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Aura Minerals despenca com cancelamento de licenças de minas em Honduras

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Aura Minerals despenca com cancelamento de licenças de minas em Honduras

A Aura Minerals vinha sendo apontada recentemente por alguns analistas como uma empresa interessante para investidores interessados em ouro

Aura Minerals despenca com cancelamento de licenças de minas em Honduras
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Atualizado há 4 meses

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São Paulo, 2 de março – As ações da produtora de ouro e cobre Aura Minerals despencavam na tarde de hoje, após a companhia divulgar declarações do governo de Honduras sobre o cancelamento de licenças para mineração a céu aberto no país.

Os recibos de ações da Aura negociados na B3, BDRs, perdiam 16,00% por volta das 14h30 desta quarta-feira, a R$42,00 por papel. A companhia é listada originalmente na bolsa de Toronto, no Canadá, onde recuava 14,92% no horário.

O governo de Honduras disse que, seguindo o programa de governo da presidente Xiomara Castro, decidiu cancelar a aprovação de licenças para exploração extrativista, declarando ainda “todo território hondurenho livre de mineração a céu aberto”.

Em seu comunicado, de 28 de fevereiro, o ministério de Minas e Energia do país da América Central disse ainda que a “moratória mineral” envolverá ainda “revisão, suspensão e cancelamento de licenças ambientais, permissões e concessões”.

Produção da Aura Minerals

A Aura disse em fato relevante divulgado em 1º de março que tomou conhecimento do comunicado do governo, mas acrescentou que “não espera efeitos imediatos na produção de sua mina de San Andrés”. Procurada, a companhia não quis fazer comentários adicionais sobre o tema.

A Aura produziu 78 mil onças equivalentes no quarto trimestre, sendo 27 mil onças na mina de San Andrés. No terceiro trimestre, a unidade havia produzido 18 mil onças. Com produção total de 269 mil onças em 2021, se considerados todos seus ativos, a Aura projeta no momento atingir entre 260 mil e 290 mil onças em 2022.

“A Aura está trabalhando para entender melhor as implicações dos assuntos discutidos no comunicado e manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados sobre quaisquer atualizações”, disse a companhia em comunicado, sem mais detalhes.

Para o estrategista-chefe da empresa de análise de investimentos CondorInsider, Carlos Herrera, o anúncio do governo de Honduras “é o típico exemplo de risco político ao operar em países sem uma institucionalidade forte”.

“Também mostra o risco de investir numa empresa mineradora, pensando só no preço da commodity. Não é tão trivial assim. Sempre existe um risco operacional, político ou financeiro… não é a mesma coisa ter o ouro físico do que tê-lo vários metros baixo terra”, acrescentou Herrera, em seu perfil no Twitter.

A Aura Minerals vinha sendo apontada recentemente por alguns analistas como uma empresa interessante para investidores interessados em aproveitar a característica defensiva do ouro. As cotações do metal tocaram máximas em um ano em meio ao aumento da tensão geopolítica global com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Aconselharíamos investidores a adicionar o ouro a suas carteiras durante tempos de incerteza, e vemos a Aura como uma grande alternativa para proteção”, escreveu a equipe de análise do BTG Pactual para metais na América Latina, liderada por Leonardo Correa, em relatório em 25 de fevereiro.

Em novo relatório, divulgado hoje, o time do BTG disse que “é muito cedo para conclusões” sobre riscos de a Aura ter suas licenças canceladas, ressaltando que o governo hondurenho divulgou até agora apenas um comunicado sobre suas intenções, e não um decreto. A recomendação de “compra” para os papéis da empresa foi mantida “por ora”.

Os analistas disseram ainda que não esperam impactos de curto prazo na produção da mina de San Andreas e que não consideram adequado atribuir valor zero aos ativos da Aura em Honduras. “Nós vemos uma probabilidade baixa de a Aura realmente perder sua licença para operar em Honduras… no entanto, acreditamos que os investidores podem começar a precificar um risco-país mais elevado para a Minosa”, escreveram, em referência à unidade da empresa no país.

*Com adição dos dois últimos parágrafos

Texto: Luciano Costa
Edição: Artur Horta
Imagem: Divulgação

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