Betting Against Beta: betas baixos geram prêmios maiores do que esperado?

Betting Against Beta: betas baixos geram prêmios maiores do que esperado?

daniel-oliveira

07 JUN

5 MIN

Betting Against Beta: betas baixos geram prêmios maiores do que esperado?

Olá, caro investidor! Se você está em busca de uma estratégia para alavancar sua carteira, esse artigo é para você! Na busca por fatores para obter resultados na carteira de investimentos, encontramos um fator de investimento importante: Betting Against Beta (BAB). Este fator faz jus ao nome, pois trata-se de uma estratégia de investimento que consiste em apostar contra o beta.

Com isso, você deve estar pensando: “O que é apostar contra o beta? Como posso apostar contra o beta? Como funciona essa aposta no Brasil? Geram resultados? Quem aposta contra o beta?”.

Se você pensou nisso e está com dúvidas, continue comigo, pois neste artigo veremos os seguintes tópicos:

  • Como surgiu o Betting Against Beta (BAB)?
  • O uso do Betting Against Beta (BAB) pela empresa de Warren Buffett
  • A estratégia de Betting Against Beta (BAB) no Brasil

Como surgiu o Betting Against Beta?

Antes de sair por aí comprando e vendendo ativos da sua carteira, vamos relembrar algumas definições.

Preparei este artigo em ordem cronológica de pesquisas realizadas durante o desenvolvimento do Betting Against Beta (BAB) para que facilite a sua compreensão a respeito deste fator e, claro, consiga aplicar em sua carteira.

Alavancagem irrestrita

Bom, se você é um leitor assíduo do nosso blog, já sabe que o Capital Asset Pricing Model (CAPM) implica em uma relação direta entre o retorno esperado de um ativo e seu beta. Assim, quando aplicado no modelo, assume o papel de ponderador entre aquele retorno e o retorno excessivo da carteira de mercado.

Ou seja, uma das premissas básicas do modelo é que todos agentes investem em carteiras com o maior retorno esperado por unidade de risco, podendo alavancar e desalavancar este portfólio, sem gerar custos adicionais, segundo seu apetite pelo risco.

Entretanto, ao comparar essa premissa com a capacidade de alavancagem real dos investidores, esta relação antes estabelecida, começa a ser questionada.

Alavancagem restrita

Em 1972, Black desenvolveu um modelo que foi capaz de modificar a premissa do CAPM que implica alavancagem irrestrita. Ele assumiu a proposição de que existe restrição total ao financiamento, ou seja, nenhum investidor tem acesso a um capital que não seja o seu próprio.

O resultado foi uma relação linear entre o retorno esperado de um ativo e dois fatores, um que cresce com o beta, e outro que diminui. Este modelo ficou conhecido como modelo de dois fatores.

Betting Against Beta (BAB)

Já em 2014, Frazzini e Pedersen resolveram relaxar a premissa de restrição total ao financiamento considerada por Black, levando em conta as diferentes combinações de possibilidades de acesso ao financiamento e restrição de margem distribuídas entre os investidores.

Assim como nosso amigo Black, Frazzini e Pedersen também chegaram a um modelo de dois fatores e à conclusão de que carteiras de baixo beta possuem maior retorno esperado do que as de alto beta. Esta proposição ficou conhecida como Betting Against Beta (BAB).

Eles mostraram que o retorno esperado de carteiras compradas em ativos de baixo beta e vendidas em ativos de alto beta, condicionado às informações conhecidas no momento de construí-las, é positivo.

Além disso, evidenciaram este fenômeno em alguns mercados internacionais e entre diferentes classes de ativos.

Warren Buffett e o Betting Against Beta

Um estudo feito por Frazzini e Pedersen (2014) examinou as participações da Berkshire Hathaway, corporação de capital aberto administrada por Warren Buffett, que detém uma carteira diversificada de ações e emprega alavancagem.

Após análises, eles constataram nos resultados que a Berkshire Hathaway mostrava um padrão: Warren Buffett aposta contra beta comprando ações com betas significativamente abaixo de 1 (um) e aplicava alavancagem.

Betting Against Beta no Brasil

Agora que você sabe que um dos investidores mais bem sucedidos do mundo utiliza a estratégia de Betting Against Beta, você pode estar se questionando: “Será que esta estratégia funciona no mercado brasileiro?”.

A resposta é SIM!

Segundo estudo publicado por Nascimento (2017), foi verificado empiricamente que no mercado acionário brasileiro, o retorno das carteiras Betting Against Beta (BAB) foi positivo. Além disso, foi o maior entre todas as carteiras, ficando inclusive com o maior retorno esperado em excesso por unidade de risco.

Alpha e Índice de Sharpe

Além de evidenciar que o retorno das carteiras BAB foi positivo, Nascimento (2017) também verificou que tanto o alfa como o índice de Sharpe tendem a ser menores, quanto maior for o beta, confirmando a aplicação da teoria de Frazzini e Pedersen no mercado acionário brasileiro.

Este fenômeno ficou ainda mais evidente nas regressões utilizando as carteiras BAB (Betting Against Beta) como variável explicativa.

Vamos dar uma olhada abaixo como se comportou o índice de Sharpe dos portfólios ranqueados pelos respectivos betas ex ante da carteira BAB. Carteira de mercado Ibovespa.

Fonte: Felipe Nascimento (2017), p. 30

Ou seja, lembra aquela dúvida sobre a eficiência deste fator no mercado brasileiro, que você estava ao começar a ler este artigo? Certamente não existe mais, pois o retorno de fato é positivo no mercado acionário brasileiro.

O que aprendemos com isso?

Portanto, até aqui tentei resumir e conceituar alguns pontos importantes sobre o Betting Against Beta (BAB).

Agora, convido você, leitor e investidor, a continuar o estudo sobre esta estratégia tão importante, para melhor aproveitamento e aplicação na sua carteira.

Podemos concluir que a estratégia de apostar contra o beta pode trazer maiores retornos a sua carteira, pois como vimos, este fator ainda pouco conhecido, já é utilizado por um dos maiores investidores do mundo.

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Referências

BLACK, Fischer et al. The capital asset pricing model: Some empirical tests. Studies in the theory of capital markets, v. 81, n. 3, p. 79-121, 1972.

FRAZZINI, Andrea; PEDERSEN, Lasse Heje. Betting against beta. Journal of Financial Economics, v. 111, n. 1, p. 1-25, 2014.

NASCIMENTO, Felipe, Betting Against Beta no mercado acionário brasileiro. Tese de dissertação, FGV, São Paulo, 2017.

Contador e Mestrando em Controladoria e Finanças (UFMG)

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