Como os investidores se utilizam das informações ESG?

Como os investidores se utilizam das informações ESG?

maria-isaura

20 MAI

5 MIN

Como os investidores se utilizam das informações ESG?

Olá, investidor! A pegada da sustentabilidade está em alta no mundo dos investimentos, mas como e por que os investidores utilizam as informações ESG para guiar decisões de alocação de recursos? Aqui revisamos informações de um estudo empírico em finanças que explicam essas questões. Vamos abordar os seguintes pontos:

  • Por que as informações ESG são importantes?
  • Por que os investidores usam as informações ESG?
  • Como os investidores usam as informações ESG?
  • Brasil: empresas e divulgações de ESG

Por que as informações ESG são importantes?

As informações ESG produzem efeitos no contexto econômico e na interação dos agentes de mercado. As empresas que realizam a divulgação contam com menor restrição financeira, por exemplo.

Este pode ser um fator chave, pois o dinheiro em caixa significa, para a empresa, a possibilidade de investir em bons projetos no momento oportuno.

Também há outras características, como os menores custos de capital – as empresas que fazem essas divulgações possuem maior credibilidade junto a credores e acionistas, fundamentando menores taxas de juros em relação às que não o fazem.

Para as indústrias, entidades cujo setor de atuação tende a apresentar impactos ambientais notáveis em decorrência dos processos produtivos, a relação entre o desempenho econômico da organização e o modo como os investidores utilizam as informações ESG é ainda mais evidente.

Assim, as informações ESG possuem grande valor preditivo para a avaliação do desempenho financeiro futuro da companhia e a divulgação dessas informações torna as ações da companhia menos voláteis – os preços das ações passam a variar mais em decorrência de informações específicas da companhia (Amel-Zadeh e Serafeim, 2017).

Por que os investidores usam as informações ESG?

Como lembramos acima, a responsabilidade socioambiental tem ganhado destaque nos últimos anos e isto reflete nos mercados financeiros: influenciam o comportamento econômico e as interações no mercado. Contudo, os motivos que levam os investidores a considerar essas informações para tomar decisões ainda é pouco explorado.

Os dados do estudo de Amel-Zadeh e Serafeim (2017) revelam que a maioria esmagadora dos investidores consideram as informações ESG – um percentual de 82% dos respondentes!

Destes, a maioria elencou a materialidade das informações de ESG para a performance do investimento: as empresas que fazem essas divulgações são relacionadas a um melhor desempenho econômico.

Outros motivos que levam os investidores a usar as informações de sustentabilidade e responsabilidade social incluem:

  • Atendimento às demandas da clientela crescente – os clientes têm dado preferência a produtos fornecidos por empresas socialmente responsáveis;
  • Acreditam que políticas sustentáveis estimulam mudança nas firmas – os investidores acreditam que empresas que adotam políticas sustentáveis se adequam de acordo com essas políticas, tornando-se socialmente aceitas;

Faz parte da estratégia de investimento – o investimento em empresas que possuem práticas de ESG ganha importância por si só para os investidores, constituindo as estratégias de investimento.

Por fim, é importante lembrar que, embora diversos consumidores priorizem empresas eticamente corretas por estarem ajudando o meio ambiente e a sociedade, nos investimentos, geralmente a dinâmica não é a mesma.

Os investidores, de acordo com os resultados do estudo, são motivados mais por razões financeiras que as éticas ao usarem informações ESG. E é sobre isso que vamos tratar agora.

Como os investidores usam as informações de ESG?

Na prática, as formas mais comuns de uso das informações ESG para fins investimentos são (Amel-Zadeh e Serafeim, 2017):

  • Engajamento: uso do poder de acionista para influenciar o comportamento da organização através do engajamento corporativo direto (por exemplo, comunicação com gestor sênior e/ou conselho das companhias);
  • Integração com a avaliação individual da ação: é a inclusão explícita de fatores de ESG em análises financeiras tradicionais (por exemplo, inclusão de variáveis de ESG para estimação de fluxos de caixa, custo de capital, etc.);
  • Triagem negativa: é a exclusão de certos setores, companhias ou práticas em um fundo ou portfólio tendo por base um critério de ESG específico;
  • Investimentos temáticos: é o investimento em temas ou ativos especificamente relacionados a fatores de ESG, como energias renováveis, tecnologia sustentável ou agricultura sustentável;
  • Sobreposição/inclinação do portfólio: é o uso de determinadas estratégias de investimentos ou produtos para mudar características agregadas específicas de ESG de um fundo ou portfólio (como inclinar/filtrar um portfólio de acordo com as metas de redução de gases do efeito estufa – GEE);
  • Triagem positiva: inclusão de certos setores, companhias ou projetos em um fundo ou portfólio com base em critérios ESG mínimos específicos.

Brasil: empresas e divulgações de ESG

As empresas de capital aberto brasileiras demonstram preocupação com as divulgações e práticas de ESG, ficando bem à frente dos demais países emergentes (Martins, 2021).

Assim, as empresas brasileiras reconhecem a importância de realizar divulgações acerca das práticas ESG diante das preferências dos investidores.

Esse cenário, porém, pode ser afetado em situações em que as empresas passam por queda de competitividade: foi o que aconteceu na crise política no país em 2015, quando houve retrocesso nas práticas de ESG e assim, nas divulgações.

Além disso, empresas cujos setores são mais sensíveis, como as indústrias, possuem maior performance ambiental no contexto das economias emergentes, como o Brasil (Garcia, Mendes-Da-Silva e Orsato, 2017).

Destacamos, nesse sentido, que os investidores tendem a dar maior importância às informações ESG quando a empresa operacionaliza atividades de maior impacto ambiental.

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Referências

Amel-Zadeh, Amir e Serafeim, George, Why and How Investors Use ESG Information: Evidence from a Global Survey (2017). Financial Analysts Journal, 2018, vol. 74, ed. 3, p. 87-103., disponível em SSRN: https://ssrn.com/abstract=2925310 or https://dx.doi.org/10.2139/ssrn.2925310

Garcia, Alexandre Sanches; Mendes-Da-Silva, Wesley, e Orsato, Renato J. Sensitive Industries Produce Better ESG Performance: Evidence from Emerging Markets. Journal of Cleaner Production 150 (2017). p.135-47. doi: 10.1016/j.jclepro.2017.02.180

Martins, H. C. Competition and ESG practices in emerging markets: Evidence from a difference-in-differences model (2021). Finance Research Letters, 102371. doi:10.1016/j.frl.2021.102371

Graduanda em Ciências Contábeis (UFPB) | Membro do projeto de extensão Quantum

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