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Argentina, Colômbia e ativismo judicial nos EUA: Coluna

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Argentina, Colômbia e ativismo judicial nos EUA: Coluna

Crise econômica na Argentina, resultado da eleição na Colômbia, decisões da Suprema Corte dos EUA; veja na coluna de Guillermo Parra-Bernal

Argentina, Colômbia e ativismo judicial nos EUA: Coluna
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Atualizado há cerca de 1 mês

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Bogotá, 4 de julho — Meu objetivo é que o investidor, a 90 dias da eleição presidencial no Brasil, extraia lições úteis dos três temas que vou tratar: Argentina, Colômbia e Estados Unidos. Serei breve e direto.

No sábado, o ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán, apresentou renúncia ao cargo em longa carta dirigida ao presidente Alberto Fernández. As críticas da vice-presidente Cristina Kirchner à condução da política econômica derrubaram Guzmán.

Sua saída veio em meio ao tombo na popularidade de Fernández, a disparada da inflação para quase 70% e a greve dos transportes pela falta de diesel. Guzmán teve de elevar os controles às importações para proteger as reservas internacionais.

A frouxidão com o orçamento e a hostilidade com o Fundo Monetário Internacional que Kirchner defendia venceram o ajuste fiscal que Guzmán queria. Em tempo, o acordo entre Guzmán e o FMI evitou o décimo calote de dívida da história da Argentina.

Qual a lição? O mix de política econômica deve piorar pela impopularidade de Fernández. Sabotar o aliado faz parte do jogo político: o descontentamento popular era o que Kirchner tanto precisava para sepultar o governo.

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Em 21 de junho, Colômbia elegeu seu primeiro presidente de esquerda. O senador Gustavo Petro teve 50,5% dos votos no pleito, sacramentando a queda do último grande bastião da direita na América Latina.

Nesse dia, viralizou o tuíte de um ativista brasileiro que culpava a abstenção pela derrota da direita colombiana. Sempre cético do que sai no Twitter, fui pesquisar.

A abstenção foi de 45% no primeiro turno para 42% no segundo — a menor em 24 anos. O voto em branco subiu de 1,7% para 2,2% no segundo turno. Houve quem apostou em uma disparada na abstenção e nos votos em branco diante de uma decisão entre candidatos anti-sistema. Não foi assim.

Petro ganhou a presidência com 11,2 milhões de votos, ante 8,5 milhões no primeiro turno. Hernández saltou de 6 milhões de votos para 10,5 milhões, mas só capturou 85% dos votos anti-Petro no segundo turno. Já Petro atraiu os da centro-esquerda e ainda trouxe 1,5 milhão de votos novos.

Quais as lições? Que Petro não ganhou pela abstenção. Que sua folga foi pequena, fazendo-o negociar seu programa com o status quo — como já aconteceu no Brasil de 2003. E também que há bastante falastrão no Twitter.

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Ao longo do mandato do presidente Jair Bolsonaro, o ativismo do Supremo Tribunal Federal virou um problema nacional. Mas, se no Brasil chove por conta desse tema, nos EUA esta caindo um dilúvio.

Os últimos dez dias foram os mais agitados na história da Suprema Corte dos EUA, tanto pelo volume de decisões que derrubaram precedentes importantes quanto pelo ruído que causaram no país.

Desde 24 de junho, a Corte derrubou o dispositivo legal que autorizava o aborto no país, conhecido como “Roe vs Wade”; permitiu o porte de armas explícito nas ruas; e abriu a porta para que as escolas religiosas recebessem dinheiro público.

Na sexta passada a Corte deu a opção aos estados de decidirem suas políticas de energias limpas, dificultando o trabalho da Agência Federal de Proteção Ambiental no combate ao aquecimento global.

A unanimidade nas decisões da Corte atingiu em 2022 o menor nível em pelo menos duas décadas. A onda de placares seis-a-três a favor de pautas conservadoras sugere que as divergências ideológicas dentro do tribunal só devem aumentar.

Qual a lição? Cuidado com os juízes que têm o poder de determinar que a vida começa na concepção e termina no apocalipse da crise climática e dos massacres escolares.

Imagem: Vinicius Martins / Mover
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