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Fusão Gol-Avianca segue estratégia de aéreas europeias ao manter marcas segredadas

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Fusão Gol-Avianca segue estratégia de aéreas europeias ao manter marcas segredadas

A inspiração da holdring Abra para controlar Gol e Avianca veio da franco-holandesa Air France-KLM e da International Airlines Group

Fusão Gol-Avianca segue estratégia de aéreas europeias ao manter marcas segredadas
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Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 12 de maio – Duas empresas aéreas da América do Sul, Gol e Avianca, querem combinar seus negócios para criar uma controladora no melhor estilo europeu para, assim, manterem-se relevantes em meio à alta nos combustíveis mais intensa em duas décadas e ao temor de uma desaceleração econômica global.

Segundo o plano divulgado em um comunicado na manhã da última quarta-feira, 10, a holding chamada Abra seria dona das colombianas Avianca e Viva Air, da brasileira Gol e de uma fatia minoritária na chilena Sky Airline.

O plano deve permitir que a Abra rivalize com a chilena Latam Airlines Group, atualmente a maior da América Latina e tentando sair de uma recuperação judicial nos Estados Unidos, porém, com uma notável diferença, disseram analistas e gestores consultados pela Mover.

A diferença é que a Abra, diferentemente da Latam, romperia com a estratégia de marca única ao manter, pelo menos por enquanto, as identidades individuais de cada uma das companhias aéreas que está adquirindo. Isso deveria, em teoria, permitir que suas subsidiárias controlem custos juntas, se beneficiem juntas de maiores economias de escala, operem a mesma frota de aeronaves e expandam suas rotas, serviços e programas de fidelidade de forma coordenada.

Segundo um gestor que pediu para não ser identificado, a inspiração da Abra veio da franco-holandesa Air France-KLM e da britânica International Airlines Group – que possuem várias marcas individuais de empresas aéreas, mas se valem de sinergias para se manterem rentáveis, mesmo em momentos de mercado complicados. Já a Latam, a Gol, a Avianca e a Azul, a concorrente mais recente, sempre cresceram na América Latina através de aquisições nas quais buscaram impor o apelo da sua marca principal.

Mas o que deu certo na Europa com a Air France-KLM, a IAG ou a alemã Lufthansa depois de um algum tempo – e do entendimento mais claro por parte do mercado – pode gerar ainda certo receio, se não ceticismo, entre os investidores locais, disseram analistas.

Por exemplo, a Gol não ficou dentro das 25 marcas mais valiosas do país entre 2019 e 2021, segundo a consultoria global Interbrand.

“O que precisaremos analisar mais a fundo é quais sinergias de custos podem fluir da transação, considerando que as companhias aéreas permanecerão independentes”, disse o analista Josh Milberg, que cobre os setores de transporte e logística na América Latina para o banco Morgan Stanley.

O ceticismo em relação à operação pôde ser constatado ontem: as ações preferenciais da Gol (GOLL4) fecharam a sessão de quarta-feira em queda de 1,67%, cotadas a R$12,94. Nos últimos 12 meses, os papéis recuam mais de 48%.

Para vários analistas, a notícia da combinação foi vista como positiva para a dinâmica de um setor fortemente impactado pela eclosão e duração da pandemia do coronavírus e, mais recentemente, pela disparada nos preços dos combustíveis e a volatilidade nas divisas regionais ante o dólar americano.

Para o Bradesco BBI, por exemplo, o acordo proposto é positivo para a Gol, que é quase exclusivamente uma companhia aérea doméstica no Brasil. A combinação também pode criar “oportunidades de sinergia significativas” entre as quatro empresas do grupo.

Para Milberg, no entanto, ao ser colocado capital no nível da holding, a Gol fará parte de um grupo com uma posição financeira fortalecida, “o que deve aliviar quaisquer preocupações em curso sobre seu balanço ou sobre sua capacidade de enfrentar algum tipo de revés que possa surgir à frente”.

Perguntas sem resposta

De qualquer forma, o comunicado das empresas, assim como a entrevista coletiva dos executivos nesta quarta-feira, deixou algumas perguntas sem respostas. Nem mesmo detalhes financeiros da combinação proposta e da criação da Abra foram divulgados.

A primeira incógnita é: as ações da Gol continuarão a ser negociadas em São Paulo e Nova York? A segunda é: qual será o futuro da estratégia de parceria da Abra? Isso porque a Avianca tem laços estreitos com a United Airlines, e a Gol, com a American Airlines – a United detém uma participação de 16,4% na Avianca e a American uma participação de 5,2% na Gol.

Nem Roberto Kriete, maior acionista minoritário da Avianca, nem Constantino de Oliveira Junior, presidente do Conselho de Administração da Gol, comentaram sobre os planos de aliança do grupo.

No comunicado ao mercado ontem, a Gol disse que seus principais acionistas, liderados pela família Constantino, fecharam um acordo com os principais acionistas da Avianca, liderados por Kriete, para formar a Abra, que passará a controlar os ativos das aéreas. A previsão é que o acordo se concretize até o final do segundo semestre. Kriete será o presidente do conselho de administração da Abra e Constantino Junior, diretor-executivo do grupo.

Adrian Neuhauser, atual presidente da Avianca, e Richard Lark, atual diretor financeiro da Gol, serão co-presidentes da holding e deverão manter suas atuais funções nas companhias aéreas – sinal de que elas continuariam agindo de forma independente.

Com suas quatro companhias aéreas, a Abra concentra pouco mais de 20% da capacidade de passageiros na América Latina nos 12 meses encerrados em maio, segundo a Cirium. Já a Latam teve quase 25%.

A Abra teria uma posição de liderança nos importantes mercados do Brasil, Colômbia e Peru, enquanto a Latam domina Chile, Argentina e algumas das rotas mais frequentes de países sul-americanos à Europa.

A Abra operaria uma frota de aeronaves centradas em modelos da Airbus. Avianca, Sky e Viva voam, principalmente, jatos Airbus A320, enquanto a Gol é uma operadora que usa exclusivamente Boeing 737. A Avianca também possui Boeing 787 para rotas mais longas.

Texto: Gustavo Boldrini e Maria Luiza Dourado
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover

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