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Inflação alta, renda fixa, dividendos: Coluna

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Inflação alta, renda fixa, dividendos: Coluna

A inflação deixou muitas empresas mais atraentes devido aos dividendos; aproveite para buscá-las e proteja-se em momento de difícil leitura!

Inflação alta, renda fixa, dividendos: Coluna
guillermo-parra-bernal

Atualizado há 28 dias

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São Paulo, 9 de junho – Quando a inflação morde, como acontece hoje no mundo inteiro, os dividendos se tornam uma opção para o investidor apavorado.

Inflações altas ou persistentes reduzem ou eliminam o apelo de algumas classes de ativos. Isso vale para os mercados americanos, europeus ou brasileiros.

No Brasil, o ritmo de aumento de preços medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo deve ser mantido acima dos dois dígitos pelo décimo mês seguido, em maio. Os dados, que serão divulgados nesta quinta-feira, podem apontar para a desaceleração inflacionária nos próximos meses, sem que isso represente um alívio ao consumidor ou ao investidor.

No caso dos Estados Unidos, a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor atingiu 8,26% em abril, ante pouco mais de 2% em plena eclosão da pandemia do coronavírus, em fevereiro de 2020. Há grande expectativa pela divulgação do dado de maio, na manhã dessa sexta-feira.

No mundo há um problema inflacionário não visto há décadas. Para resolvê-lo, o Banco Central do Brasil, desde o ano passado, o Federal Reserve, desde março, e outros bancos centrais se engajaram em um ciclo de aumento de suas taxas básicas de juros. Essa tentativa ajuda a desacelerar suas economias e fornece alguma redução de demanda para aliviar a inflação.

Os movimentos dos BCs têm influência mais direta nos juros da dívida pública de curto prazo, enquanto os movimentos de mercado influenciam os de longo prazo de maneira mais efetiva. Por exemplo, o rendimento dos Treasuries americanos de dez anos alcançou 3% em dias recentes. Dois anos atrás, o chamado yield era de 1,90%.

Essa alta deixou os instrumentos de renda fixa – ou seja, a dívida – mais competitivos do que os dividendos das ações, do ponto de vista do rendimento. Se a noção de que a inflação e os juros permanecerão por um longo período se tornar a narrativa nos mercados, as ações que pagam dividendos deveriam ajudar a aliviar a volatilidade imperante.

No entanto, empresas pagadoras de dividendos não estão imunes às crises. Nos EUA, por ora, elas têm desempenho menos desfavorável que as não pagadoras neste ano – enquanto no S&P500 as que mais remuneram o acionista caíram 4,57% entre janeiro e maio, as não pagadoras despencaram quase 21%.

Nas últimas semanas, o número de ações do índice S&P500 cujos dividendos rendem acima do yield de dez anos caiu para perto de 100, ante 220 há mais de um ano e meio, segundo dados da Refinitiv.

A retração do mercado deixou muitas empresas mais atraentes por conta dos dividendos. Aproveite para buscá-las e proteja-se em um momento de difícil leitura.

DISCLAIMER: Guillermo Parra-Bernal é colunista e membro do Conselho Editorial da Mover. Suas opiniões não necessariamente refletem a posição da Mover.

Texto: Guillermo Parra-Bernal
Edição: Gabriela Guedes
Imagem: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

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