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Populismo eleitoral e mercados: Coluna

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Populismo eleitoral e mercados: Coluna

A menos de 100 dias das eleições, o governo Bolsonaro coloca em prática um pacote de benesses que mostra o risco do pleito para os mercados

Populismo eleitoral e mercados: Coluna
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Atualizado há cerca de 2 meses

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São Paulo, 30 de junho – O governo do presidente Jair Bolsonaro está lançando mão de medidas econômicas que devem ajudar os eleitores das classes sociais menos favorecidas no curtíssimo prazo, mas que não serão esquecidas pelos investidores.

Cortes de impostos, valores maiores em programas sociais, ameaças à Petrobras — medidas que parecem, mais do que qualquer outra coisa, uma tentativa de reverter o favoritismo do candidato de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto.

Nesta quarta-feira, o senador Fernando Bezerra anunciou sua avaliação sobre a Proposta de Emenda à Constituição 16, nada mais do que um pacote de bondades embalado às pressas pelo governo e seus aliados no Congresso para combater os efeitos da maior inflação em 19 anos, e engordar o valor de programas sociais no Brasil a menos de 100 dias da eleição presidencial.

Será que brotou, assim, de súbito, entre os auxiliares de Bolsonaro e os parlamentares aliados, uma preocupação genuína para redistribuir a renda mais eficientemente ou reduzir a carga tributária brasileira – uma das maiores do mundo?

Não sei, mas apenas quero destacar o oportunismo do pacote de benesses do governo. Ah! E sua inconveniência.

Os textos mais básicos de macroeconomia sempre nos explicam que cortes de impostos são medidas que tendem a estimular a demanda. Ou seja, têm uma natureza expansionista. Explico: o governo está cortando impostos em um momento em que o Banco Central do Brasil precisa conter a demanda para aliviar a inflação.

Política fiscal na contramão da política monetária, como já constatamos diversas vezes na história do Brasil, sempre resulta em mais inflação e em contas públicas menos saudáveis.

Em um aceno ao mercado, quiçá ingênuo, o senador Bezerra disse que o pacote de bondades “certamente não será estendido” para o ano que vem. Claro: recursos oriundos de dividendos das estatais e da capitalização da Eletrobras irão financiar o pacote.

Mas a curva de juros não é boba, nem leva desaforo. São quase 0,8 ponto percentual de alta, ao longo de todos os vencimentos, em quatro dias. Sinal de que o investidor aposta que esse pacote se torne permanente, mesmo que a contrapartida seja pontual.

Dificilmente Lula, que há meses faz campanha defendendo maior gasto social, ou Bolsonaro vão querer reduzir o tamanho e escopo do maior programa de renda familiar do país em meio à atual crise.

Na coluna da semana passada, intitulada “O preço de uma eleição polarizada está por vir”, defendi que seria importante separar o risco das eleições daqueles relativos ao resultado do processo eleitoral e ao resultado das eleições.

Não demorou muito para os primeiros darem as caras.

DISCLAIMER: Felipe Corleta é colunista e editor da Mover. As opiniões dele não necessariamente refletem a posição da Mover

Imagem: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

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