Family Office: saiba o que é e como funciona

Family Office: saiba o que é e como funciona

Family Office: saiba o que é e como funciona

O Império Romano, os Rockefellers e a família J.P Morgan, além de muito dinheiro, esses três grupos também carregam outra coisa em comum. Em épocas diferentes, foram os responsáveis pela popularização do conceito de family office.

A palavra tem origem inicialmente no século VI, onde o administrador familiar ficava responsável por representar a família, tomava as principais decisões financeiras e ficava encarregado de todos os assuntos que envolviam o patrimônio familiar.

Já a abordagem profissional, só teve início no século XIX, juntamente com a industrialização norte-americana. Em 1838, a família J.P Morgan fundou a House of Morgan (criado para administrar os ativos da família), e em 1882, a família Rockefeller fundou seu family office.

O que faz um Family Office?

O conceito moderno de family office surgiu para atender algumas demandas de famílias que possuíam um grande patrimônio. Mas como administrá-lo? Quais tipos de assistências são necessárias? Vale a pena um serviço exclusivo?

A ideia surgiu como uma estrutura que tem a capacidade de organizar e estabelecer uma governança familiar, preservar fortunas familiares e executar serviços que as famílias necessitam.

Um family office, além da gestão de investimentos, possui uma estrutura completa:

  • Análise patrimonial;
  • Assessoria nas áreas fiscal, jurídica, contábil, e de investimentos;
  • Planejamento sucessório, de governança familiar e tributário;
  • Planejamento financeiro (Wealth Management);
  • Educação financeira para membros da família;
  • Acesso a serviços financeiros privados e fiduciários;
  • Serviços de caridade.

Family Office no Brasil

Apesar do serviço já existir há décadas em boa parte do mundo, no Brasil, segundo a agência Reuters, a atividade só surgiu na década de 2010, e administra atualmente um patrimônio aproximado de R$100 bilhões.

Pode-se destacar que, em 2019, apenas 27% dos family offices brasileiros possuíam mais de 10 anos de experiência, 84% ainda não haviam passado por uma transição geracional e somente 27% esperavam passar pela primeira próxima transição geracional nos próximos 10 anos.

No entanto, os resultados financeiros são surpreendentes. Nos últimos 5 anos, 91% dos family offices brasileiros tiveram um aumento em seu patrimônio em termos reais (acima da inflação).

idade dos family offices
Fonte: Family Office report Brasil 2019

Estruturas existentes de Family Office

Single Family Office (SFO): O Single Family Office trata-se do caso onde uma única família é proprietária do Family Office, com o objetivo de poder contar com os serviços de forma exclusiva e personalizada. Entretanto, por existir a necessidade de toda estrutura ser desenvolvida pelo grupo familiar, o family office próprio costuma sair mais caro;

Multi-Family Office (MFO): O Multi-Family Office se diferencia por ter duas ou mais famílias que são proprietárias do Family Office. Além do custo ser um pouco menor, pelo fato de aproveitar a estrutura para distribuir para mais de um família, um Multi-Family Office pode apresentar soluções personalizadas aos seus diferentes clientes;

Professional Family Office (PFO): Já no caso de um Professional Family Office, onde nenhuma família é proprietária do Family Office, consiste em uma empresa privada que oferece os serviços de assessoria patrimonial a várias famílias.

Os diferentes modelos:


Fonte: Habbershon, Williams, & MacMillan, 2003

Apesar dos family offices estarem se popularizando no país, o investidor está acostumado com as grandes corporações de capital aberto com vários executivos e o modelo de gestão empresarial partnership.

Contudo, as empresas familiares representam 90% das empresas constituídas no Brasil, participando de 65% do PIB e 75% da força de trabalho (SILVA, 2020, p. 7).

Mas afinal, qual a definição de uma empresa familiar?

Diferentemente dos demais tipos de negócios, uma empresa familiar acaba sendo um empreendimento onde os donos e funcionários do negócio fazem parte de uma mesma família. A propriedade é controlada por uma única família, cujo dois ou mais membros influenciam significativamente a direção e as políticas dos negócios através de seus cargos de gerência, propriedade, direitos ou papéis familiares (DAVIS. TAGIURI, 1982, p. 200).

O modelo de três círculos das empresas familiares

modelo de três círculos das empresas familiares

Fonte: Family Offices no Brasil: um estudo exploratório

“Que maravilha, também vou criar uma empresa com minha família!”

Apesar das empresas familiares serem a grande maioria das organizações, não somente no Brasil, mas também na Europa, esse tipo de empresa possui vários problemas, e para resolver esses problemas, muitas vezes, um family office é a melhor alternativa.

Contribuindo não somente em benefício da família e das gerações futuras, mas também fortalecendo o desenvolvimento dos países onde esse tipo de empresa é tão forte, abaixo alguns dos problemas mais corriqueiros:

Gestão centralizadora: As características centralizadoras do empreendedor muitas vezes fazem com que o processo de continuidade seja prejudicado (Werner, 2004);

Governança confusa: Um dos grandes problemas para muitos membros das famílias acaba sendo a falta de clareza na missão e os principais valores que baseiam a empresa (John A. Davis, 2014);

Liderança que não se adapta: A liderança se faz crucial para determinar o futuro da empresa, um dos problemas que se destaca é a falta de visão do futuro, não aceita que se adaptar ao ambiente é necessário (John A. Davis, 2014).

Quem deve implementar um Family Office?

Acumular um grande patrimônio é muito bom, no entanto, grandes fortunas exigem um planejamento bem feito, além das necessidades complexas e burocráticas de gestão de patrimônio.

Nesse sentido, muitas vezes, optar por profissionais com experiência e reconhecimento no mercado é o melhor caminho a se tomar. Um fato que contribui para a escolha de um family office é a questão do conflito de interesses, muito presente nos bancos e assessorias.

Como os family offices são focados na gestão de riqueza da família, eles não estão interessados em vender produtos ou serviços específicos. Além de toda a estrutura e as vantagens que os serviços oferecidos podem contribuir para toda a família e seus membros.

Motivações para criação

motivações para criação dos family office
Fonte: Family Offices no Brasil: Um estudo exploratório

As motivações acabam variando bastante para a escolha da criação de um family office. O principal motivo para isso é o fato de que a atribuição do family office é montar uma estrutura dedicada a atender as necessidades específicas de cada família.

A governança aparece novamente, sendo uma das principais motivações para criação é garantir compliance e governança corporativa e familiar, visando aplicar os conceitos de governança para melhorar toda a estrutura e administrar melhor o patrimônio.

Maiores players nesse mercado

Abaixo uma lista com os maiores gestores de patrimônio no mundo e no Brasil desse segmento.

Fonte: Sovereign Wealth Fund Institute – Elaborado pelo próprio autor

Já entre os maiores family offices do Brasil, podemos destacar:

  • Turim Family Office;
  • Consenso;
  • FOSS Family Office Services Switzerland (FOSS);
  • Brazil Wealth Advisory Company
  • Portofino

Conclusão

Existem interessantes insights sobre esse mercado que vem crescendo muito no Brasil desde 2010.

Podemos concluir que os family offices fazem um importante trabalho em contribuir para que as famílias tenham melhor controle sobre seus ativos e passivos, melhorem sua governança patrimonial, possam traçar uma sucessão bem feita e que todos os membros aprendam responsabilidades na utilização dos recursos.

Todas essas questões bem feitas no âmbito da família, melhoram a governança, fomentam a percepção de identidade do grupo e a vontade de todos os membros de permanecerem unidos em torno de um projeto comum.

Integrar todos os assuntos que envolvem o tema pode contribuir muito na abordagem da gestão do seu patrimônio, transformando cada vez mais as famílias investidoras em famílias empresárias.

Família Investidora e o Family Office

Fonte: Family Office Report Brasil

Vale lembrar também que o TC, recentemente, vem entrando nesse mercado, atendendo a necessidade de seus clientes.

A companhia anunciou em 2022 sua entrada no Business de Gestão de Recursos de Terceiros Independente, através da criação do Multi Family Office do TC (“MFO TC”), em linha com os objetivos da empresa de diversificação do seu portfólio e geração de receita.

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Graduando em Economia (UFPR) | Presidente da Liga de Investimentos e Finanças

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