Ciclo financeiro: qual relação com a renda ativa e renda passiva?

Ciclo financeiro: qual relação com a renda ativa e renda passiva?

iris-sousa

14 ABR

7 MIN

Ciclo financeiro: qual relação com a renda ativa e renda passiva?

Você certamente já deve ter ouvido falar sobre renda ativa e renda passiva. Em especial, falando sobre a segunda renda mencionada, há uma grande confusão no que diz respeito ao conceito e aplicação de se ter uma renda passiva.

Por definição, renda ativa advém de um esforço, geralmente de um trabalho. Em contraponto, a renda passiva carrega o famoso conceito de fazer o dinheiro trabalhar por você.

Entretanto, com a popularização do tema relacionado a investimentos nos meios digitais de divulgação, há grande ênfase com relação a obtenção de renda passiva, deixando de lado alguns outros conceitos inerentes ao processo de criação de um patrimônio.

Pensando nisso, no tema de hoje vamos falar sobre ciclo de vida financeiro e como está relacionado com a renda passiva e ativa. Os próximos trechos irão se dividir da seguinte forma:

  • Renda ativa x Renda Passiva
  • Ciclo financeiro: visão geral
  • Renda passiva e o ciclo financeiro
  • Conclusão

Renda ativa x Renda Passiva

Por definição da economia clássica, a renda é a remuneração dos fatores de produção, sendo eles: salários (remuneração do fator trabalho), aluguéis (remuneração do fator terra), juros e lucros (remuneração do capital).

Para elucidar esse conceito, devemos saber, inicialmente, que para a existência de um produto final é necessário a criação deste. E quando falamos nessa criação, em termos econômicos, entra a figura dos fatores.

Sendo assim, os fatores de produção se traduzem em esforços que são necessários para que produtos sejam criados para a sociedade. E, por consequência, os indivíduos envolvidos nessa criação serão remunerados.

No geral, existem vários tipos de renda, por exemplo:

  • Salário
  • Pró-labore
  • Comissão
  • Locação de imóvel – Aluguéis
  • Aplicações financeiras – juros, dividendos
  • Aposentadorias
  • Pensões

Entretanto, existe uma distinção mais específica: a renda ativa e a renda passiva.

Renda Ativa

Em poucas palavras, a renda ativa requer uma força de trabalho em sua obtenção. O termo ativa é justamente pelo fato desse tipo de renda requerer que um esforço seja realizado para ocorrência de uma remuneração.

Por exemplo, uma pessoa assalariada precisa dedicar cerca de 8h de trabalho diário para receber seu salário mensal.

Renda Passiva

Já a renda passiva pode ser entendida como a remuneração que não necessita de esforços naquele instante. Justamente pelo termo “passiva” que essa renda é conhecida popularmente pela frase “o dinheiro trabalhar para você”.

Entretanto, além de entender o conceito desse tipo de renda, é importante destacar que ela é proveniente de um esforço anterior. É importante entender isso para não recair no errôneo pensamento de que renda passiva cai do céu.

Em linhas gerais, a renda passiva é produto de um patrimônio ou ainda podemos dizer que é resultado de um esforço desprendido em tempos anteriores. Ou seja, pode não ter havido uma força de trabalho no agora para obtê-la, mas foi necessário fazer sacrifícios financeiros num passado para que ela existisse no agora.

O conceito de renda passiva está diretamente relacionado com outro conceito: o ciclo financeiro. Vamos entender sobre ele no próximo tópico.

Ciclo financeiro: visão geral

Da mesma forma que existem diferentes ciclos no mundo, como exemplo do ciclo biológico dos seres humanos e do ciclo de vida empresarial, há também a existência do ciclo financeiro.

Basicamente, o ciclo financeiro vai nos ensinar que a proporção de renda ativa e renda passiva é diferente em períodos distintos de nossa vida. Além disso, a etapa da vida tem uma “regra de bolso” no que tange os objetivos e propensões financeiras. Para ficar mais fácil de compreender, trago a imagem abaixo que consegue explicitar o que foi falado:

Fonte: Elaboração própria

Podemos dividir o ciclo financeiro basicamente em três momentos:

  1. Juventude;
  2. Meia-idade; e
  3. Terceira idade.

De modo geral, a renda ativa do indivíduo tende a aumentar gradativamente na juventude e na meia idade. Para entendermos isso, basta pensar na ordem natural da construção de uma carreira: estudo, faculdade, mercado de trabalho e consolidação.

Sendo assim, o período da juventude é onde as pessoas irão demandar maior força de trabalho e consequentemente gerar rendimentos ativos. Entretanto, o pulo do gato está aqui – e muitas vezes não é falado pelos influenciadores que querem apenas captar usuários.

Mais importante do que ter renda ativa, é saber usá-la de forma adequada. Pensem comigo: se uma pessoa trabalha e apenas paga suas contas e preza pelo lazer momentâneo, ela está vivendo no limite e esquecendo que sua vida passa por ciclos e, em algum instante, ela precisará de rendimentos passivos.

É exatamente neste ponto que se torna importantíssimo entender o relacionamento do ciclo financeiro que estamos com a renda que possuímos.

Juventude e Renda Ativa

No primeiro ciclo (juventude), é o período de definição de metas, de estudo e de assumir riscos financeiros com a proposição de gerar maiores retornos. É a partir dessa disciplina que será possível criar patrimônio, objetivo estratégico geral desta etapa da vida. Essa hipótese é levantada, pois é o instante da vida em que, em tese, podemos despender maior tempo e força de trabalho.

Após isso, entramos no segundo ciclo, onde espera-se que o indivíduo se encontre com uma consolidação maior de sua carreira, e, consequentemente, com mais responsabilidade. Sendo assim, maiores responsabilidades irá demandar um reajuste de seus objetivos de investimento, podendo ser necessário a alocação em locais mais conservadores.

É válido ressaltar também que esse pode ser o período em que se possua maiores recursos, levantando a possibilidade de maiores investimentos.

O último ciclo comporta o período de aposentadoria, quando não será possível despender tanta força de trabalho e, por decorrência, a renda ativa irá diminuir. A presença da renda passiva aqui é fundamental para equilibrar a obtenção de renda e manter o padrão de vida.

Renda passiva e o ciclo financeiro

Diferente da renda ativa, a renda de natureza passiva tende a crescer gradativamente ao longo do tempo e será resultado de nossa disciplina e esforço.

O ciclo financeiro nos ajuda a compreender isso ao demonstrar que a renda ativa deve ser o principal instrumento para criação de patrimônio. Para deter renda ativa, precisamos exercer algum esforço a ser remunerado. E, por sua vez, o patrimônio irá retornar rendimentos passivos.

O principal ponto da nossa discussão é entender que muitas vezes a renda passiva é disseminada de forma arbitrária e discriminada. Aposto que você já foi atraído por algum vídeo que tinha um título ou capa chamativa. É extremamente comum ver vídeos que tenham títulos sensacionalistas, como: “ganhe dinheiro sem trabalhar” ou “tenha renda passiva de mais de 3.000 reais por mês”.

Contudo, não é possível ter renda passiva de forma instantânea ou milagrosa. Claro que existem diferentes casos e situações, mas se observamos a grande massa populacional, dificilmente alguém terá condições de obter renda passiva de forma instantânea em poucos dias.

O principal ponto de alerta aqui é entender que renda passiva é possível, porém não cai do céu. Passaremos por diferentes ciclos financeiros no decorrer da vida e a ideia é saber utilizar nossos recursos de forma inteligente.

Renda Passiva é resultado de um processo

Conforme vimos na imagem do tópico anterior, a renda passiva é uma construção ao longo dos períodos do ciclo e tem a grande função de equalizar a balança dos nossos rendimentos totais ao longo da vida.

À medida que diminuímos nossa capacidade de trabalho, maior é a tendência de queda da nossa renda ativa. Logo, se quisermos manter o padrão de vida, precisamos complementar essa parcela faltante. É aqui que entra a renda passiva, como resultado de aplicações inteligentes da renda ativa em investimentos e projetos que garantam um crescimento ascendente do patrimônio.

Conclusão

Por fim, deixo o alerta para os investidores, com intuito de não andarem junto com pensamentos equivocados com relação aos investimentos e a própria renda passiva.

Investir é um dos meios que possibilitará a criação de patrimônio e a tão desejada renda passiva. Entretanto, não é um caminho mágico onde todas as respostas serão facilmente respondidas. Conhecer a si mesmo, suas limitações e objetivos é, sem sombra de dúvidas, um dos principais passos antes de buscar fórmulas mágicas para se ter renda passiva.

Além disso, é importante destacar que não existe uma regra ou padrão, existem diferentes situações e possibilidades.

O ciclo financeiro nos auxilia a entender o processo de modo geral, mas há diferentes casos, por exemplo, em que a renda passiva pode ser alta ainda na meia idade. Todavia, com certeza ela é resultado de diferentes condições e do bom uso da renda ativa ainda na juventude.

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Estagiária do TC School | Graduanda em Ciências Contábeis (UFPB)

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