Retorno esperado das ações no longo prazo: análise da vantagem competitiva

Retorno esperado das ações no longo prazo: análise da vantagem competitiva

vitor

03 JUN

5 MIN

Retorno esperado das ações no longo prazo: análise da vantagem competitiva

O investimento em ações requer uma série de cuidados por parte do investidor. Gerenciar risco, escolher bons ativos, acompanhar as notícias e a gestão da empresa, entender o setor , enfim, são muitas informações, não é mesmo?

Associadas a essas informações está um fator bem característico para esse tipo de investimento: o risco. As diversas variáveis que estão relacionadas ao investimento em ações e que muitas vezes o investidor não tem o controle para gerenciá-las gera um grande questionamento: o retorno esperado no longo prazo para as ações é vantajoso?

Bem, como quase tudo em finanças, a resposta é: depende. Depende da sua estratégia, da qualidade dos papéis que você adiciona na carteira e até mesmo do momento em que ocorre a compra do ativo.

Diante desse cenário, neste texto, vamos nos basear em um artigo publicado pelos pesquisadores Forsyth e Mongrut neste ano de 2022 na Revista de Contabilidade & Finanças da USP que tiveram o objetivo de desenvolver um indicador para estimar o retorno esperado agregado de longo prazo das ações.

Algumas perguntas a serem respondidas…

Dentre os questionamentos que o estudo buscou entender e elucidar uma possível resposta está:

Qual o papel da duração (duration) da vantagem competitiva das empresas no retorno de longo prazo?

Pois bem, não se desespere ainda com os termos que não são tão comuns.

Ao final do texto você vai conseguir entender bem a ideia do artigo e até mesmo aplicar os conhecimentos nos seus investimentos para rentabilizar melhor.

Vantagem competitiva: o que é?

Precisamos entender inicialmente o que seria essa “vantagem competitiva” das empresas.

A ideia da vantagem competitiva utilizada pelos autores no artigo, ocorre quando uma determinada companhia consegue gerar retornos extraordinários sustentados ao longo do tempo que excedem o seu custo de capital, ou seja, são empresas fora da média, por assim dizer.

Partindo para o campo teórico, quando falamos em uma estrutura de mercado de concorrência perfeita, o retorno das empresas é igual ao seu custo de capital.

Isso ocorre por causa das características dessa estrutura de mercado: não há diferenciação de produtos, há muitas empresas no mercado e são tomadoras de preço, etc.

Mas na realidade, essa estrutura de mercado não é observada e por isso as empresas conseguem ter essa vantagem competitiva.

Entretanto, você há de concordar que se uma empresa se destacar e as concorrentes observam ela tendo um resultado acima da média, a tendência é que as outras empresas trabalhem também para conseguir tal resultado.

No longo prazo, espera-se que esse desempenho acima da média diminua, dado que vai ter mais empresas atuando no mesmo setor ou mais empresas trabalhando melhor os seus processos para conseguir tal feito também.

Logo, o que as empresas vão buscar é prolongar cada vez mais o tempo que elas possuem tal vantagem competitiva.

O retorno das ações e a vantagem competitiva

Nas discussões do meio acadêmico, há diversos modelos que consideram diferentes variáveis que têm impacto sobre o retorno das ações no longo prazo.

Entretanto, o que os autores buscaram avaliar foi justamente o efeito da duração da vantagem competitiva sobre o retorno esperado das ações no longo prazo.

Como foi dito anteriormente, a vantagem competitiva consiste quando o retorno da empresa excede o seu custo. Na prática, os autores utilizaram a diferença entre o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) e o custo do patrimônio líquido.

Alguns resultados

Forsyth e Mongrut estimaram (os detalhes da parte estatística e econométrica você pode conferir no artigo completo que consta na referência deste texto) os retornos de longo prazo para o S&P 500 adicionando a vantagem competitiva como um dos explicadores.

Falando brevemente de algumas questões metodológicas, os autores assumiram a vida útil das empresas no índice S&P500 como a medida de duração da vantagem competitiva e para estimar o retorno sobre o patrimônio líquido, foi criada uma empresa média a partir das empresas que fazem parte do S&P500.

O gráfico abaixo demonstra o resultado. A linha em azul representa o retorno estimado para o S&P500 levando em consideração também a vantagem competitiva. A linha em vermelho demonstra a estimação do retorno de longo prazo com o modelo tradicional.

retorno vantagem competitiva

Fonte: Forsyth e Mongrut (2022).

Conclusão

Portanto, como é possível observar, ainda que haja diferença entre o retorno estimado para ambos os modelos e o retorno realizado, o retorno que leva em consideração a vantagem competitiva das empresas (RIPL) se apresentou como um melhor estimador quando comparado ao modelo tradicional.

Diante do exposto, respondo à pergunta feita inicialmente, os autores chegaram a conclusão que sim, a duração da vantagem competitiva das empresas é um fator importante para o retorno de longo prazo das ações.

Para você, investidor, a aplicabilidade no dia a dia pode ser a que você já vem fazendo ou, se caso ainda não faça, seria legal fazer, que é:

  • Avaliar e entender bem o modelo de negócio da empresa;
  • Entender o setor que está inserida, quais as principais concorrentes e quais são os principais desafios;
  • Observar muito bem a capacidade de inovação da empresa e também as vantagens competitivas que ela tem quando comparada as concorrentes, além da capacidade de manter tais vantagens, dado que isso é um fator importante e de impacto sobre o retorno das ações.

Por fim, caso queira entender melhor os pormenores do estudo, você pode acessar a versão completa aqui. Até a próxima, investidor!

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Referência

FORSYTH, Juan A.; MONGRUT, Samuel. O duration da vantagem competitiva gera retornos de longo prazo no mercado de ações?. Revista Contabilidade & Finanças, v. 33, p. 329-342, 2022.

Analista de Conteúdo do TC School | Graduando em Economia (UFPB)

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