Como a tecnologia influencia a confiança do investidor

Como a tecnologia influencia a confiança do investidor

iris-sousa

23 JUN

6 MIN

Como a tecnologia influencia a confiança do investidor

Recentemente, o CFA Institute divulgou a pesquisa “Enhancing Investors’ Trust: 2022 – CFA Institute Investor Trust Study”. Esse estudo é dedicado a investigar os relacionamentos e tendências dos investidores no mercado. Na atual edição, que representa a quinta edição da série bienal, foram encontrados dados relevantes sobre um fator primordial quando o assunto é investimentos: a confiança.

Além disso, investigou essa confiança e seu relacionamento com a tecnologia. Sendo assim, neste artigo apresentamos alguns resultados da pesquisa e os discutimos, nos seguintes tópicos:

  • Enhancing Investors’ Trust: breve introdução
  • Tecnologia e confiança: dados da pesquisa
  • Quais fatores afetam a confiança?
  • Conclusão

Enhancing Investors’ Trust: breve introdução

A pesquisa Enhancing Investors’ Trust – 2022 (CFA Institute Investor Trust Study) traz uma abordagem investigativa sobre as questões relativas à confiança dos investidores frente aos avanços tecnológicos.

O lema central da pesquisa assume a afirmativa de que a confiança, de alguma forma, está no centro de todas as transações financeiras e a tecnologia pode melhorar essa confiança.

Nesse sentido, a pesquisa foca na relação entre tecnologia e confiança no universo financeiro. Traz sua investigação sob o ponto de vista que a confiança é um fator “invisível” nessa relação, mas que se comporta como a espinha dorsal, sempre presente e necessária quando o assunto é dinheiro.

Público da pesquisa

A pesquisa entrevistou 3.588 investidores individuais (considerados não profissionais) e 976 investidores institucionais de 15 mercados em todo o mundo. As entrevistas ocorreram entre outubro e novembro de 2021.

Um fato interessante é que o Brasil teve uma participação significativa de entrevistados. Abaixo mostra-se a quantidade de entrevistados por país.

De forma geral, a pesquisa relata que uma maior integração de tecnologia no universo das finanças ajuda a estabelecer dois tipos de confiança que são essenciais: “confiança de execução” e “confiança de relacionamento”.

A confiança de execução se refere ao conhecimento, por parte do investidor, de que as transações são seguras, precisas e gerenciadas adequadamente.

Já a confiança de relacionamento pode ser descrita como o “valor agregado”, percebido pelos investidores, que as ferramentas tecnológicas e ágeis de investimentos, bem como a personalização dos produtos criam para os investidores.

Breve introdução dos achados da pesquisa

Um insight geral, trazido da análise da pesquisa por Munson, é de que a tecnologia melhora o acesso aos mercados financeiros e fortalece a igualdade representativa entre os diferentes participantes do mercado.

Nesse sentido, essa tecnologia teria o poder de impulsionar o desenvolvimento de novos produtos e serviços no mercado financeiro.

Estes que, por sua vez, expandem os mercados para mais pessoas e “neutralizam” a divisão de confiança. Ou seja, o diferencial de confiança entre investidores individuais e institucionais.

Sendo assim, podemos inferir que de modo geral, a tecnologia agiria como um “amenizador” da assimetria informacional. E, dessa forma, auxiliando na promoção de mais confiança para todos os investidores (principalmente os individuais e mais jovens no mercado).

Abaixo trazemos os principais dados da pesquisa que dão base a essas inferências.

Tecnologia e confiança: dados da pesquisa

Um dado que chama atenção na pesquisa é de que 50% dos investidores individuais e 87% dos investidores institucionais dizem que o maior uso de tecnologia em serviços financeiros aumentou a confiança em seu consultor/gerente.

Esse dado é particularmente interessante, pois nos últimos anos houve um crescimento significativo das chamadas “fintechs“. Essas empresas juntam exatamente os dois fatores sobresselentes da nossa discussão: tecnologia e finanças.

Nesse sentido, a tecnologia teria a função de preencher a divisão de confiança entre todos os tipos de investidores e ajudaria a garantir condições equitativas.

Como observa Munson, “o ponto de entrada para serviços financeiros geralmente são os provedores de pagamento digital. Em alguns mercados, particularmente aqueles que não possuem infraestrutura bancária tradicional, eles são o principal modo de transação”.

Essa afirmativa é confirmada na pesquisa, pois a confiança nos provedores de pagamento digital como Apple Pay, Venmo, Alipay e Zelle, foi classificada pelos entrevistados como a mais alta entre todos os subsetores da indústria de serviços financeiros na maioria dos mercados.

Nesse sentido, Enhancing Investors’ Trust – 2022 demonstra que 71% dos investidores individuais acreditam que essas ferramentas melhoram sua compreensão sobre investimentos.

Do mesmo modo, 89% dos investidores institucionais relatam que passam a confiar mais nas informações financeiras advindas dessas ferramentas.

Quais fatores afetam a confiança?

A pesquisa aborda 5 fatores principais que demonstram estar contribuindo de forma mais significativa para o maior nível de confiança dos investidores. São eles:

1. Forte desempenho do mercado: os retornos S&P 500 e NASDAQ foram em média acima de 20% ao ano nos últimos dois anos, e altos retornos podem ocultar problemas de confiança que podem surgir em uma contração do mercado.

2. Compressão de taxas: o investimento passivo e o comércio de comissão zero melhoraram o ambiente de taxas para investidores de varejo, reduzindo as barreiras à entrada e permitindo o acesso a produtos de investimento.

3. Transparência habilitada pela tecnologia: maior adoção e integração de tecnologia resultou em mais informações e maior transparência, melhorando a compreensão e a confiança dos investidores nos mercados.

4. Maior acesso aos mercados: Novos aplicativos e ferramentas facilitaram o acesso aos mercados, especialmente em níveis de ativos menores e para uma base de investidores cada vez mais jovem, com níveis de confiança mais altos.

5. Novos produtos personalizados: A introdução de novos produtos de investimento personalizados deu aos investidores uma maior conexão com a forma como seu dinheiro está sendo aplicado”.

Nesse sentido, vemos que a tecnologia aparece na maioria dos pontos, sendo interessante observar seu poder de influência sobre os investimentos.

O lado comportamental

Outro fato interessante é que ao passo que a tecnologia amplia a confiança nas transações financeiras, em especial no que tange os investimentos, há ainda a incidência de outros fatores que devem ser observados.

Nota-se uma “onipresença” da tecnologia nos serviços financeiros e isso pode gerar algumas problemáticas, dado seu poder de influenciar o lado comportamental dos investidores.

Nesse sentido, o efeito comportamental de aumento de controle e overconfidence, possivelmente causado pela tecnologia, é outra preocupação.

Dados do estudo revelam que dos investidores individuais, 57% aumentaram sua frequência de negociação. De forma similar, 74% relataram sua crença de que agir com base em “empurrões” digitais melhoram seu desempenho de investimento.

Ou seja, os impulsos digitais refletem diretamente no processo de tomada de decisão.

Do mesmo modo, a privacidade dos dados, por exemplo, é uma consideração válida de se observar. A pesquisa demonstra que 27% dos entrevistados dizem estar menos dispostos a usar plataformas online que exigem a inserção de dados pessoais.

Conclusão

Por fim, a pesquisa nos traz dados interessantes que denotam sobre os avanços da tecnologia e sua relevância tanto na expansão e acesso do mercado financeiro, quanto no aumento da confiança dos investidores.

Entretanto, todos os investidores devem ficar atentos para compreenderem até que ponto a tecnologia é uma aliada, dado seu poder de gerar estímulos comportamentais, levando a vieses e decisões precipitadas.

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Estagiária do TC School | Graduanda em Ciências Contábeis (UFPB)

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