Elevação da Selic muda cálculo de rentabilidade da poupança; entenda

Elevação da Selic muda cálculo de rentabilidade da poupança; entenda

Elevação da Selic muda cálculo de rentabilidade da poupança; entenda

O rendimento da poupança irá mudar com a nova taxa básica de juros. Pegue já sua calculadora e vamos entender melhor a nova rentabilidade!

A decisão do Copom de aumentar a taxa Selic em mais 1,5%, na última quarta-feira, tem grandes impactos na economia brasileira. E um impacto importante e especial na Caderneta de Poupança. 

Instrumento financeiro mais comum no Brasil, o rendimento da poupança está atrelado à taxa básica de juros — Selic. Isso significa que a variação da rentabilidade vai sofrer uma mudança significativa e importante a partir de agora. 

Com isso, deixar o dinheiro na poupança fica mais ou menos vantajoso? O que muda de fato para quem tem o dinheiro na poupança e conta com esta rentabilidade? 

São essas perguntas que espero responder hoje. Lembrando que a ideia não é fazer nenhum tipo de recomendação do que você deve fazer com o seu dinheiro, mas esclarecer situações que podem ser decisivas para suas decisões.

Nesse texto você vai encontrar:

  • As regras do rendimento da poupança
  • Poupança x Inflação
  • Rendimento da poupança: vantagens e desvantagens

As regras do rendimento da poupança

As regras de rendimento da poupança são bem simples de entender. E práticas. Desde 2012, a remuneração é definida com base no patamar da Selic. São duas possibilidades:

  • Selic igual ou abaixo de 8,5% ao ano: poupança rende 70% da Selic mais a Taxa Referencial;
  • Selic acima de 8,5% ao ano: poupança rende 0,5% mensal mais a TR, o que significa um rendimento de 6,17% ao ano mais a TR.

Essa decisão foi tomada pelo governo lá em 2012 quando a taxa de juros se aproximou das mínimas históricas – para o momento – de 7,25%. A intenção era evitar uma saída desenfreada de investidores dos títulos públicos para a poupança. Isso porque a poupança tinha o rendimento fixo de 0,5% ao mês (6,17% ao ano). Lembrando que não há a incidência do imposto de renda.

Com essa intenção de evitar um desinteresse pelos títulos públicos, houve a alteração na regra de remuneração da poupança. 

Rendimento da poupança: vantagens e desvantagens

Então, já temos certo que a poupança passa a render 0,5% ao mês enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. E isso deve acontecer por alguns meses, já que no comunicado da última reunião o Copom adiantou que deve aplicar um aumento de 1,5% no próximo encontro, o que vai elevar a Selic para 10,75%.

O primeiro ponto é entender que novas variações positivas da Selic não terão mais qualquer influência na remuneração da aplicação. O rendimento da poupança só volta a se alterar quando a Selic cair para o patamar de 8,5% ao ano ou abaixo dele. Ou seja, o rendimento da poupança não cresce mais de acordo com as regras atuais. Qualquer movimentação será para diminuir sua rentabilidade. 

Esse ponto é importante porque, ao compararmos a poupança com títulos de renda fixa, haverá um gap cada vez maior entre os dois à medida que a Selic continue subindo. Isso não significa que a poupança vai render menos. Ela está rendendo mais do que estava até então, mas a diferença entre elas e outros títulos de renda fixa vai ficar maior.

Para entender, vamos fazer uma comparação do rendimento da poupança com a taxa Selic, considerado o título público mais seguro. Para a comparação, vamos projetar R$ 1 mil investidos por um ano e um dia. Nesse caso, a taxa de IR que incide sobre o investimento é de 17,5%. 

  • Rendimento da Poupança: R$ 61,70
  • Rendimento do Tesouro Selic: 76,31

Poupança x Inflação

No tópico acima mostrei a diferença de rentabilidade de um valor investido na poupança e no Tesouro Selic com o novo patamar da taxa de juros. Somente por essa comparação é possível entender que a rentabilidade da poupança não é tão vantajosa assim. Mas há outro ponto que deve ser levado em consideração também: o rendimento real.

O que mostrei é o rendimento nominal, ou seja, quanto os R$ 1 mil vão render em números absolutos. Só que quando falamos de investimentos, de rentabilizar um capital, temos que acompanhar também o desempenho da inflação para saber se a opção escolhida foi suficiente para manter ou aumentar o poder de compra ao longo do tempo.

A inflação atual medida pelo IPCA é de 10,67%, o que significa que R$ 106,70 dos R$ 1 mil seriam corroídos ao longo de um ano. Mas essa é a inflação passada. Serve para ter uma base, mas devemos olhar a projeção do IPCA. Para isso, levarei em consideração a projeção do Boletim Focus. 

A estimativa é que a inflação termine em 10,15% neste ano e chegue a 5% no final de 2022. É o que vai acontecer? Não sabemos, mas podemos usar como parâmetro para o entendimento do assunto. 

Com a inflação na casa dos 10%, o investidor que mantiver o dinheiro na poupança verá seu poder de compra ser corroído ao longo do tempo. Caso a Selic ultrapasse e permaneça acima dos 10% por um bom período, esse mesmo investidor vai conseguir uma rentabilidade acima da inflação. No entanto, não terá o mesmo sucesso com a poupança.

Por outro lado, se a projeção do Focus for acertada, e a inflação ficar na casa dos 5% em 2022, o dinheiro que estava na poupança terá um rendimento real positivo. 

Reflexão sobre o novo rendimento da poupança

Mas aqui vale uma reflexão: se uma pessoa não tirou o dinheiro dela da poupança quando a Selic estava a 2%, não vai ser agora, com o rendimento de 6,17% ao ano que ela vai tirar porque outros produtos rendem mais. O que importa para essa pessoa está longe de ser a rentabilidade de algum tipo de produto. A questão, nesse caso, é a segurança e o conhecimento.

É por isso que fiz questão de ressaltar, no começo do texto, que a ideia não era fazer nenhum tipo de recomendação ou induzir alguém, A ideia aqui foi de te mostrar como a rentabilidade da poupança mudou e como essa alteração pode te afetar no dia a dia. Seja em relação à inflação, seja na questão de maior tranquilidade ao ter um rendimento maior na poupança.

Com base no impacto da alteração da Selic, você pode agora tomar as decisões baseadas em seus objetivos e condições financeiras. No final, eles é quem devem ditar quais instrumentos você utilizará para investir seu dinheiro.

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