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Petrobras não pode se desviar de preços de mercado, diz presidente da estatal

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Petrobras não pode se desviar de preços de mercado, diz presidente da estatal

O resultado da Petrobras não deve ser atribuído somente aos preços do petróleo, mas também à "gestão responsável", disse José Mauro Coelho

Petrobras não pode se desviar de preços de mercado, diz presidente da estatal
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Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 6 de maio – A Petrobras não vai alterar sua política para os preços de combustíveis, que segue a chamada paridade de importação, alinhada aos preços internacionais do petróleo e câmbio, disse o diretor-presidente da companhia, José Mauro Coelho em sua primeira teleconferência de resultados.

“Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado”, afirmou, defendendo que isso gera riqueza para a companhia, atrai investimentos para o país e garante o suprimento de derivados, por facilitar importações.

A Petrobras registrou lucro de R$44,5 bilhões entre janeiro e março, superando em 41% o mesmo trimestre de 2021. O resultado não deve ser atribuído somente aos preços do petróleo, mas também à “gestão responsável” praticada pela companhia nos últimos anos, acrescentou Coelho, prometendo manter sem alterações iniciativas como o plano de desinvestimentos da estatal, movimentos para venda de algumas refinarias e redução da participação no mercado de gás.

“Na última vez em que os preços do petróleo superaram US$100, tínhamos uma situação e resultados muito diferentes, então tem todo um trabalho de gestão, vai muito além de só observar o cenário externo”, disse o diretor financeiro, Rodrigo Araújo.

O executivo destacou que o custo de extração no Brasil, em dólares, caiu 51% desde 2014, quando o Brent tocava 105 dólares, de 12,93 dólares para 5,22 dólares por barril. O custo de refino caiu 29%, enquanto despesas da empresa com juros foram reduzidas em 65%.

A Petrobras segue interessada em vender sua participação na petroquímica Braskem, onde é sócia da Novonor, mas não está conduzindo nenhuma operação nesse sentido no momento. “Estamos avaliando oportunidades, o melhor momento, para retomar a transação de venda”, disse Araújo.

Refinarias da Petrobras

Na área de refino, a Petrobras conversa com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, CADE, para estabelecer como se dará o relançamento de processos para a venda de refinarias que não atraíram compradores em tentativa anterior de desinvestimento, afirmou Araújo. “Claro que estamos em um ano de bastante volatilidade, esse é um desafio adicional”.

A Petrobras tem visto uma oferta apertada no mercado de diesel, embora a demanda pelo combustível seja atendida não só pela companhia, mas também por diversos outros agentes importadores, disse o diretor de Comercialização, Claudio Mastella. “A gente enxerga com muita cautela o cenário atual, especialmente pelo baixo estoque”, afirmou, embora sem falar em risco de desabastecimento.

As refinarias da Petrobras operaram em abril com 92% da capacidade, atingindo 93% nos primeiros dias de maio. Segundo Mastella, as refinarias estão produzindo na maior disponibilidade possível, consideradas questões de segurança e rentabilidade.

O anúncio pela Petrobras de distribuição de R$48,5 bilhões em dividendos mostra que a companhia está comprometida em maximizar os proventos aos acionistas. “Nosso foco é retornar o máximo possível de valor que a gente gera, e ser uma empresa cada vez mais próxima das ´major´ da nossa indústria no pagamento de dividendos”, disse Araújo.

Texto: Luciano Costa
Edição: Allan Ravagnani e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins / Mover

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