Novos investidores, velhas práticas: perfil dos investidores na B3

Novos investidores, velhas práticas: perfil dos investidores na B3

Novos investidores, velhas práticas: perfil dos investidores na B3

O número de investidores brasileiro na bolsa de valores tem crescido ano após anos. Essa é uma constatação do levantamento feito pela B3 para avaliar o perfil das pessoas físicas com contas na instituição. Perceba a evolução de CPFs de novos investidores na bolsa extraída da pesquisa.


Fonte: B3

Mas como são, de onde são e quanto investem estas pessoas?

Algumas destas respostas têm mudado ao longo do tempo e apresentam um cenário interessante no primeiro trimestre de 2022. Com o levantamento da B3 em mãos, tracei algumas particularidades que chamam atenção em relação aos investidores nacionais.

Hoje vou explorar um pouco do perfil dessa nova quantidade de investidores na bolsa de valores. Vou analisar patrimônio, valor inicial, idade, sexo, região do Brasil e quantidade de ativos na carteira de investimentos.
Esses são alguns pontos que destacarei nas próximas linhas para que você conheça melhor o perfil do investidor brasileiro na bolsa.

Nesse texto você vai encontrar:

  • Renda fixa: a queridinha
  • Mais investidores, menores valores
  • Diversificação maior
  • Faixa etária
  • Presença feminina
  • Investidores por região

Renda fixa: a queridinha

O número de investidores pessoas físicas tem aumentado de forma considerável nos últimos anos. Desde 2020, a média de investidores que fazem ao menos um negócio por mês está acima de 1 milhão. Mas a quantidade de investidores está bem acima disso.

De acordo com o último levantamento da B3, são 4,3 milhões de brasileiros que investem R$ 524 bilhões no mercado financeiro brasileiro. Um crescimento de 44% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Os investidores, sejam os novos ou antigos, têm uma preferência clara: a renda fixa. Do total de pessoas físicas na B3, 62% possuem apenas títulos de renda fixa. Neste contexto, a renda fixa inclui aplicações de investimento automático, além dos títulos que foram considerados: CDB, RDB, LC, LCI, LCA, CRA, CRI, DEBENTURES, NC, LH, COE.

Mas não chamou atenção somente o número de pessoas que possuem exclusivamente renda fixa. Houve um crescimento no número de investidores que possuem renda fixa e equities. Esse conjunto teve uma evolução de aproximadamente 350 mil investidores em uma comparação entre dezembro de 2020 e março de 2022.

Mais investidores, menores valores

Na mesma medida que a B3 comemora o aumento do número de brasileiros investidores, há um outro dado que chama atenção ligado aos investidores. Cada vez mais, esses novos participantes do mercado financeiro entram com valores mais baixos.

Por um lado, esse pode ser um sinal de popularização dos investimentos, que passa a atingir uma variedade maior de pessoas, com capacidade financeira diferentes. Por outro lado, pode ser um alerta em relação ao poder de investimento dos brasileiros ao longo do tempo.

De acordo com os dados da B3, a mediana de primeiro investimento das 99 mil pessoas que entraram em março de 2002 foi de R$ 94. Em janeiro de 2020, por exemplo, esse número era R$ 1.599.

Do total de novos investidores em março, 37% fez seu investimento com até R$ 40. Já 62% dos entrantes investiram até R$ 200.


Fonte: B3

Diversificação maior

Mais investidores, menor valor inicial, mas também uma maior diversificação nos investimentos. A B3 notou um crescimento no número de investidores com mais de um ativo em posse. Os brasileiros estão alocando cada vez mais em ativos como ações, FIIs, ETFs e BDRs.

A entidade destacou que os detentores exclusivamente de ações eram uma base concentrada até 2020. Em 2016, por exemplo, 75% das pessoas físicas tinham apenas ações. Esse número caiu para 35% neste último levantamento. BDRs e Ações+FIIs foram os itens que tiveram maiores crescimentos.

Houve também um aumento no número de novos investidores com mais de cinco tickers. Estes eram 21% em 2016 e agora subira para 37%. Eles representam 73% do saldo total em custódia pelas pessoas físicas na B3.


Fonte: B3

Faixa etária

De acordo com a pesquisa da B3, a maior parte dos investidores entra no mercado de equities na faixa de 25 a 39 anos, representando 46% dos novos entrantes.

Dessa forma, faz com que a concentração de investidores mais velhos, ou seja, mais experientes, se reduza com o passar do tempo. Em 2013, a divisão de faixa etária era da seguinte maneira:

  • >60 anos: 24%
  • 40 a 59 anos: 41%
  • 25 a 39 anos: 33%
  • 19 a 24 anos: 2%
  • 0 a 18 anos: 1%

O cenário se transformando aos poucos. Já em 2018, a situação era a seguinte:

  • >60 anos: 22%
  • 40 a 59 anos: 37%
  • 25 a 39 anos: 37%
  • 19 a 24 anos: 3%
  • 0 a 18 anos: 1%

No primeiro semestre de 2022, a divisão de acordo com a idade dos investidores estava dessa forma:

  • >60 anos: 9%
  • 40 a 59 anos: 29%
  • 25 a 39 anos: 50%
  • 19 a 24 anos: 11%
  • 0 a 18 anos: 1%

Presença Feminina

Apesar do crescimento do número de mulheres investidoras na bolsa brasileira, a maioria segue sendo composta por homens. A proporção entre os dois gêneros tem sofrido pequenas variações ao longo dos anos.

Atualmente, as mulheres compõem 25% do número total de investidores.

Mas, há uma diferença interessante. Apesar de em menor número, as mulheres geralmente entram na bolsa com valores maiores que os homens. A mediana do primeiro investimento mensal feito por investidoras mulheres é de R$ 308, enquanto o feito por homens é de R$ 70.

evolução novos investidores
Fonte: B3

Investidores por região

A concentração histórica dos investidores brasileiros está no Sudeste. É um cenário antigo e que, invariavelmente, tem relação com o desenvolvimento econômico da região. Mas, aos poucos outras regiões têm apresentado crescimentos relativos importantes.

De acordo com o último levantamento da B3, as regiões Norte e Nordeste foram as que apresentaram um maior crescimento relativo entre 2018 e 2022. Vale destacar que a possibilidade de aumentar o número de novos investidores dessas regiões é maior diante da base anterior, já que o mercado financeiro não era tão difundido nesses centros.

As regiões Norte e Nordeste, por exemplo, registraram, respectivamente, um crescimento de 1.040% e 769% no número de investidores nos últimos quatro anos.

Ainda assim, a região Nordeste segue atrás da Sudeste e Sul, em número absoluto de investidores, e a região Norte permanece como a região brasileira com o menor número de CPFs inscritos na bolsa de valores.

novos investidores por estado
Fonte: B3

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