É hora de comprar? Entenda como funcionam os ciclos do Bitcoin

É hora de comprar? Entenda como funcionam os ciclos do Bitcoin

paulo-boghosian

17 MAI

5 MIN

É hora de comprar? Entenda como funcionam os ciclos do Bitcoin

Olá, investidor! Quando eu vou escrever algum artigo para o Blog, costumo escolher o tema com base na quantidade de perguntas que eu recebo. Dessa vez, a imensa maioria delas foi: “E aí, está na hora de comprar Bitcoin? Chegamos no fundo?”.

Para quem está achando que vai receber uma super dica de compra, já adianto que esse não é o objetivo do texto. Aqui, vou fazer um panorama de como funcionam os ciclos do Bitcoin, além de mostrar para vocês como dessa vez é diferente em alguns aspectos. O famoso “this time is diferent”.

Para quem não conhece a expressão em inglês, ela surgiu em uma obra do famoso investidor John Templeton em seu livro em 1933, “16 regras para o sucesso financeiro”.

John Templeton falou “O investidor que diz: “Desta vez é diferente”, quando na verdade é praticamente uma repetição de uma situação anterior, pronunciou entre as quatro palavras mais caras nos anais do investimento”.

Com isso, a expressão é muito utilizada, geralmente de forma pejorativa, para quem a utiliza em um contexto que já foi visto anteriormente. Mas vou pedir licença para o mago John Templeton para usá-la para explicar a dinâmica de ciclo de um ativo novo e que ainda está em fase de maturação e com histórico de somente um pouco mais de uma década, o Bitcoin.

Ciclo do Bitcoin

A maioria de vocês já deve saber, mas, recapitulando sucintamente, o Bitcoin é um ativo que replica a escassez do ouro. Ou seja, a moeda possui uma oferta monetária finita e com emissão decrescente ao longo do tempo. São 21 milhões de Bitcoins e a sua taxa de emissão cai pela metade a cada quatro anos.

Portanto, é uma dinâmica de oferta que cria escassez ao longo do tempo, e, principalmente, cria choques de oferta a cada quatro anos.

Com essa escassez de oferta, espera-se que o preço se aprecie em torno desses eventos, dado que a demanda pelo ativo continua aumentando. Tudo isso continua válido, e esse efeito ainda é um driver de preço no ciclo do Bitcoin.

Entretanto, a dinâmica de preços do Bitcoin tem mudado muito nos últimos anos com a entrada dos investidores institucionais.

Assim, a teoria dos ciclos não deve ser observada sozinha. Há dinâmicas importantes na demanda que devem entrar na análise, e que possuem um peso importante no preço do Bitcoin. Tanto isso é verdade que o modelo Stock 2 Flow, modelo que precifica o Bitcoin com base na sua escassez, tem errado neste ciclo.

Modelo Stock 2 Flow

Antes de continuarmos, vou explicar rapidamente como funciona o modelo.

O Stock 2 Flow é uma regressão entre escassez de oferta – medida pela capacidade de repor o estoque de uma commodity – em relação ao seu preço. O modelo foi aplicado a uma série de commodities, incluindo o Bitcoin.

O fit da regressão na época de sua criação foi extremamente alto, mas o modelo tem uma falha crucial, pois não considera a demanda pelo ativo, somente a oferta.

Veja o modelo aqui:

Perceba que no gráfico abaixo que mostra a divergência do preço atual para o modelo que estamos na maior divergência dos últimos anos:

Mas na prática, o que mudou com a entrada dos institucionais, e por que os ciclos do Bitcoin estão diferentes?

Correlações

Com a entrada de institucionais, as correlações com o cenário macro, e principalmente com o mercado de ações aumentaram de forma relevante.

O Bitcoin sempre foi um ativo descorrelacionado, mas desde o crash no mercado financeiro de março/2020, o crash da COVID, onde todos os ativos caíram juntos, o Bitcoin não conseguiu proteger o investidor.

O ativo tem negociado com correlações cada vez maiores. Veja a correlação de 30d medida pela Skew:

correlação bitcoin s&p

Isso ocorre principalmente devido a mudança do perfil do investidor, de um investidor que é nativo em cripto, e que muitas vezes investia somente no Bitcoin, para um mix de investidores, com participação cada vez maior de investidores nativos do mercado financeiro tradicional.

Esse investidor do mercado financeiro tradicional possui investimentos em diversas classes de ativos e pode vir a vender Bitcoin para cobrir quedas em outras partes da carteira.

Além disso, existe uma boa parcela de investidores institucionais que se utilizam de estratégias algorítmicas, que fazem trades com base em correlações históricas.

E finalmente, é um investidor que ainda tem desconfiança com criptoativos e considera Bitcoin um ativo de risco, e não um ativo descorrelacionado e que pode ser utilizado como hedge. Até porque ele ainda não foi capaz de defender as recentes quedas do mercado.

Acreditamos que, com o tempo, essa desconfiança e a falta de entendimento do investidor tradicional para com o Bitcoin tende a diminuir. Com isso, teremos uma diminuição das correlações, mas na conjuntura atual é inegável que está alta.

Com o mercado tradicional em queda livre, é difícil argumentar contra uma contaminação do Bitcoin e do mercado cripto como um todo. Esse é um dos principais motivos pela realização do ativo.

Veja o gráfico do Bitcoin (laranja) junto com o SPX (azul):

bitcoin e SPX

Topos e fundos arredondados

Um outro efeito da entrada do investidor institucional são os topos e fundos arredondados.

Enquanto no passado tínhamos momentos de capitulação extrema e euforia extrema, que eram um produto principalmente de um componente emocional forte nos trades, formando o que chamamos em inglês de blow off top (candle com longo pavio acima) e capitulation wick (candle com longo pavio abaixo), agora temos um padrão topos e fundos arredondados.

Confira abaixo como era antes (topo ocorrido em 2016):

topo bitcoin

Agora como é hoje (último topo):

último topo bitcoin

Isso ocorre porque há menos emocional envolvido nas compras e vendas de players mais sofisticados. Além disso, os fluxos de entradas e saídas dos institucionais são mais graduais, já que muitas vezes a saída de uma posição leva dias.

Alongamento dos ciclos

Um último efeito dessa nova conjuntura é um alongamento dos ciclos de mercados.

Perceba no gráfico abaixo que compara a duração de cada ciclo de alta, o quanto o ciclo atual está mais longo.

performance bitcoin

Aliás, há muitos analistas de cripto que acreditam em super ciclos.

Apesar do nome gourmetizado, super ciclo basicamente significa que os ciclos se tornam mais longos e com menos volatilidade. Isso é completamente factível à medida que o Bitcoin vai se tornando um ativo mais maduro, com mais liquidez e com demanda crescente, passando a fronteira dos “early adopters” para se tornar mainstream.

Fonte: Crossing The Chasm, por Geoffrey Moore.

Na minha opinião, estamos nos aproximando desse momento, considerando a pesquisa realizada pela Triple-A, que estima em mais de 300 milhões de usuários distribuídos da seguinte forma:

Conclusão

O papel do investidor é justamente se adaptar as novas dinâmicas do mercado e aprimorar seus modelos para tomar melhores decisões de compra e de venda.

Por isso, nesse momento acredito que a decisão de compra do Bitcoin passa, além dos dados endógenos ao mercado cripto, por uma avaliação do cenário macro.

Cenários de aperto monetário no dólar irão continuar impactando o Bitcoin, mas poderão dar belíssimas oportunidades de compra.

Por fim, assine o TC Cripto e acompanhe em tempo real nosso monitoramento do mercado para ter um bom diagnostico dessa conjuntura.

Especialista em criptoativos do TC

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