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Hora da verdade para múltiplos preço-lucro: Coluna

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Hora da verdade para múltiplos preço-lucro: Coluna

Os múltiplos de preço-lucro nas bolsas brasileira e americana estão se distanciando de suas médias históricas, embora com riscos diferentes

Hora da verdade para múltiplos preço-lucro: Coluna
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Atualizado há cerca de 1 mês

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São Paulo, 5 de julho – A temporada de balanços do segundo trimestre será particularmente importante para ajudar a tatear o rumo dos mercados este ano. Isso porque os múltiplos de preço-lucro, por exemplo, gravitam ao redor da mínima de dois anos nos Estados Unidos e de 14 anos no Brasil.

Quando um indicador importante de mercado se afasta muito da sua média histórica, devemos quebrá-lo em partes para ver onde estão as assimetrias.

Este momento está chegando para os múltiplos de preço-lucro nas bolsas brasileira e americana, embora ambas enfrentem riscos e dinâmicas muito distintas. Nesse sentido, a temporada de balanços deverá nos sugerir qual parte deste indicador está distorcida: se os preços ou os lucros projetados.

Se o preço estiver errado, como defendido pelos mais otimistas, haveria um espaço interessante de alta nas cotações das ações aqui e lá.

Mas, pode ser que o problema esteja nas projeções. Como os lucros projetados estão no denominador do múltiplo, se eles caírem, o chamado P/L sobe, fazendo com que as ações não pareçam mais tão baratas.

Olhei com atenção o recente tuíte de Michael Burry, que ficou famoso por prever a crise financeira de 2008. Ele disse que a queda na bolsa americana se deveu até aqui a uma compressão de múltiplos; agora resta a compressão de lucros. Segundo ele, a baixa do mercado até aqui observada pode estar “perto da metade”.

É possível que nos EUA as projeções de lucros hoje incorporem parcialmente o risco de uma recessão, o custo elevado da guerra na Ucrânia, a queda no consumo das famílias e o ciclo de alta nos juros.

No Brasil, as projeções podem ignorar neste momento a perspectiva de uma taxa básica Selic alta por mais tempo diante dos riscos fiscais elevados, da incerteza de um processo eleitoral polarizado e dos riscos regulatórios associados ao novo governo que se instale a partir do 1 de janeiro próximo.

Os preços, ao menos parcialmente, certamente já refletem algumas dessas coisas. O índice S&P500 está mais de 20% abaixo do seu recorde recente. O Ibovespa perde mais de 25% e o Índice de Consumo da B3 já cai quase 50%.

A temporada de balanços e as tradicionais teleconferências de resultados certamente testarão os consensos de receitas, margens e volumes das empresas nos EUA e no Brasil. Veremos mais volatilidade pela frente? Provavelmente sim.

Há questões que os mercados têm em comum: os resultados podem sofrer com a elevação nos custos de capital. As margens operacionais de companhias em diferentes segmentos da economia podem cair por conta da inflação elevada.

Se essa combinação pesar no sentimento dos analistas, podemos ver os múltiplos subirem para patamares mais próximos da média histórica sem um movimento análogo nos preços. Ou pior: as ações podem cair ainda mais sem uma depressão maior de múltiplos.

Por outro lado, se as companhias mostrarem resiliência operacional e financeira, os preços atuais podem se provar errados e o mercado deve ser rápido em corrigi-los.

Imagem: Vinicius Martins / Mover
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