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Depois da Evergrande, outra incorporadora chinesa avisa que não pagará dívidas

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Depois da Evergrande, outra incorporadora chinesa avisa que não pagará dívidas

Sediada em Shenzhen, a Kaisa Group possui um total de dívidas que chega a 12,7 bilhões de yuans, o que equivale a US$2 bilhões

Depois da Evergrande, outra incorporadora chinesa avisa que não pagará dívidas
stefanie-rigamonti

Atualizado há 9 meses

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São Paulo, 5 de novembro – Após a tensão global suscitada pela crise financeira enfrentada pela Evergrande Group, outra incorporadora chinesa anuncia, quase dois meses depois, que não cumprirá com parte de suas dívidas: a Kaisa Group. Diante dessa nova onda de incertezas com relação ao mercado imobiliário, as bolsas da China fecharam em baixa nesta sexta-feira. Xangai perdeu 1,00% e Hong Kong fechou em queda de 1,41%, após suspender ações da empresa imobiliária por não honrar pagamentos devidos.

Sediada em Shenzhen, a Kaisa Group possui um total de dívidas que chega a 12,7 bilhões de yuans, o que equivale a US$2,0 bilhões, em produtos de gestão de fortunas. Apesar de ser um número bem inferior aos US$313,0 bilhões em passivos que a Evergrande, sediada na mesma cidade, possuía em meados de setembro, o anúncio acende um novo alerta.

A Kaisa encerrou o pregão em Hong Kong com queda de mais de 15%, sendo esse o menor desempenho da história da companhia. No ano, os papéis da incorporadora acumulam baixa de 70%.

Conforme comunicado divulgado na última quinta-feira, a Kaisa informou que a desaceleração do setor imobiliário, somada ao rebaixamento na classificação de risco por agências internacionais, levou a uma “pressão sem precedentes” sobre a empresa.

Agora, os investidores aguardam pelos próximos pagamentos da Evergrande Group. De acordo com o The Wall Street Journal, a incorporadora cresceu mais de US$50,0 milhões no mês passado após a empresa vender dois jatos privados a investidores americanos de aeronaves. O negócio foi fechado em outubro, quando a companhia fez dois pagamentos um pouco antes do período de carência expirar.

Ainda de acordo com o WSJ, a Evergrande recentemente adquiriu ao menos quatro aviões e tem mais um encomendado. A publicação ainda lembra que o fundador e presidente da incorporadora, Hui Ka Yan, se exibia em jatos particulares luxuosos durante o apogeu da empresa, e que essa era uma prática comum entre seus pares de grandes conglomerados chineses.

Evergrande

A crise da Evegrande Group explodiu em setembro, durante uma semana chave para os juros globais. Empresa imobiliária mais endividada do mundo à época, a Evergrande é um titã: além de ser a segunda maior incorporadora imobiliária da China, a empresa registrou vendas de US$110 bilhões no ano passado. Hoje, tem US$355 bilhões em ativos em mais de 1.300 empreendimentos.

Parte das dívidas da Evergrande diz respeito a investidores nos mercados de títulos, a bancos e fornecedores, assim como a famílias que compraram apartamentos inacabados. A companhia tem 800 prédios residenciais inacabados em toda a China. Segundo o jornal The New York Times, há cerca de 1,2 milhão de pessoas sem saber quando ou se poderão se mudar para suas casas.

Por tudo isso, a crise da Evergrande teria o potencial de se tornar o primeiro caso de estouro da bolha imobiliária chinesa com reverberações globais, e o fato de outra incorporadora na China avisar que não vai pagar parte de suas dívidas desperta de novo esse tipo de temor entre os investidores.

Texto: Stéfanie Rigamonti
Edição: Guilherme Dogo
Arte: Vinicius Martins / Mover

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