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Inflação desacelera em abril, mas próximos meses preocupam

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Inflação desacelera em abril, mas próximos meses preocupam

O IPCA desacelerou em abril, apesar do reajuste dos medicamentos, mas continua acima do teto da meta de inflação do Banco Central. Confira!

Inflação desacelera em abril, mas próximos meses preocupam
guilherme-maradei-dogo

Atualizado há cerca de 1 ano

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São Paulo, 11 de maio – Como já era esperado, os reajustes de medicamentos em abril pesaram no Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA. Contudo, o índice, que é considerado a inflação oficial pelo Banco Central, teve desaceleração frente a março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Mesmo com o resultado em linha com as estimativas do mercado em abril, os economistas se preocupam com os próximos meses. Afinal, a adoção da bandeira vermelha na energia elétrica deve elevar a inflação já a partir de maio.

 

Inflação continua acima da meta mesmo com desaceleração

Em abril, o IPCA teve alta de 0,31%, muito próximo ao consenso do TC que apontava um avanço em 0,30%. O resultado 0,62 ponto percentual abaixo da taxa de março. No ano, o IPCA acumula alta de 2,37%.

Nos últimos 12 meses, o acumulado é de 6,76%, bem acima do teto da meta de inflação perseguido pelo Banco Central, de 5,25%. O núcleo da meta é de 3,75%. Outro fator de atenção é que o índice de difusão, segundo o TC Matrix, teve alta entre março e abril, de 62,6% para 65,5%, indicando que a pressão de preços está mais espalhada.

O IPCA acompanha os preços dos principais produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre um e 40 salários-mínimos. Assim, o índice mostra o poder de compra. Ou seja, em abril, os brasileiros não conseguiriam comprar a mesma cesta de produtos e serviços do mês passado com o mesmo valor de março, pois está 0,31% mais cara.

 

Saúde e cuidados pessoais tiveram o maior impacto na inflação

De acordo com o IBGE, oito dos nove grupos pesquisados tiveram alta em março. Mas em abril, cinco deles aceleraram, enquanto quatro tiveram desaceleração dos preços. O maior impacto veio do grupo de saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,19%. O reajuste dos preços dos produtos farmacêuticos, que tiveram alta de 2,69%, pressionaram a inflação brasileira.

Os alimentos também influenciaram no IPCA. O grupo registrou alta de 0,40% no mês, impulsionado pelo aumento de preços das carnes, do leite longa vida e do tomate, que subiram 1,01%, 2,40% e 5,46%, respectivamente. O gerente de pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, disse que “a alta recente das commodities continuam pesando nos alimentos. Principalmente no caso da soja e do milho, o que afeta o consumidor final”.

 

Vilão nos últimos meses, transportes registra deflação em abril

O único grupo que teve deflação foi o de transportes, que caiu 0,08%, influenciado pela queda nos preços dos combustíveis. Após 10 meses consecutivos de inflação, a gasolina recuou 0,44% em abril e o etanol teve queda de 4,93%, segundo o IBGE.

O grupo de habitação, apesar de ter apresentado alta no mês, desacelerou frente a março: 0,22% em abril, ante o avanço de 0,81% em março. O gás de botijão foi o principal responsável por essa desaceleração, tendo alta de 1,15% em abril, mas bem abaixo de março, quando os preços subiram 4,98%.

No geral, a desaceleração do índice em abril resultou do freio na alta dos preços administrados–que subiram 0,38% ante 2,81% em março – e dos serviços, com alta média de preços no mês passado de 0,05% ante 0,12% no mês anterior.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Bárbara Leite e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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