0

Colômbia elege Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país

internacional

Colômbia elege Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país

Senador de 62 anos que foi membro do grupo insurgente M-19 entre 1970 e 1980 na Colômbia, Petro obteve mais de 50% dos votos no 2º turno

Colômbia elege Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país
tcuser

Atualizado há 17 dias

Ícone de compartilhamento

São Paulo, 19 de junho – Gustavo Petro, ex-líder de um grupo guerrilheiro que lutou por décadas contra o Estado da Colômbia, foi eleito neste domingo o primeiro presidente de esquerda do país, graças a uma plataforma de maior gasto público e agressivo combate à desigualdade.

Petro, senador de 62 anos que foi membro do grupo insurgente M-19 nas décadas de 1970 e 1980, obteve mais de 11,2 milhões de votos, ou 50,2% do total, no segundo turno da eleição na Colômbia, que finalizou na tarde deste domingo. Ele derrotou Rodolfo Hernández, um empresário do setor imobiliário de 77 anos que obteve 10,5 milhões de votos, ou 47,2%.

Mais de 96% dos votos tinham sido apurados até as 21h, horário de Brasília, com abstenção acima de 42%. A companheira de chapa de Petro é Francia Márquez, uma ativista ambiental que se tornará a primeira afro-descendente a ocupar um alto cargo eletivo no Poder Executivo.

A vitória de Petro se dá em um momento de virada política à esquerda na América Latina, com a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil liderando as pesquisas de opinião para a eleição de outubro.

Com a inflação e o desemprego assolando a Colômbia, a produção ilegal de cocaína aumentando constantemente e a violência política voltando, o novo governo chega ao poder em uma onda de ressentimento e alta polarização.

“Hoje o povo está de festa. Hoje é o dia em que o povo festeja a primeira vitória popular numa eleição. Que tantos sofrimentos sejam engolidos pela alegria que hoje inunda o coração da nossa pátria”, disse Petro em suas redes sociais.

Sua vitória também lança dúvidas sobre o futuro da parceria comercial, estratégica e militar da Colômbia com os Estados Unidos – a mais forte e longeva na América Latina, disse o analista político Kevin Ivers, do DCI Group, em Washington.

Agitação

A agitação social sob o comando do presidente saliente, Ivan Duque, do partido de direita Centro Democrático, alimentou a ascensão de Petro nas pesquisas ao longo do ano passado – refletindo o desejo do eleitorado por uma mudança na Colômbia.

Nem seu passado como guerrilheiro ou sua plataforma econômica populista dissuadiram os eleitores, apesar da diferença pequena com Hernández.

No entanto, um embate entre Petro e o Congresso e Corte Constitucional é altamente esperado, por conta do tom das propostas polêmicas do presidente-eleito em relação à economia, à extração mineral e de petróleo e às contas públicas.

Entre as propostas mais discutidas está a de reduzir o extrativismo e a dependência do petróleo e do carvão. Petro e Márquez querem proibir a exploração de jazidas não convencionais e as licenças para a exploração de hidrocarbonetos, e suspender os projetos de fracking e de jazidas offshore. Mais de 40% das receitas fiscais da Colômbia vêm do petróleo.

Petro propõe uma reforma tributária que faça obrigatório declarar e pagar dividendos, e impor alíquotas extraordinárias sobre as 4 mil maiores fortunas da Colômbia.

A meta dele é que o gasto público aumente cerca de 5,5 pontos do PIB por ano através da maior arrecadação ou do desmantelamento de benefícios fiscais.

‘Populista e ansioso’

“O próximo governo em Bogotá será populista e ansioso para mover a Colômbia em uma direção política nitidamente diferente“ à atual, de acordo com Ivers.

Tanto Ivers quanto outros analistas regionais pontuam que a retórica de Petro pode rejuvenescer, ou até radicalizar, os programas econômicos de esquerda na região.

Petro e Márquez deverão implementar uma reforma agrária que ataque a desigualdade na posse e uso da terra e que desencoraje os latifúndios. Eles disseram que não pretendem expropriar terras.

Petro quer aumentar a participação política das mulheres para que ocupem 50% de todos os cargos públicos em todos os níveis e poderes, assim como desmilitarizar a vida social, mediante a desobrigação do serviço militar e a admissão da objeção de consciência.

Texto: Hellen Breunig
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Arte: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

relatorios
image

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.