Quality Minus Junk: conheça o modelo com base no factor investing

Quality Minus Junk: conheça o modelo com base no factor investing

daniel-oliveira

21 JUN

5 MIN

Quality Minus Junk: conheça o modelo com base no factor investing

O fator Quality minus Junk consiste basicamente na estratégia de comprar ações de alta qualidade e vender ações que não apresentam características de qualidade. Mas como funciona este fator de investimento? Quais são as características de qualidade? Como podemos identificar uma ação de qualidade?

Bom, podemos definir um título de qualidade como aquele que possui características que o investidor deve estar disposto a pagar um preço mais alto por ações seguras, lucrativas, crescentes e bem administradas.

Contudo, é necessário, antes, conhecer e identificar as características que definem um título de qualidade. Neste artigo, vamos abordar os seguintes tópicos:

  • O que é o Quality Minus Junk (QMJ)
  • Quais são as características que definem um título de qualidade
  • Quality Minus Junk (QMJ) no Brasil

O que é o Quality Minus Junk (QMJ)?

Quality Minus Junk, em sua tradução literal, significa qualidade menos lixo, e a criação deste fator nos diz que ativos com maior qualidade, deveriam ser mais caros que ativos de baixa qualidade.

Com isso, é possível eliminar retornos ajustados a risco maiores para um portfólio comprado em ativos de alta qualidade e vendido em ativos de características de baixa qualidade.

Contudo, a construção desse fator, Quality Minus Junk (QMJ), pode ser ainda mais utilizada de uma forma bem prática para estudar performance de fundos ou investidores.

Assim como mostramos em nosso artigo sobre o Betting Against Beta (BAB), Pedersen, Frazzini e Kabiller (2014), em um estudo recente, verificaram que o famoso investidor Warren Buffet tende a comprar empresas de alta qualidade, seguras e baratas e que esses fatores podem explicar o alpha significativo gerado em sua empresa ao longo do tempo.

Mas o que leva uma empresa a ser negociada a um preço mais elevado?

Modelo de crescimento de Gordon

O modelo de Gordon (1962) baseia-se na estimativa de dividendos futuros que crescem a taxas constantes e, por conta disso, é preciso que se tenha muita cautela ao utilizá-lo.

Ou seja, no modelo de Gordon, o preço é definido como o fluxo de dividendos dividido por uma taxa que é dada como a subtração entre a taxa de retorno requerida pela empresa e o seu crescimento.

Levando em consideração que o preço não é uma variável estacionária ao longo do tempo, podemos expressar o valor patrimonial (P/B) de uma ação da seguinte forma:

formula Quality Minus Junk

Portanto, a partir desse modelo é possível definir o que leva uma empresa a ser negociada a um preço mais elevado. Uma empresa será considerada de qualidade se for rentável, tiver crescimento e for segura e, por isso, exige um baixo custo de capital.

Dimensão das empresas

Definir preços como altos ou baixos, não é uma tarefa muito fácil, pois depende dos fatores analisados, não é mesmo?!

Então, para que você, investidor, possa ter uma dimensão sobre valor de mercado que tratamos aqui, consideramos uma empresa grande, a empresa Ambev (ABEV3). Considerada, hoje, uma das maiores empresas brasileiras, tem um valor de mercado de aproximadamente R$270 bilhões.

E ainda podemos considerar uma empresa pequena, a empresa Bombril (BOBR4), que tem apenas R$450 milhões de valor de mercado.

Quais são as características de qualidade do Quality Minus Junk (QMJ)?

Para se definir as características de qualidade, elencamos abaixo quatro variáveis, que são intuitivas e vão além do modelo de Gordon em termos de sua relevância para preços das ações.

Lucratividade

A lucratividade é um indicador de eficiência operacional obtido sob a forma de valor percentual, que indica o ganho que a empresa consegue gerar sobre o trabalho que desenvolve. É também um dos principais indicadores econômicos da empresa, ligado diretamente com a competitividade do negócio.

Portanto, ao utilizar o fator de Quality Minus Junk (QMJ), a lucratividade é composta pela combinação de lucro bruto sobre o ativo total, retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), retorno sobre o ativo (ROA), fluxo de caixa sobre o ativo total, margem bruta e provisões derivadas de apropriações por competências (accruals, ACC).

Crescimento

Os investidores também devem pagar um preço mais alto por ações com lucros crescentes. Portanto, além de calcular a lucratividade de um determinado ativo, é necessário realizar o cálculo de cada um dos índices de lucratividade no período dos últimos 5 anos, para que seja possível obter uma análise do crescimento destes ativos.

Segurança

É composto pelo oposto dos betas estimados contra o Índice Ibovespa (BETA), ou seja, quanto menor o beta maior será a contribuição para a segurança.

Entretanto, consideramos como retorno da medida de segurança, por exemplo, beta de mercado e volatilidade e medidas baseadas em fundamentos de segurança, por exemplo, ações com baixa alavancagem, baixa volatilidade de rentabilidade e baixo risco de crédito.

Payout

O índice de payout é a fração dos lucros pagos aos acionistas. Essa característica é determinada pela administração e pode ser vista como uma medida de simpatia dos acionistas.

Entretanto, os conflitos de agência da administração são diminuídos à medida que, os fluxos de caixa livre, são reduzidos por meio de dividendos mais altos. Também devemos considerar ambos os pagamentos líquidos, bem como sua emissão (diluição).

De fato, se um maior pagamento está associado a uma rentabilidade ou crescimento futuro menor, então, isso não deve demandar um preço mais alto, mas um pagamento mais alto deve ser positivo quando temos todos outros fatores constantes.

Quality Minus Junk (QMJ) no Brasil

Os autores Asness, Frazzini e Pedersen, que criaram o Quality Minus Junk (QMJ), realizaram os testes nos EUA e em outros 24 países, e o Brasil infelizmente não estava incluído.

Entretanto, autores como Pistili (2019), criaram o fator de qualidade a partir das mesmas métricas, e constataram que empresas de qualidade, assim como para a amostra global, demandam preços mais altos para os investidores.

Contudo, também notaram que o portfólio criado para comprar empresas de maior qualidade e vender as empresas de menor qualidade, tem um retorno positivo ao longo do período analisado.

Além disso, a característica qualidade é persistente ao longo do tempo, ou seja, uma empresa de qualidade hoje, possivelmente se manterá com essa característica no futuro.

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Referências

Asness, Clifford S & Franzini, Andrea & Pedersen, Lasse (2013). Quality Minus Junk. Yale Economics – Working Paper.

Asness, Clifford S & Franzini, Andrea & Pedersen, Lasse (2018). Quality Minus Junk. Yale
Economics – EconPapers.

Pistili, Gustavo (2019). Investimento em fatores: Entendendo o fator qualidade para o Brasil. Dissertação de mestrado, Insper – São Paulo.

Contador e Mestrando em Controladoria e Finanças (UFMG)

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