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BC dos EUA sobe juros, inicia ajuste de balanço e sinaliza mais altas

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BC dos EUA sobe juros, inicia ajuste de balanço e sinaliza mais altas

O Federal Reserve elevou os juros dos EUA à faixa de 0,75% e 1,00%, em alta de 50 pontos-base, acima do esperado pelo mercado

BC dos EUA sobe juros, inicia ajuste de balanço e sinaliza mais altas
tcuser

Atualizado há 3 meses

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São Paulo/Brasília, 4 de maio – O Federal Reserve, banco central dos EUA acelerou nesta quarta-feira o ritmo de elevação da taxa-alvo básica de juros americana para o mais agressivo em 22 anos e anunciou o início da redução de seu balanço, indicando condições monetárias mais restritivas na maior economia do mundo a fim de combater a pior onda inflacionária em quatro décadas.

O Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed elevou a chamada taxa Fed Funds em 50 pontos-base, acima dos 25 pontos-base da reunião anterior, mas dentro do esperado pelo mercado, para o intervalo entre 0,75% e 1,00%. O FOMC também decidiu iniciar a redução do seu balanço de US$9 trilhões, que contém títulos públicos e hipotecários de agências, a partir de 1 de junho.

O aumento na taxa de juros sinaliza a maior preocupação do banco central dos EUA com a persistência da alta dos preços ao consumidor. A decisão do comitê foi unânime.

“É importante que Fed tenha consenso em momentos como esse, como foi o caso dessa decisão”, disse à TC Rádio Alex Lima, estrategista-chefe da Guide Investimentos. Para ele, o comunicado do FOMC não trouxe detalhes acerca dos passos futuros de política monetária, o que era aguardado pelos investidores.

A decisão vem em um momento delicado para os mercados nos Estado Unidos: abril foi o pior mês para as bolsas desde março de 2020, época de plena eclosão da pandemia do coronavírus no país. Nesta segunda, o rendimento do título americano de dez anos – usado como referência para os empréstimos de longo prazo na maior economia do mundo – atingiu 3,0% pela primeira vez em três anos.

A guerra na Ucrânia, o surto de Covid-19 na China e a inflação inédita de petróleo e alimentos devem deixar o cenário ainda mais complexo para o Fed e os maiores BCs do mundo. No caso dos EUA, a carestia tem sido rebelde e disseminada – forçando o banco central americano a tornar sua política monetária mais agressiva.

O mercado de ações nos EUA operava em alta após a decisão de juros. Às 15h45, o S&P500 ganhava 0,93%, o Nasdaq 100 avançava 0,75%, enquanto o Dow Jones Industrials operava em alta de 1,03% – refletindo o peso de setores que se beneficiam com uma taxa de juros mais alta. O índice dólar DXY recuava 0,49% e o rendimento do Treasury note de dez anos disparou quase 5 pontos-base, a 3,001% no mesmo horário.

Redução de balanço

O FOMC decidiu iniciar a redução do seu balanço com limite de US$47,5 bilhões por mês. Desses, US$30 bilhões serão em Treasuries e US$17,5 em títulos hipotecários.

O comitê confirmou a indicação feita na ata da reunião anterior, de que a redução será mais rápida que a ocorrida entre 2017 e 2019, e será feita por meio da não renovação, parcial ou total, de títulos que estiverem vencendo.

O comitê também confirmou o teto de redução de US$95 bilhões por mês a ser atingido em três meses. Desse total, US$60 bilhões serão em títulos públicos e US$35 bilhões em títulos hipotecários.

No comunicado da decisão, o FOMC também avaliou que a inflação vem demonstrando maior persistência que o esperado inicialmente por conta dos gargalos nas cadeias de produção, agravados pela guerra na Ucrânia, que está se prolongando além do esperado, e pela nova onda de coronavírus na China.

Os fechamentos na China em decorrência do coronavírus podem exacerbar os problemas de cadeias de produção, avaliou o comitê.

Estagflação

Na conjuntura atual, os BCs estão tendo que lidar cada vez mais com tendências estagflacionárias, incluindo o fechamento de cidades na China e os cortes no fornecimento de gás russo para a Europa. Enquanto o Fed parece estar preparado para acelerar com convicção seu ciclo de alta de juros, outros bancos centrais devem lidar com escolhas de política monetária ainda mais complicadas.

Ontem, o Banco Central de Reserva da Austrália elevou os juros em 25 pontos-base, para 0,35% – a primeira alta em uma década e acima das expectativas do mercado.

Em seu comunicado, o RBA defendeu a necessidade de começar a retirar o apoio monetário extraordinário fornecido durante a pandemia, já que a inflação havia disparado e a economia australiana estava perto do pleno emprego.

O Banco Central do Brasil, no início da noite de hoje, e o Banco da Inglaterra, amanhã de manhã, também divulgam suas decisões de juros e ajustes às suas políticas monetárias.

Texto: Felipe Corleta, Angelo Pavini e Gabriel Ponte
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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