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Um final de semestre agitado na geopolítica e nos mercados: Coluna

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Um final de semestre agitado na geopolítica e nos mercados: Coluna

Hoje os mercados oscilam, sinal de fadiga após o rali da semana passada; será que a recuperação dos ativos de risco está ficando sem pernas?

Um final de semestre agitado na geopolítica e nos mercados: Coluna
guillermo-parra-bernal

Atualizado há cerca de 2 meses

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Bogotá, 28 de junho – Em resposta aos vários acontecimentos dos últimos dias e por estarmos perto do final do semestre, a coluna irá tratar extraordinariamente de dois assuntos: geopolítica e mercados. Sinal dos tempos, que nos exigem manter um olho no gato e o outro no peixe.

A cúpula do G-7, celebrada na Alemanha, acaba hoje após ter rendido bastante manchete no fim de semana. Da Baviera nos trasladamos para Madri, onde a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte acontece nesta semana. Nela, os estados membros do grupo devem aprovar o “Conceito Estratégico”, seu mais recente manual de diretrizes, assumir compromissos firmes para elevar os gastos com defesa e buscar novas maneiras de trazer a Finlândia e a Suécia para a aliança militar.

Apesar do receio de que cúpulas sejam palcos mais para a retórica do que a substância, desta vez, a OTAN deve anunciar ações com impacto duradouro.

Primeiro ponto: como a OTAN deve se posicionar diante da promessa feita na cúpula do G-7 de apoiar coletivamente à Ucrânia “pelo tempo que for necessário”. É essa uma expressão ou uma promessa? Nenhuma democracia tem o poder real de apoiar um país pelo tempo que seja necessário. O que aconteceria com a Ucrânia no G-7 se, por exemplo, Donald Trump voltasse a presidir os Estados Unidos?

Segundo ponto: o Conceito Estratégico deve definir as prioridades da aliança para a próxima década. O documento deve ser aprovado unanimemente. Além de aumentar o tamanho de sua força de resposta rápida para 300 mil soldados, o texto deve rotular a China de “desafio sistêmico”, por conta da sólida parceria sino-russa. A última versão do Conceito Estratégico, de 12 anos atrás, nem mencionava a China. Qual será a reação de Rússia e China a esse documento?

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Hoje os mercados oscilam, sinal de fadiga após o rali da semana passada. Será que a recuperação dos ativos de risco está ficando sem pernas? Não se sabe, mas estamos no final do trimestre e muitos investidores precisam reequilibrar suas carteiras.

Contudo, existem sinais promissores e preocupantes sobre a situação atual do mercado. Quais as boas? Uma, que os grandes bancos americanos estão aos poucos elevando dividendos e recompras de ações diante dos sólidos testes de estresse de capital feitos pelo Federal Reserve. Outra, especula-se que os sinais de desaceleração global aumentem as chances de o Fed pisar no freio das altas de juros no próximo semestre.

Apesar disso, o sentimento dos investidores grandes e pequenos quanto ao mercado de ações se mantém baixo. Uma sondagem feita pela Associação Americana de Investidores Individuais na semana passada mostrou que os chamados sardinhas estão decididamente pessimistas sobre os retornos das ações até dezembro. Em relação ao sentimento institucional, o Índice de Exposição NAAIM semanal fornece uma visão similar – que sua exposição geral ao mercado de ações continua contida.

Ambas as medidas de sentimento têm natureza contrária – ou seja, o sentimento de baixa expresso nas pesquisas tem o poder de se traduzir em um sinal de alta para as ações. Seria plausível achar que o mercado de ações atual está sobrevendido? Sim, somente para aquele que deseja tomar risco agora, apesar da incerteza atual.

O ambiente atual é único, por conta de todos os vértices de risco que impactam a economia global. Por algum motivo, geopolítica foi a primeira parte desta coluna.

DISCLAIMER: Guillermo Parra-Bernal é colunista e membro do Conselho Editorial da Mover. Suas opiniões não necessariamente refletem a posição da Mover

Imagem: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

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