Educação Financeira nas escolas públicas é necessário?

Educação Financeira nas escolas públicas é necessário?

iris-sousa-2

15 JUN

7 MIN

Educação Financeira nas escolas públicas é necessário?

Na última terça-feira (14/06), uma polêmica envolvendo a opinião da deputada Luciana Genro, do partido PSOL, sobre Educação Financeira nas escolas tomou conta das redes sociais.

O assunto iniciou com um vídeo, postado no Twitter, onde a referida deputada alega ser contrária ao projeto que determina a obrigatoriedade de educação financeira nas escolas públicas.

Luciana Genro

Fonte: Twitter

O assunto gerou muita discussão em torno da necessidade ou não de se ensinar Educação Financeira nas escolas públicas.

Nessa perspectiva, o texto de hoje traz uma discussão sobre a importância dessa temática para as crianças e jovens de todas as escolas.

Além disso, abordo um pouco da minha experiência em ter estudado em escola pública, e também, lecionado sobre Educação Financeira para estudantes de escola pública. Nossa reflexão se divide nos seguintes pontos:

  • Importância da Educação Financeira nas escolas
  • É assunto para a escola pública também?
  • Como é na realidade? Relato e experiência
  • Conclusão

Importância da Educação Financeira nas escolas

Em alguns outros textos aqui no TC School já abordamos a importância da Educação Financeira para todos e até mesmo como ela pode acontecer nas escolas. Você pode dar uma conferida para ter uma boa ideia sobre a importância desse tema na sociedade.

Mas, para dar mais ênfase a esta importância, faço adendo em alguns pontos que são importantíssimos de se pensar quando o assunto é inserir esses ensinamentos para jovens e crianças.

O primeiro deles é de que a Educação Financeira não é uma mera matéria a ser aprendida de forma pragmática ou com uma “fórmula padrão”. Na realidade, a mágica desse ensinamento é seu caráter prático.

Se pararmos para pensar um pouco para enxergar a vida como ela é, diariamente lidamos com situações em que é preciso tomar uma decisão que envolve dinheiro (seja para suprir uma necessidade, comprar algo que se deseja e etc). É aqui que a Educação Financeira se aplica, nos ensinando a tomar boas decisões.

Mas, como tomamos boas decisões sem antes conhecer as possibilidades que temos? É praticamente impossível. Nesse cenário sem conhecimentos, se pressupõe que será preciso errar feio para aprender a fazer da forma correta.

Entretanto, quando se trata de dinheiro, errar pode ser um passo fatídico, levando a problemas financeiros graves (estes que estão diretamente relacionados com nosso emocional e psicológico).

Sobretudo, tomar decisões sobre o dinheiro não é uma escolha, é a vida. Então, como podemos desejar adultos que saibam se relacionar bem com seu dinheiro se não existir uma educação prévia?

O papel da escola

É exatamente neste ponto que quero chegar: a escola possui um papel fundamental na formação de um indivíduo (em aspectos práticos, emocionais e psicológicos). É na escola que aprendemos além de matérias, o básico da vida para sobreviver (ou pelo menos deveria ser).

Então, qual outro lugar mais adequado do que a escola para formar adultos aptos a gerir seus recursos? E para ter noções práticas da sociedade como ela é quando o assunto é dinheiro? Ou para aprender os impactos que os juros, a inflação e os impostos (e diversas outras temáticas da educação financeira) têm sobre a nossa vida?

É assunto para a escola pública também?

Após expor um caráter geral sobre a educação financeira nas escolas, entramos no ponto crucial da discussão levantada pelas redes sociais: e as escolas públicas?

Por decorrência, é fato que a escola pública possui uma realidade totalmente diferente de uma escola privada. Essa discussão inclui muitas problemáticas que são muito extensas para serem discutidas aqui e esse não é o foco.

Quando o assunto é educação financeira nas escolas públicas, o assunto se torna mais sensível, pois em suma, a realidade financeira dos estudantes é deficitária, gerando uma necessidade de atenção.

O principal ponto que quero falar aqui é que uma coisa não exclui a outra. As dificuldades financeiras enfrentadas por alunos nesta situação é um fato indiscutível.

Sobretudo, falar de Educação Financeira não é falar de dinheiro, é falar de como nos relacionamos com o dinheiro e como as diferentes vertentes desse universo tem impacto sobre nossa vida, e além disso, o que podemos fazer, levando em conta a nossa própria realidade.

Não é fórmula mágica!

Mais uma vez: educação financeira não é uma fórmula mágica. Existe um fator comportamental intrínseco quando falamos de dinheiro.

A forma como nos sentimos e decidimos sobre nosso dinheiro está diretamente ligada com nossos preceitos, nossas crenças, nossas predisposição e conhecimentos.

Sendo assim, seja aluno de escola pública ou privada, todos devem ter direito ao acesso desses conhecimentos.

Independentemente da sua situação financeira, você será afetado pelo dinheiro, de diferentes formas e em diferentes estágios da sua vida.

E, como fator lógico: todos precisam estar aptos e preparados para lidar com o dinheiro.

Nesse sentido, aprender a se educar financeiramente não se trata apenas de investir ou de gerenciar um patrimônio gigantesco (não é assunto só para ricos). Na realidade, investimento pode ser dito como o “estágio final” de uma ótima educação financeira.

Educar-se financeiramente trata-se de ressignificar a forma que você (e a sociedade) vê e lida com o dinheiro. É expandir os horizontes, independentemente do quão sua realidade seja limitada nesse instante.

Como é na realidade? Relato e experiência

Aqui apresento uma experiência puramente pessoal, não sendo generalizada para todas as pessoas. Sobretudo, me dá suporte prático para defender veementemente a educação financeira nas escolas públicas e privadas.

Toda minha vida educacional foi pautada em escola pública de baixa renda. Em toda a minha vivência enquanto estudante do ensino básico, não tive nenhum direcionamento sobre dinheiro vindo da escola.

Apesar do não contato na escola, acabei sendo educada financeiramente de forma indireta pela realidade que eu e meus familiares vivenciamos em diversos instantes.

Sobretudo, o contato direto com a temática veio apenas na graduação, através do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida. Mesmo projeto referenciado por Felipe Pontes, nosso diretor educacional:

Felipe Pontes

Fonte: Twitter

Em mais detalhes, na época, o projeto foi rejeitado por um avaliador externo à universidade (UFPB). O parecer do avaliador dizia que a “juventude negra da periferia não precisava de educação financeira, porque eles nem sequer tinham o que comer”.

A partir da vivência extensionista no referido projeto, tive contato direto com as escolas públicas. Nessa frente, lecionei aulas de Educação Financeira para uma escola pública da comunidade, situada dentro da própria UFPB. Além disso, tive outras experiências em outras escolas públicas e também privadas.

Nessas experiências tive contato com alunos de diversas classes sociais. Em especial com os alunos de escolas públicas – público que eu particularmente já estava habituada pela vivência enquanto estudante também no ensino público -, consegui perceber alguns insights valiosos da importância desse conteúdo.

O principal fator que destaco é o poder que um conteúdo ministrado dentro de sala de aula têm para fora dela, sendo levado para o âmbito familiar.

Depoimentos dos alunos

Na prossecução das aulas ouvi o relato de diversos estudantes que levaram as ideias estudadas em sala de aula para os pais, ou ainda, percepções que os próprios alunos passaram a ter. Frases como:

“Tia, conversei com minha mãe para gente fazer um orçamento igual ao que a senhora mostrou. Agora a gente criou uma meta de poupar dinheiro pra eu ganhar meu presente”

Me reforçou o tamanho da importância de ensinar essas crianças a ter o mínimo de noção sobre orçamento e planejamento e o que podemos fazer a partir disso.

“Tia, eu gosto de fazer pulseirinhas, acho que dá pra vender pra meus amigos na escola pra ter uma renda extra, né?”

Me deu luz sobre a necessidade de instigar mentes empreendedoras que precisam aprender desde cedo a direcionar suas ideias.

“Tia, depois que aprendi sobre a aula essencial, necessário e supérfluo falei para meus pais gastarem menos com besteiras”

Mostrou o quão precioso é compreender a forma que nos relacionamos com o dinheiro e o grau de importância que cada gasto possui em nossa vida.

Esses conhecimentos (aparentemente triviais) abrem a porta para diversas outras informações do mundo financeiro que devem ser tratadas de forma gradativa e adequada ao nível de instrução e condição social de cada realidade escolar.

E, por consequência, será possível dar forma a uma concepção financeira adequada e eficaz para o agora e o futuro desses jovens.

Conclusão

Por fim, reforço que a educação financeira é assunto que deve ser tratado na escola, seja ela pública ou privada. Acredito que apenas a educação é o caminho para modificar uma realidade para melhor, mesmo que os efeitos surjam apenas no longo prazo.

E além disso, um fator extremamente importante é a forma que esses conhecimentos serão passados para os estudantes. Ou seja, é necessário adequação de conteúdo a partir do grau de instrução, da realidade e do estágio que esses estudantes se encontram.

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Analista de Conteúdo Jr do TC School | Graduanda em Ciências Contábeis (UFPB)

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