Tudo que você precisa saber sobre o Ethereum 2.0

Tudo que você precisa saber sobre o Ethereum 2.0

vinicius-canhaci

21 JUL

7 MIN

Tudo que você precisa saber sobre o Ethereum 2.0

O Ethereum é atualmente a maior plataforma descentralizada de contratos inteligentes do mundo. O Ethereum e outras blockchains são sistemas peer-to-peer descentralizados, elas exigem um mecanismo de consenso, que garante a segurança e a validação das transações na rede.

Proof-of-Work (PoW) e Proof-of-Stake (PoS) são os mecanismos de consenso mais utilizados atualmente ​​para verificar novas transações e adicioná-las a blockchain.

Proof of Work (Prova de Trabalho) vs. Proof of Stake (Prova de Participação)

No PoW, os mineradores competem para criar o próximo bloco e minerar a próxima moeda por meio do poder computacional.

Nesse sentido, para um invasor assumir o controle da rede, ele deve ter mais poder de computação do que o restante da rede combinada. Ou seja, atacar a rede requer muito poder computacional. A energia gasta pode até superar os ganhos que um atacante faria em um ataque.

O Proof-of-Stake funciona de forma diferente, pois utiliza os tokens em stake como recurso econômico. Ou seja, se você tiver moedas “travadas” dentro do sistema, você assina as transações com essas moedas.

Dessa forma, se algum validador tentar ludibriar esse sistema, ele corre o risco de perder os seus tokens e como consequência perder muito dinheiro.

Assim, para que um invasor assuma o controle, eles exigem mais poder de voto, medido em tokens em stake, do que o restante da rede. Em vez de os mineradores competirem em poder de computação, as redes PoS são protegidas por validadores, a quem os tokens em stake são delegados.

Aproximadamente 10% do fornecimento total de ETH está em stake hoje na Beacon Chain da Ethereum.


ETH´s depositados na Beacon Chain – Fonte: Nansen

No PoS, os validadores são responsáveis ​​por criar e verificar blocos. Uma rede descentralizada pode ser protegida por algumas centenas de validadores com hardwares espalhados pelo mundo. Tornando o sistema mais eficiente em termos de consumo de escalabilidade e energia.

O que é o The Merge?

Ethereum 2.0 é a nova versão da blockchain do Ethereum, uma atualização muito aguardada que estava prevista para o final de 2022, mas que deverá atrasar e ser concluída em 2023.

A atualização transformadora, The Merge, representa a união da camada de execução existente (a Mainnet que usamos hoje) com sua nova camada de consenso PoS, a Beacon Chain.

Confira o que Justin Drake, pesquisador da Fundação Ethereum relata:

“A Beacon Chain introduziu o staking no Ethereum em dezembro de 2020. Basicamente consiste em um livro contábil que conduz e coordena a rede de stakers. Assim, se bem-sucedido, The Merge eliminará o uso de uma enorme quantidade de computadores de mineração com uso intensivo de energia ao fazer a transição para PoS, tornando a ETH mais escalável e reduzindo parte das altas e inviáveis taxas de transação que temos hoje no modelo PoW.”

“Imagine um automóvel com motor a gasolina e adicionamos um segundo motor elétrico para funcionar em paralelo. O motor elétrico é muito mais eficiente. Isso porque para 100 milhas, custa apenas $ 10 em vez de $100 para o motor a gasolina.”

“Neste momento, as rodas estão conectadas ao motor a gasolina. Para The Merge, conectaremos as rodas ao motor elétrico e desligaremos o motor a gasolina.”

Redução de energia

O Ethereum sempre teve como objetivo se tornar PoS, mas pretende fazê-lo sem sacrificar a segurança e a descentralização que levou anos para ser construída. Após o The Merge, o Ethereum planeja se afastar do PoW, reduzindo o consumo de energia em 99,95%.

Ele pretende eliminar a necessidade de os mineradores queimarem energia e reduzir drasticamente o impacto ambiental da segurança da rede.

Deflacionário

O The Merge pretende abandonar os mineradores em favor dos stakers, validando as transações, eventualmente entregando uma redução de 99,95% no consumo de energia e uma queda de 90% na emissão de moedas.

Em agosto de 2021, a gravação foi lançada com a atualização London. A queima (EIP-1559) cria uma pressão deflacionária na rede.

Emissão caindo 90%

ETH é queimado, removendo-o de circulação. Nenhum novo ETH em stake pode entrar no mercado até que as retiradas sejam liberadas no fim do processo.

Alguns na comunidade Ethereum chamam essa transição “Triple Halvening” quando a emissão anual de ETH cai de 4,3% (pré-The Merge) para cerca de 0,4% (pós-The Merge).

“O Ethmerge.com faz referência a isso como um equivalente a “3 halvings do Bitcoin acontecendo ao mesmo tempo”. Para comparação, o Bitcoin atualmente emite 900 BTC diariamente – uma emissão anual de cerca de 1,7% da oferta total de BTC. Os próximos dois “halvenings” reduzirão a emissão do Bitcoin para aproximadamente 0,8% em 2024 e 0,4% em 2028. Com a queda esperada da emissão do Ethereum após “The Merge” para entre 0,3% – 0,4%, não será até 2028 que a emissão do Bitcoin está novamente dentro do alcance do Ethereum.” Bob-Rossi, Ethmerge.com,


Fonte: Ultrasoundmoney

Equívocos do The Merge

Muito se falou sobre a tão esperada atualização, com muitos usuários tendo equívocos sobre o The Merge. Aqui está uma lista rápida para os equívocos mais comuns:

Você pode retirar seu ETH em stake: Incorreto, o The Merge é apenas a transição de PoW para PoS; a próxima atualização “Shangai” permitirá saques dos ETH´s em stake. Assim, o ETH recém-emitido permanecerá bloqueado por pelo menos 6 a 12 meses após o The Merge.

O The Merge reduzirá as taxas de transação: O The Merge não reduzirá as taxas de gás. O sharding, que é uma atualização posterior, reduzirá as taxas de gás. O escalonamento de curto prazo e as taxas mais baixas estarão em L2s, como Optimistic Rollups (Optimism e Arbitrum) e ZK Rollups (ZkSync e Starkware).

Os usuários precisarão atualizar seus apps: Se você é um usuário comum, que não está executando um nó ETH, não há nada que você precise fazer.

Os usuários precisam de 32 ETH para executar um nó: Falso. Qualquer pessoa é livre para sincronizar seu nó; nenhum ETH é necessário antes do The Merge, nem depois, nem nunca. No entanto, são necessários 32 ETH para ser validador do ETH.

O que é real?

O The Merge reduzirá a emissão de ETH: Isso é verdade. Hoje, novos ETH são emitidos da camada de execução (Mainnet) e da camada de consenso (Beacon Chain). Após o The Merge, a emissão da camada de execução irá para zero.

Espera-se que o APR de staking aumente após o The Merge: Isso mesmo. As estimativas apontam para um aumento de 50% nas recompensas de staking.

A bomba de dificuldade (também conhecida como EIP-5133) é essencial para o The Merge. Uma vez acionada, visa incentivar a mudança para PoS, tornando a mineração através do PoW não lucrativa.

Com o EIP-5133 agora atrasado por 2 meses, as preocupações sobre um possível atraso no The Merge também surgiram mesmo depois que os desenvolvedores continuam confiantes de que o último pushback não prejudicaria o cronograma.

Riscos do The Merge

O The Merge é um passo em uma série de atualizações planejadas projetadas para tornar o Ethereum mais escalável e sustentável. Com o EIP-5133, os mineradores não terão outra escolha a não ser deixar a rede.

Com sua saída, a pressão de venda pode cobrir as taxas operacionais. Em último caso, o processo pode ser adiado. Ao confirmar a data de agosto, o cofundador da Ethereum acrescentou que “pode haver um risco de atraso”. Não é fácil mexer nas complexidades do Ethereum.

No ETH 2.0, a barreira técnica para virar validador é bastante alta. O índice de validadores fora de provedores de nodes é extremamente baixo. Além disso, o PoS tem uma tendência de trazer centralização.

Dado que para fazer stake, 99% dos usuários vão usar provedores de nodes, onde o usuário não tem controle sobre as decisões do provedor, a centralização aumenta de forma relevante. Não é coincidência que a Lido Finance tem 31% de todo o validador set da beacon chain. Se o validador ficar offline, ele será “slashed” (cortado) e o usuário perde um pedaço ou 100% dos ETH em stake.

Conclusão

O The Merge é um passo importante para o Ethereum. Ele planeja melhorar o protocolo fundamentalmente. Embora não seja a atualização que irá corrigir o congestionamento e as altas taxas, parece ser um passo na direção certa em direção a uma melhor escalabilidade.

Em compensação, o nível de centralização aumentará e consigo trará mais riscos para o protocolo. Soluções futuras estão no horizonte (como o Sharding) que promete ajudar a aumentar a velocidade da rede do Ethereum, mantendo as taxas baixas. À medida que os criptoativos se aproximam de um ponto de inflexão de adoção mainstream, o Ethereum está tentando solucionar os seus problemas de escalabilidade para uma melhor adoção.

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