Teoria Institucional: como as empresas se legitimam no mercado?

Teoria Institucional: como as empresas se legitimam no mercado?

iris-sousa

27 ABR

8 MIN

Teoria Institucional: como as empresas se legitimam no mercado?

Você já parou para pensar em como as empresas se influenciam entre si, tendo em vista a concorrência e a necessidade de permanecer no mercado? Essas indagações estão fortemente relacionadas com a Teoria Institucional.

Essa teoria é amplamente estudada pelos acadêmicos da área das ciências sociais e, basicamente, observa a empresa de dentro para fora. Ou seja, como o ambiente, a sociedade – e diversos outros fatores – influenciam as empresas, dado que elas precisam se legitimar no mercado.

Para explicar melhor sobre a teoria, dividiremos os seguinte tópicos:

  • Teoria Institucional: visão geral
  • Desdobramentos da teoria Institucional
  • Importância da Teoria para os Investidores
  • Conclusão

Teoria Institucional: visão geral

De maneira geral, a Teoria Institucional estuda a estrutura e procedimentos organizacionais (normas, regulamentos e pressões) que são moldados por fatores externos às empresas, e afetam o comportamento organizacional em busca de legitimidade.

Ou seja, podemos dizer que as empresas possuem uma necessidade primordial de se manter no mercado (legitimar). Sobretudo, essa sobrevivência ocorre à medida em que a organização atende os padrões esperados para ela.

Em outras palavras, podemos dizer que a teoria institucional procura explicar a estrutura e o funcionamento das organizações como uma realidade socialmente construída.

Sob essa visão, as empresas são vistas como uma organização que atua em função de regras, procedimentos, crenças e valores predominantes em determinado contexto que está inserida.

Nesse sentido, alguns autores buscam estudar como essas pressões externas impactam as empresas. Dimaggio e Powell (1983), explicam que a melhor conceituação para essa teoria é de que as empresas instintivamente se pressionam para se assemelharem umas às outras. Nesse sentido, essas empresas teriam o mesmo agrupamento de características ambientais, sociais e culturais.

Essas afirmativas são o centro de diversas indagações científicas que buscam entender melhor esses conflitos organizacionais e como as empresas atuam frente a essas dificuldades gerais de legitimação.

Por outro lado, os investidores, que possuem grande interesse nessas empresas, podem perceber o impacto dos desdobramentos da teoria sob a governança corporativa, decisões de investimentos, dentre outras atuações que demandam decisões por parte da empresa.

Desdobramentos da Teoria Institucional

Como falado anteriormente, uma das grandes questões da Teoria Institucional diz respeito às empresas buscarem ser semelhantes às demais nas questões de estruturas, procedimentos e ações. Por definição, esse processo é chamado de isomorfismo.

É interessante compreendermos que existem dois tipos de isomorfismo: o competitivo e o institucional. Cada um deles influencia de formas diferentes como a empresa irá se portar frente a necessidade de legitimação.

O isomorfismo competitivo é mais fácil de ser encontrado nas empresas. Nele, há a aplicação de que grupos de empresas andam conjuntamente em direção a um ajustamento ao mundo exterior.

Sendo assim, as companhias precisam analisar o que está acontecendo com as outras empresas e se adaptar o mais rapidamente possível, sob a ameaça de estarem destinadas ao insucesso (Freire e Lucena, 2021).

Com relação ao isomorfismo institucional, há três divisões, conforme postula Freire de Lucena (2021):

  • O isomorfismo coercitivo: tem a sua característica enraizada por pressões formais e informais em torno das organizações, a partir das expectativas culturais perante as organizações em que estão inseridas;
  • Isomorfismo mimético: este se apresenta de modo que as instituições busquem, de certa forma, “copiar” normatizações e padronizações de processos que foram realizados por outras empresas;
  • O isomorfismo normativo: a busca é por uma qualificação (profissionalização) crescente por parte dos membros das organizações e geram novas práticas para o desenvolvimento das empresas.

Nessa perspectiva, as instituições vêm buscando entender as transformações ocorridas em seus ambientes e como passam a incorporá-las no universo da organização em si.

A seguir, vamos ver com mais detalhes como essas incorporações influenciam diferentes decisões em torno da empresa e, deve ser um ponto de observação para os investidores.

Importância da Teoria Institucional para os investidores

Alguns pesquisadores estudam a Teoria Institucional com o grande objetivo de identificar como as empresas estão encarando essas “pressões” externas, de modo que elas sejam incorporadas em seu escopo empresarial.

Esses insights científicos são relevantes para dar luz aos investidores de como as empresas tendem a se comportar frente a pressões inerentes ao seu meio, e, em especial, como isso impacta a formação desta empresa (principal objeto de interesse dos investidores).

Brito, Santos & Andrade (2021), realizaram uma revisão sistemática de 65 artigos que estudaram sobre a Teoria Institucional. Na pesquisa, os autores identificaram as principais frentes de atuação da Teoria no contexto empresarial.

No tópico a seguir, serão resumidas e comentadas as principais relações e identificações feitas pelos pesquisadores.

Governança Corporativa

As instituições funcionam como esferas sociais distintas que diferem entre ambientes. Nas instituições, existem instituições menores, como, por exemplo, setores ou níveis hierárquicos.

Diferentes instituições externas ou internas podem ter interesses distintos e podem surgir “arenas”, onde surge o conflito e o desalinhamento de interesses. Assim, surgem preocupações da empresa na qualidade da governança, procedimento para conduta dado o interesse interno e externo, formações de diversidade de gênero dos conselhos, etc.

Nesse aspecto, foi identificado, a partir do entendimento da instituição, que as empresas estão inclinando-se em algumas tendências empresariais. Tais como:

  • Análises das relações de gênero e inclusão feminina no ambiente corporativo;
  • Discussão da remuneração e ativismos dos conselhos e dos executivos, bem como divulgação de relatórios estratégicos.

Mensuração e Divulgação do Desempenho

As práticas da gestão de desempenho se traduzem no exercício do poder, pois analisam como as organizações estão sobrevivendo e alcançando seus objetivos, a fim de chamar a atenção do mercado e dos stakeholders.

As normas podem oferecer resistência à aplicação de métodos de mensuração, trazendo assim, um impasse para as empresas. Essas investigações emergem algumas tendências:

  • As empresas estão buscando fazer divulgação de informações adicionais (além das convencionais) para angariar legitimidade;
  • Há maior fomento do uso de ferramentas de mensuração.

Finanças Culturais

As distintas realidades culturais podem influenciar aspectos organizacionais. Além disso, nota-se que as organizações precisam adaptar seus comportamentos para que estejam em conformidade com os valores locais.

As questões culturais da empresa vem se tornando cada vez mais relevantes no contexto dos investimentos. Essas observações estão diretamente relacionadas com sustentabilidade empresarial, bem como os processos de ESG.

É possível notar tendências empresariais que se preocupam em legitimar-se a partir dessa cultura e preocupam-se, cada vez mais com questões como:

  • A cultura institucional e questões relativas à corrupção;
  • Impacto da cultura na formação do conselho da empresa;
  • Normas sociais e sua influência na legitimidade das estruturas organizacionais.

Risco, Decisões de Investimento e Financiamento

Outro ponto super relevante para as empresas é o que diz respeito a suas decisões de investimento, financiamento e o risco atrelado à entidade. Ademais, temos de lembrar que cada decisão irá influenciar a forma com que a empresa é vista pelo mercado, e consequentemente, influenciará a sua legitimação.

Dito isso, as organizações estão modificando a maneira como identificam e gerenciam os riscos ao incorporar novas normas, regras, informações e práticas de natureza externa que levam tempo para se tornarem institucionalizadas.

Também se nota que essas pressões gerais influenciam as decisões de investimento e financiamento, bem como todo o risco atrelado a essas questões.

Um dos pontos estudados é de que normas e regras estabelecem limites para o endividamento das empresas. Além disso, há proteção aos credores para diferentes níveis de riscos.

Implicações do Gerenciamento de Resultados

Outro ponto que pode ser alvo de estudo de forma atrelada a Teoria Institucional é com relação ao gerenciamento de resultados.

Sendo assim, as empresas podem buscar mais legitimação e credibilidade com práticas de gerenciamento, pois, em outras palavras, estarão buscando maquiar seus resultados para que sejam bem vistos.

Esse ponto é particularmente interessante, pois o gerenciamento de resultado pode comprometer a veracidade do entendimento de uma determinada informação. Ou seja, há um alerta para caso a empresa recorra a esse artifício como meio de se sobressair em seu nicho.

Conclusão

Como visto, a Teoria Institucional estuda as organizações sob o prisma de que elas incorporam as pressões ambientais e sociais do meio em que está inserida.

Nesse contexto, o investidor pode acender um alerta e passar a observar além do básico, notando que as empresas podem ser influenciadas direta ou indiretamente pelas pressões inerentes a sua sobrevivência. E, por consequência, isso pode afetar o julgamento final do investidor.

Por fim, o texto nos traz uma visão além do básico, investigando as principais vertentes dessa Teoria que é amplamente estudada e utilizada para entender os diferentes contextos em que as organizações estão inseridas.

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Referências

BRITO, A. D.; SANTOS, A. S. D.; ANDRADE, J. C. Teoria Institucional e Finanças: uma Revisão Sistemática da Literatura . Teoria e Prática em Administração, v. 12, n. 1, p. 1-18, 2022.

DiMaggio, P. & Powell, W. The Iron Cage Revisited: Institutional Isomorphism and Collective Rationality in Organizational Fields. American Sociological Review, v. 48, n. 2, p. 147. 1983.

FREIRE, Anna Paola Fernandes; LUCENA, Wenner Glaucio Lopes. Teoria Institucional. In: ALMEIDA, Karla Katiuscia Nóbrega; FRANÇA, Robério Dantas. Teorias aplicadas à pesquisa em Contabilidade: uma introdução às Teorias Econômicas, Organizacionais e Comportamentais. 1. ed. João Pessoa: Editora UFPB, 2021. v. 1, cap.

TEORIA INSTITUCIONAL, p. 62-84. ISBN 978-65-5942-077-3. Disponível em: https://www.editora.ufpb.br/sistema/press5/index.php/UFPB/catalog/book/758. Acesso em: 25 abr. 2022.

Estagiária do TC School | Graduanda em Ciências Contábeis (UFPB)

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