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Banco Central dos EUA eleva taxa de juros em 25 pontos-base

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Banco Central dos EUA eleva taxa de juros em 25 pontos-base

O comitê decisório do Federal Reserve, conhecido como FOMC, anunciou alta de 25 pontos-base na taxa básica de juros dos EUA

Banco Central dos EUA eleva taxa de juros em 25 pontos-base
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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 16 de março – O Banco Central dos Estados Unidos começou hoje o processo de normalização de sua política monetária com um ajuste discreto nas taxas de juros dos EUA, indicando que aumentos contínuos são apropriados em sua batalha para combater a maior inflação no país em 40 anos.

O comitê decisório do Federal Reserve, conhecido como FOMC, anunciou alta de 25 pontos-base na taxa dos Fed Funds, para o intervalo entre 0,25% e 0,50%, em linha com as expectativas do mercado. Foi a primeira alta de juros desde dezembro de 2018.

A decisão, entretanto, não foi unânime. James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, votou por uma alta de 50 pontos-base na reunião deste mês.

Os mercados arrefeceram trajetória de alta após a divulgação da decisão. Perto das 15h1o, o S&P500 operava em alta de 0,39%, enquanto o Nasdaq ganhava 0,81%. Já o Dow Jones apagou os ganhos. O índice Dólar DXY arrefecia a queda e os yields do Treasury de dez anos aceleravam alta para 8,2 pontos-base, a 2,24%.

O FOMC também espera que a inflação retorne ao objetivo de 2% ao ano com uma política de aperto adequado.

No comunicado, o Fed avaliou que as consequências da guerra no Leste Europeu entre Rússia e Ucrânia são altamente incertas para a economia norte-americana, embora reconheça a possibilidade de uma pressão adicional sobre a inflação no curto prazo, pesando sobre a atividade econômica.

Ainda de acordo com o FOMC, o conflito entre os dois países “causa enormes dificuldades humanas e econômicas”.

Também no documento, o FOMC destacou que a inflação permanece elevada, refletindo os desequilíbrios entre oferta e demanda decorrentes da pandemia, bem como de preços mais altos de energia, além de pressões mais amplas sobre os preços.

Por outro lado, disse que os indicadores da atividade econômica e de emprego continuaram a se fortalecer, com a taxa de desemprego diminuindo substancialmente na economia americana.

Esses impactos serão monitorados nas próximas seis reuniões deste ano para definir a política monetária apropriada, disse o FOMC, acrescentando que estará pronto para usar todas suas ferramentas para trazer a inflação para a meta no longo prazo.

Dot-Plot

Junto com a decisão de juros, o Fed divulgou as projeções trimestrais de seus dirigentes para as principais variáveis econômicas americanas nos próximos anos. A mediana das estimativas aponta para uma alta mais forte dos juros este ano, terminando 2022 entre 1,75% e 2,0%, ante 0,75% a 1,0% no relatório de dezembro do ano passado.

Tomando essa mediana como base, o FOMC faria elevações constantes de 25 pontos-base nas próximas seis reuniões.

Para 2023, as projeções para os Fed Funds subiram de 1,50% a 1,75% para 2,75% a 3,0%.

No longo prazo, a mediana das estimativas de integrantes do Fed para o juro passou para 2,40% ante 2,50%.

O chamado “dot-plot” mostra que o número de executivos do Fed que acreditam que os juros devem subir mais este ano aumentou e os que trabalham com taxas acima de 1,00% passou de dois para a unanimidade de dezesseis membros.

A retirada total dos estímulos monetários e a previsão de mais altas nos juros refletem a piora das perspectivas dos dirigentes do Fed para a inflação. A projeção dos executivos do Fed para este ano do núcleo do índice de preços do gasto do consumo pessoal, o PCE, referência para o banco central americano, voltou a subir, de 2,7% em dezembro para 4,1%. Para 2023, a estimativa subiu de 2,3% para 2,6% e, para 2024, de 2,1% para 2,3%.

A urgência no combate à inflação deixará um pouco de lado o outro objetivo do Fed, a retomada do pleno emprego. As projeções para a taxa de desemprego para este ano mantiveram-se em 3,5%, assim como também em 2023. A economia também deve pagar o preço do combate à inflação, com as projeções para o crescimento do PIB deste ano em 2,80%, ante 4,0% em dezembro. Para 2023, a estimativa está em 2,2%, ante 2,2% no levantamento anterior, e 2,0% para 2024, ante 2,0% em dezembro.

Balanço patrimonial

O FOMC também projetou o início da redução do seu balanço patrimonial em “um encontro posterior”, embora não tenha especificado quando ocorreria.

A expectativa é de que alguma decisão sobre o ritmo dessa redução seja definida nas próximas reuniões, depois da alta dos juros, e de forma transparente para os mercados.

Rússia x Ucrânia

O presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira que a guerra no Leste Europeu entre Rússia e Ucrânia adicionou pressões inflacionárias, embora as implicações do conflito sejam altamente incertas para a economia norte-americana.

Em coletiva de imprensa após decisão de juros, Powell também destacou que a inflação levará mais tempo para retornar à meta perseguida, de 2,0%, do que inicialmente esperado.

Ele disse, ainda, que a redução do balanço patrimonial da autoridade terá importante papel no aperto da política.

Texto: Gabriel Ponte e Angelo Pavini
Edição: Gustavo Bonato e Letícia Matsuura
Imagem: Mover

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