposta.

Quando apresentou sua proposta, Musk disse que buscava “desbloquear o potencial” que a Twitter tem de ser uma “plataforma global de liberdade de expressão”.

“Desde que fiz meu investimento, percebi que a empresa nunca atingirá esse papel social em seu formato atual. A Twitter precisa ser transformada em uma empresa privada”, afirmou ele em carta endereçada a Taylor.

As críticas de Elon Musk à companhia têm como pano de fundo as medidas da plataforma contra alguns grupos e usuários acusados de promoverem notícias falsas, dentre eles o ex-presidente americano Donald Trump, banido da rede social em definitivo desde janeiro de 2021.

“Também quero tornar o app da Twitter melhor do que nunca, aprimorando o produto com novos recursos, tornando os algoritmos de código aberto para aumentar a confiança, derrotando os bots de spam e autenticando todos os humanos” disse Musk na nota emitida pela empresa hoje.

‘Tremendo potencial’

O app da Twitter ”tem um tremendo potencial – estou ansioso para trabalhar com a empresa e a comunidade de usuários para liberá-lo”, apontou.

Para Zanin, da Avenue, além de um provável retorno de Trump e outros usuários, a aquisição da Twitter por Musk “evidencia a importância das redes sociais como meios de comunicação para dar voz a grandes celebridades e pessoas que podem mover multidões”.

Enquanto o Nasdaq 100, índice que abriga as principais empresas de tecnologia dos EUA, acumula queda de 17% desde o início do ano, o papel da Twitter avança 19%, acumulando valorização de 44% sobre o índice em 2022.

A Twitter deve dar mais detalhes sobre o negócio na teleconferência de resultados do primeiro trimestre, marcada para as 09h00 desta quinta-feira, no horário de Brasília.

Goldman Sachs, JPMorgan e Allen & Co atuaram como assessores financeiros da Twitter, enquanto Morgan Stanley atuou como o principal consultor financeiro de Musk, em conjunto com Bank of America Securities e Barclays.

Texto: Gustavo Boldrini
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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