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Banco da Inglaterra volta a subir juros; Banco Europeu mantém taxas em zero

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Banco da Inglaterra volta a subir juros; Banco Europeu mantém taxas em zero

Enquanto o Banco da Inglaterra elevou pela 2ª vez consecutiva os juros, o que não acontecia desde 2004, o BCE segue com discurso dovish

Banco da Inglaterra volta a subir juros; Banco Europeu mantém taxas em zero
guilherme-maradei-dogo

Atualizado há 5 meses

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São Paulo, 3 de fevereiro – O Banco Central da Inglaterra voltou a elevar os juros do país, pela segunda vez consecutiva, reconhecendo que há choques inflacionários mais persistentes, enquanto o Banco Central Europeu decidiu manter as taxas zeradas e persistindo o discurso de que as pressões sobre os preços são fenômenos transitórios.

O Banco Central da Inglaterra elevou os juros do país de 0,25% para 0,5%, em linha com a expectativa do mercado. Dois aumentos seguidos não aconteciam desde 2004 no Reino Unido. Em dezembro, a autoridade já havia elevado as taxas de 0,1% para 0,25%, sendo o primeiro grande banco central a elevar os juros desde a emergência da pandemia.

No comunicado, o BoE reconheceu que a inflação está em patamares acima do previsto e que ainda não atingiu o pico. Para os diretores, o aumento de preços deve chegar ao máximo em abril, a 7,25%, e depois arrefecer. Anteriormente, a previsão era que o pico da inflação seria de 6%. Os focos de preocupação continuam a ser o setor de energia, em meio ao aumento das tensões na Ucrânia, e os problemas na cadeia de suprimentos.

Além da alta de juros, o Banco da Inglaterra informou que deve encerrar o programa de vendas de títulos corporativos até o fim de 2023, enxugando ainda mais a liquidez dos mercados. “Se a economia se desenvolver amplamente de acordo com as projeções, algum aperto mais modesto provavelmente será apropriado”, disse em comunicado.

Banco Europeu

Já na Zona do Euro o cenário é diferente. O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros em zero, a taxa de facilidade permanente em 0,25% e a taxa de depósito em -0,50%, em linha com a expectativa do mercado.

A presidente da autarquia, Christine Lagarde, tem dito que os choques recentes de inflação são temporários, mas a leitura mais recente do índice indicou um acumulado de 5,10% em janeiro na base anual, recorde da série histórica iniciada em 1997.

Com tal inflação, agentes de mercado passaram a precificar duas altas de juros pelo BCE ainda neste ano, mas o comunicado de hoje minimizou essa possibilidade. “O Conselho do BCE espera que as principais taxas de juro se mantenham nos seus níveis atuais ou inferiores até ver a inflação atingir 2% bem antes do fim de seu horizonte de projeção e de forma duradoura”.

As projeções da autarquia indicam para inflação de 3,2% em 2022, acima da meta de 2%, mas desacelerando para 1,8% em 2023 e 2024.

Por outro lado, o BCE confirmou que vai encerrar o programa de recompra de ativos emergencial, o PEPP, no próximo mês, mas reiterou que, caso os choques da pandemia voltem a assolar o continente, o programa pode ser adotado outra vez.

Após as duas decisões de juros, perto das 10h, o índice Euro Stoxx 600 caía 0,50%, enquanto o principal índice da bolsa de Londres recuava 0,25%.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Lucia Boldrini
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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