0

Vieira: Pressão inédita sobre Paulo Guedes pode marcar virada da rota liberal do governo

colunas

Vieira: Pressão inédita sobre Paulo Guedes pode marcar virada da rota liberal do governo

O mérito de Paulo Guedes foi manter o Teto de Gastos como âncora fiscal e defender uma pauta econômica liberal de reformas e privatizações

Vieira: Pressão inédita sobre Paulo Guedes pode marcar virada da rota liberal do governo
leopoldo-vieira-teixeira

Atualizado há 8 meses

Ícone de compartilhamento

A pressão inédita que a ala política do governo exerce neste momento contra o ministro da Economia, Paulo Guedes, por ele resistir à renovação do Auxílio Emergencial, pode ser o começo da virada do rumo liberal da gestão federal para uma agenda pautada pelo aumento dos gastos públicos, aprofundando o distanciamento entre o mercado e o Palácio do Planalto.

A possibilidade, antecipada pelo Scoop, é reforçada porque o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em evento em 27 de setembro, que escolheria alguém com política diferente de Guedes se fosse trocar o comando da Economia.

O grande mérito de Paulo Guedes foi justamente conseguir manter o Teto de Gastos como âncora fiscal e a defesa de uma pauta econômica liberal de reformas e privatizações, apesar do contexto de pandemia, crise política e baixa popularidade do governo.

Mas o ímpeto reformista que prevaleceu no primeiro semestre já não se mostra capaz de fazer entregas relevantes, como demonstram os entraves às reformas Administrativa na Câmara e do Imposto de Renda no Senado, hoje questionadas pelos próprios agentes econômicos.

Bolsa Família

Porém, sem uma pauta liberal ativa, o governo jogará cada vez mais no campo da oposição de centro-esquerda, e nem mesmo um Bolsa Família para chamar de seu é garantia de sucesso eleitoral.

Segundo estudo da Tendências Consultoria Integrada, publicado na imprensa no fim de semana, o número de pessoas nas classes D e E, onde se concentram os mais vulneráveis, deve continuar crescendo em 2022 e perdendo renda, mesmo recebendo um benefício médio de R$300 do governo. Ou seja, o valor planejado para o Bolsa Família é pequeno perto do desafio eleitoral de Bolsonaro e de seus aliados.

Assim, não bastasse ser marcado por sinalizações contraditórias quanto ao rompimento do Teto de Gastos, este longo ano de negociações entre governo e Parlamento pode terminar com a formação de um novo consenso do sistema político que rejeite a austeridade e a liderança do setor privado.

Declínio de Paulo Guedes

Como efeito prático, o ocaso de Guedes deixaria ao investidor algumas opções. A primeira é acompanhar pacientemente os desdobramentos dos acontecimentos políticos na bolsa até a palavra final das urnas em 2022. Afinal, é alta a chance de um agente político mudar sua posição econômica de acordo com os distintos contextos que se apresentarão até lá.

A segunda é aceitar os riscos embutidos em uma virada heterodoxa da área econômica para tentar evitar a vitória eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E a terceira é apostar todas as fichas em uma terceira via liberal que, por ora, tem baixa competitividade.

Coluna: Leopoldo Vieira
Arte: Vinicius Martins / Mover


DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.

relatorios
image

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.