Inflação implícita: o que é e como funciona?

Inflação implícita: o que é e como funciona?

elizabeth-farias

05 JAN

5 MIN

Inflação implícita: o que é e como funciona?

A inflação implícita é um conceito que está muito ligado a duas opções de investimentos que você deve conhecer: os prefixados e os indexados à inflação. São duas formas bastante comuns de se remunerar um investidor de títulos de renda fixa. Assim, no artigo de hoje vamos entender mais a fundo a definição de inflação implícita e como ela funciona.

  • O que é inflação implícita?
  • Hipótese de Fisher
  • Quais determinantes da inflação implícita?
  • Conclusão

Boa leitura!

O que é inflação implícita?

De forma bem simples, a inflação implícita equivale às expectativas de variação futura do índice de preços, a partir da diferença entre as taxas de juros nominal e real. Logo, quanto maior a inflação implícita maior é a variação de preços prospectiva.

Para entender melhor o conceito por detrás do cálculo da inflação implícita destaca-se a hipótese de Fisher, que descreve a relação existente entre a taxa de juros nominal e inflação esperada, na sua formatação mais reduzida:

Onde:

 é a taxa de juros nominal;

 são a taxa de juros real e a expectativa de inflação, respectivamente.

Assim, a inflação implícita pode ser obtida pela equação de Fisher, onde admite-se que a taxa de juros nominal é uma composição entre a taxa de juros real e a taxa de inflação esperada para o período t.

Hipótese de Fisher

A hipótese de Fisher está baseada na ideia de que os indivíduos são capazes de avaliar a variação de preços de bens e serviços e incorporar a inflação esperada nas taxas de juros nominal dos títulos existentes (ROCHA, 1988). Com isso, a mudança de preços futura é obtida a partir da diferença entre as taxas de títulos de renda fixa nominais e reais negociadas no mercado.

Neste contexto, títulos reais são definidos como ativos livre de risco da economia, a exemplo das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), dado que sua correção está atrelada ao IPCA, tal classe de ativo fornece aos agentes a manutenção do poder de compra.

Ademais, os títulos nominais atribuem-se de um valor monetário prefixado, a exemplo do Letras do Tesouro Nacional (LTN). Essa classe de ativos está sujeita a riscos inflacionários, ou melhor, a surpresa inflacionária que pode diluir, ou não, o poder de compra dos agentes.

Por se tratar da simples diferença entre as taxas nominais e reais, o cálculo da inflação implícita pode ser materializado a partir de:

Fonte: Anbima

Adicionalmente, posto que as taxas de juros nominais são ajustadas às mudanças nas expectativas dos níveis de preços. Em termos empíricos, Fisher (1930) constatou que a taxa real de juros real era mais volátil do que a taxa nominal.

Sendo assim, a projeção de inflação e a inflação observada podem diferir por um erro de previsão, isto é, pode haver o comportamento errático da taxa de juros, onde as mudanças no nível de preços não são incorporadas de forma eficiente nas taxas (ROCHA, 1988).

Quais determinantes da inflação implícita?

Partindo dessa proposição, o risco inflacionário deve exigir uma remuneração adicional para os prêmios dos títulos nominais, definido como “prêmio de risco da inflação”.

Dessa forma, é importante falarmos sobre uma questão de suma relevância, mas pouco discutida, que propõe responder a seguinte reflexão: seria mesmo a inflação implícita definida apenas pelas expectativas inflacionárias?

A resposta para esta pergunta foi a principal motivação para o trabalho de Vicente e Graminho (2015), onde afirmam que “não!”, ou melhor, a inflação implícita não é exclusivamente determinada pelas expectativas de inflação, mas apenas um dos seus componentes.

Existem, então, de acordo com Vicente e Graminho (2015), outros determinantes para inflação implícita além das expectativas de inflação:

i) prêmio de risco de inflação;

ii) prêmio de liquidez e;

iii) convexidade.

O prêmio de liquidez estaria relacionado à menor liquidez dos títulos indexados à inflação, uma vez que os agentes podem requerer uma taxa de remuneração adicional pela dificuldade de sair de uma posição no mercado.

Outro fator, a convexidade, está ligada à função convexa entre os preços dos títulos e as taxas de rentabilidade, isto é, a relação desproporcional entre taxa e preço – desigualdade de Jensen – torna necessário a correção dos valores esperados dessa função. (VICENTE; GRAMINHO, 2015).

Por serem termos não observáveis, o objetivo trazido por Vicente e Graminho na decomposição da inflação implícita sugere vias de complexidade de modelos que não serão abordados nesse artigo.

Diante dos principais resultados apresentados pelos autores, foi observado que a expectativa de inflação deve explicar cerca de 60% da variação da inflação implícita, e apesar de não exercer influências de maneira isolada, representa em termos de composição, o componente de maior peso na inflação implícita.

O entendimento dos outros componentes parte da esfera de que a inflação implícita pode não representar com consistência a dinâmica de inflação futura. Embora a alta capacidade preditiva para inflação, pode haver momentos em que a inflação implícita deve não capturar com exatidão a trajetória de inflação, gerando momentos de distorções entre o mercado e a “economia real”.

Conclusão

Portanto, a expectativa de inflação é o principal determinante da inflação implícita, sendo a diferença entre as taxas nominais e reais, trazida pela hipótese de Fisher, o método mais fácil para mensuração desta variável tão comum ao linguajar de mercado.

Entretanto, a sua aplicação na forma mais simplificada não inclui componentes importantes, o que pode acabar por super ou subestimar a taxa de inflação implícita.

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Referências:

FISHER, Irving. The theory of interest. A.M. Kelley Publishers, 1974, p. 407-16.I. ed., N. York, McMillan Company, 1930.

ROCHA, Roberto de Rezende. Juros e Inflação: uma análise da equação de Fisher para o Brasil. Fundação Getulio Vargas, 1988.

VICENTE, José Valentim Machado; GRAMINHO, Flávia Mourão. Decompondo a inflação implícita. Revista Brasileira de Economia, v. 69, p. 263-284, 2015.

Economista Jr. no TC

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