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Banco central dos EUA vê inflação acelerar planos de alta dos juros

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Banco central dos EUA vê inflação acelerar planos de alta dos juros

Mas a maioria do comitê decisório de juros dos EUA não se comprometeu com um ritmo específico de alta em ata divulgada hoje

Banco central dos EUA vê inflação acelerar planos de alta dos juros
tcuser

Atualizado há 4 meses

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São Paulo/Brasília, 16 de fevereiro – O Federal Reserve, banco central americano, irá decidir sobre o ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos “a cada reunião” do seu comitê decisório, de acordo com as condições econômicas do país, reduzindo expectativas de parte do mercado de que o encontro de março já poderia decretar uma alta de 50 pontos-base na taxa de juros dos EUA.

A ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto, o FOMC, divulgada nesta quarta-feira, revela qual foi a visão dos membros do Fed no final de janeiro, antes da divulgação de dados recentes sobre inflação, emprego e atividade econômica nos EUA, que se mostraram mais acelerados que o esperado no país.

A maioria dos membros do comitê sugeriu um ritmo mais rápido de elevação da Taxa Fed Funds em comparação com o início do aperto promovido em 2015 nos EUA, tendo em vista que atualmente a inflação está mais acelerada e a economia mais forte que em meados da década passada.

O ciclo de aperto monetário iniciado em 2015 foi de 25 pontos-base a cada reunião do comitê.

As autoridades do FOMC concordaram, em janeiro, que o ritmo de alta dos juros dependerá dos dados econômicos e financeiros, a serem analisados a cada reunião do colegiado.

“Os participantes enfatizaram que o ritmo apropriado de política monetária dependeria do desenvolvimento econômico, financeiro, e suas implicações para as perspectivas e o risco em torno do panorama”, mostrou a ata.

A ata reforçou a expectativa de que o Fed começará a subir os juros dos EUA, hoje entre zero e 0,25%, em sua reunião de março, mais ainda deixando em aberto se a alta será de 25 pontos-base ou em um ritmo mais acelerado, de 50 pontos-base.

A divulgação da ata mexeu com as expectativas do mercado. Derivativos listados na CME apontaram que as chances de uma alta de 50 pontos-base na reunião de março caíram de 52,1% antes da ata para 44,3% depois da ata. Já as chances de aumento de 25 pontos-base subiram de 47,9% antes da ata para 55,7% depois da ata.

Os principais índices de ações listadas em Wall Street reduziram perdas após a divulgação da ata. O Ibovespa acelerou alta.

Balanço patrimonial

Alguns membros do FOMC observaram que as condições atuais provavelmente justificam o início de redução “significativa” do balanço patrimonial do banco central, com a venda de ativos ao mercado, em algum momento neste ano, após o início do aumento de juros nos EUA, ponto este já mencionado no comunicado da decisão de janeiro. Atualmente, o balanço patrimonial do Fed gira em torno de US$8,9 trilhões.

A ata também mostrou que vários participantes mencionaram, no encontro, desenvolvimentos com potencial de colocar pressão adicional de alta sobre a inflação. Esses fatores incluem a possibilidade de crescimento dos salários para além da produtividade e a escalada de preços de serviços imobiliários.

No entanto, de forma geral, os participantes do FOMC projetam que os preços recuem ao longo do ano, com um maior equilíbrio entre oferta e demanda, e à medida que o estímulo monetário for removido. Ainda de acordo com eles, caso a inflação não recue conforme esperado, seria apropriado remover os estímulos monetários em um ritmo mais rápido que previsto anteriormente.

Em sua decisão no mês passado, embora não tenha confirmado início em março, o Fed sinalizou que iniciará o projeto de alta de juros “em breve”, em meio a uma inflação bem acima da sua meta média de longo prazo, de 2%.

Logo após a decisão do FOMC em 26 de janeiro, os derivativos apontavam 96,8% de chance de uma alta de 25 pontos-base nos juros dos EUA na reunião de março. A chance de alta de 50 pontos-base encontrava-se em 3,2%.

A reunião de janeiro ocorreu, porém, antes da divulgação dos dados de emprego do Payroll de janeiro, muito acima do esperado, seguidos dos números de inflação ao consumidor, o CPI, e ao produtor, o PPI, também superando as estimativas do mercado, indicando que a pressão inflacionária continua. Dados de vendas no varejo e produção industrial, divulgados hoje, também superaram expectativas.

Declarações

Até a semana passada, autoridades do Fed minimizavam a possibilidade de iniciar o aperto monetário com uma alta de 50 pontos-base. Contudo, na quinta-feira passada, o índice de preços ao consumidor dos EUA reportou um salto de 7,5% em janeiro na comparação anual, na maior alta anual desde fevereiro de 1982, acima do consenso do mercado.

Entrou em cena então o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, membro votante do FOMC, que foi à televisão defender um primeiro aumento dos juros de 50 pontos-base. Bullard também afirmou que gostaria de ver uma alta dos juros de 100 pontos-base até 1º de julho deste ano.

Logo após as declarações da autoridade, os derivativos passaram a apontar 93,8% de chance de uma alta de 50 pontos-base na reunião de março, enquanto as chances de alta de 25 pontos-base foram reduzidas a 6,3%, de acordo com os contratos.

Uma alta de 50 pontos-base em uma reunião do FOMC não ocorre desde maio de 2000, quando o Fed era presidido por Alan Greenspan.

O mais recente ciclo de aperto monetário do Fed começou em dezembro de 2015, quando a autoridade monetária era presidida por Janet Yellen, atual secretária do Tesouro dos EUA, encerrando-se em julho de 2019, com Jerome Powell já como chairman do Fed. Nesse período, os juros foram de 0,25% ao ano para 2,5%.

Texto: Angelo Pavini e Gabriel Ponte
Edição: Gustavo Bonato
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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