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Inadimplência em março encosta em recorde da pandemia, diz Serasa

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Inadimplência em março encosta em recorde da pandemia, diz Serasa

Cenário econômico atual reflete a alta de inadimplência vista desde dezembro, apontou a gerente da Serasa Limpa Nome, Aline Maciel

Inadimplência em março encosta em recorde da pandemia, diz Serasa
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Atualizado há 3 meses

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São Paulo, 28 de abril – O número de brasileiros inadimplentes chegou a 65,6 milhões em março, perto do maior patamar alcançado em abril de 2020, de 65,9 milhões, durante a pandemia de Covid-19, mostrou o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, elaborado pelo Serasa.

Em meio ao cenário de alta inflação e crédito mais caro pelo aumento de juros, o número de endividados subiu 0,81% na comparação mensal.

“A inadimplência está em alta desde dezembro, refletindo um cenário econômico de grandes dificuldades”, disse a gerente da plataforma Serasa Limpa Nome, Aline Maciel.

Entre os principais vilões da adimplência estão as dívidas com bancos e cartão de crédito, com 28,17%, seguidas das contas básicas, como água, luz e gás, com 23,21%, mostraram os dados do Serasa.

“Em um momento desafiador como este, acreditamos que o conhecimento e a educação são uma das principais alternativas para uma vida financeira mais saudável e para evitar ou até mesmo sair da inadimplência”, explicou Maciel.

Endividamento do brasileiro

Outro levantamento, realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, CNC, apontou que o endividamento brasileiro encerrou o primeiro trimestre na maior proporção em 12 anos.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, Peic, de março também mostrou que o percentual de famílias com dívidas a vencer alcançou 77,5% em março, o maior já apurado. Outros 10,8% dos entrevistados informaram que não terão condições de pagar esses débitos.

As famílias com dívidas ou contas em atraso chegaram a 27,8% em março, na máxima desde janeiro de 2020, quando começaram as medições mensais.

“A inflação alta, persistente e disseminada mantém elevadas as necessidades de crédito para recomposição da renda, fazendo com que as famílias encontrem nos recursos de terceiros uma saída para manter seu nível de consumo”, informou a análise da Peic.

O documento apontou que o aumento da inflação tem deteriorado os orçamentos domésticos e se reflete na piora de indicadores de inadimplência desde o início do ano.

Banco Central

Corroborando os demais relatórios, dados divulgados hoje pelo Banco Central mostraram que a taxa de inadimplência das famílias com recursos livres subiu 0,08 ponto percentual, a 4,71%, entre janeiro e fevereiro.

Entre as causas da alta, estão os juros mais elevados, além da perspectiva de maior aperto monetário por parte da autarquia, que só neste ano subiu a taxa básica de juros, Selic, em 2,5 pontos percentuais, de 9,25% para 11,75% ao ano.

A taxa de desemprego elevada, de 11,2%, nos meses de dezembro de 2021 e janeiro e fevereiro deste ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, foi outro fator apontado como causador do aumento da inadimplência.

“A inflação pesa cada vez mais sobre o bolso dos consumidores e tende a perdurar por um pouco mais de tempo, sobretudo, em função da grande incerteza que cerca a precificação de itens básicos, como alimentos e combustíveis”, disseram economistas da Boa Vista em nota. “Com cada vez menos renda disponível, algumas contas tendem a ficar para trás.”

Texto: Patrícia Vilas Boas
Edição: Letícia Matsuura e Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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