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Caminho longo e tempestuoso de um banco central que não pode errar: Coluna

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Caminho longo e tempestuoso de um banco central que não pode errar: Coluna

Aposta majoritária por uma alta mais agressiva na taxa básica de juros dos EUA sugere que o banco central americano estava perto de errar

Caminho longo e tempestuoso de um banco central que não pode errar: Coluna
guillermo-parra-bernal

Atualizado há 22 dias

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São Paulo, 15 de junho – Quando falamos da política monetária, há quem diga que o Federal Reserve frequentemente está “um dia atrasado e um dólar mais pobre”. É o caminho longo e tempestuoso de um banco central que não tem o direito de errar.

A aposta majoritária desta semana por uma alta mais agressiva na taxa-alvo básica de juros nos Estados Unidos nos sugere que o Fed estava próximo de errar, sendo mais leniente do que devia com a inflação, a fim de evitar uma recessão.

Notavelmente, altas nos juros por parte do banco central americano estão correlacionadas com um desempenho ruim do mercado global. O custo mais alto do dinheiro geralmente impacta a capacidade de se alavancar – que não é mais do que dobrar as apostas quanto ao preço de um ativo usando a grana dos outros.

A guerra russa na Ucrânia, o ciclo de juros nos EUA e outros países e a disparada das commodities exacerbaram a desconfiança entre os investidores sobre um potencial equívoco de política do Fed na conjuntura atual. Esse erro seria aumentar a taxa Fed Funds abaixo de 0,75 ponto percentual.

Há duas coisas que gostaria de tratar nesta coluna. A primeira, sobre o movimento tático do Fed em elevar o juro um pouco mais do que seus membros sinalizaram nas últimas oito semanas. A segunda, sobre como a decisão de reduzir o balanço do banco central americano impacta o mercado de dívida americano e a liquidez global.

Tentarei ser breve em ambos os pontos.

Taticamente, um aumento de 75 pontos-base seria uma mudança de comunicação para o Fed e especificamente para seu presidente, Jerome Powell, que prefere telegrafar os movimentos da autarquia e, portanto, é partidário do gradualismo na política monetária.

Essa estratégia permitiu que o Fed adotasse um viés mais rígido, enquanto os mercados precificavam o risco de ir mais rápido ou mais devagar à medida que os dados econômicos chegavam.

Desde segunda-feira, quando um artigo do The Wall Street Journal praticamente sacramentou que o juro irá subir 75 pontos, e não 50 pontos – como Powell & Cia. tinham telegrafado desde o início de maio, – os mercados ficaram confusos e voláteis. Essa confusão não somente reflete o que possivelmente será anunciado amanhã, mas também o que o Fed possa preparar para as reuniões de julho, setembro e novembro.

Uma vez que o banco central americano começar a andar no ritmo dos 75 pontos-base, vai ser mais difícil parar. A recessão vai ficar mais próxima. E nada apagará a perda de credibilidade causada pelas previsões infelizes sobre a volta leve da inflação no pós-pandemia do coronavírus.

Agora, vamos para o segundo ponto.

Na segunda-feira, os rendimentos dos Treasuries de dez anos chegaram a subir quase 30 pontos-base, com desvio padrão acima do normal, segundo Bloomberg. Segundo um par de traders que consultei hoje, o motivo foi a falta de liquidez.

“Ué, mas o mercado de Treasuries não é o mais líquido do mundo?”, indaguei. Então …

Eu suponho que essa situação tem a ver com a decisão do Fed de iniciar, neste mês, a redução do seu balanço patrimonial. Quando o banco central americano fez a mesma coisa em 2018, a redução correu a um ritmo de US$30 bilhões mensais com uma inflação muito baixa.

Desta vez, o Fed triplicará essa redução, mas com uma inflação de quase 9%.

Desde que o Fed parou de adquirir títulos hipotecários e Treasuries, em março, o maior comprador do mercado secundário caiu fora. Isso tem implicações gravíssimas na forma como a liquidez vai se comportar daqui para frente.

Portanto, é hora de reforçar a prudência e de manter altos os níveis de caixa na sua carteira. Aumente a duração na renda fixa que compensa o risco durante o ciclo de aperto quantitativo.

Seja prudente em sua exposição às commodities: o mais seguro é que essa situação acabe em uma recessão. Reduza o risco da renda variável, especialmente em segmentos de alto beta. Será um caminho longo e tempestuoso a partir de hoje.

DISCLAIMER: Guillermo Parra-Bernal é membro do Conselho Editorial da Mover. Suas opiniões não necessariamente refletem a posição da Mover

Imagem: Vinicius Martins / Mover
Comentários: [email protected]

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